<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212</id><updated>2012-02-07T02:56:19.517-03:00</updated><title type='text'>O Rascunho</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1946500684766227862</id><published>2012-01-28T07:34:00.001-03:00</published><updated>2012-01-28T08:38:30.134-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Balneário, futebol e um chevette.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img title="Chevrolet Chevette (1980)" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="222" alt="Chevrolet Chevette (1980)" src="http://lh4.ggpht.com/-HRFJ0nxck4s/TyPQzSMXYPI/AAAAAAAAANg/XMj1lwFXr_4/02%25255B37%25255D.jpg?imgmax=800" width="420" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Balneário, futebol e um chevette&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Fim de semana significava balneário, e assim todo o mundo combinava o programão: a reca de amigos, o chevette azul do primo, o corcel, e a promessa de manhã prazenteira: o futebolzinho, os banhos no Serrano e o almoço em Chico da Cascata. Um sempre se encarregava da bebida: a indefectível &lt;em&gt;Kariri&lt;/em&gt;, para o momento certo. Era ritual praticado por absolutamente todos do grupo. Certamente nunca houve movimento sabatino mais imperioso do que essa reunião de doze amigos de longa data. Praticamente um ritual.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Em ocasiões bem especiais, quando a empolgação era um tantinho maior e a &lt;em&gt;Kariri&lt;/em&gt; um pouco mais convidativa, punham em prática o espetáculo que chamava a atenção de quase todos do clube: o racha entre duas equipes compostas por atletas autoconfiantes, por duas seleções recheadas de craques, completamente chumbados, entanto. Todo o mundo melado disputava o domínio da bola, outros tentavam ficar em pé, alguns praguejavam contra o gramado ou a falta dele, e o goleiro com seus reflexos duvidosos, em se levando gol, sempre punha a culpa num zagueiro mais distraído, que marcava o próprio companheiro de zaga. Um dos bruegas sempre tentava racionalizar a decadência de seu time dizendo que o motivo do desempenho capenga seria a altitude do clube e, em perdendo o embate, ameaçava a equipe adversária, intimando a que jogassem em plano mais baixo. Repetia que aquela subida do Lameiro rarefazia o ar, prejudicava a respiração e assim sua equipe jamais poderia dar o melhor de si.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Como era de se esperar, sempre havia um gol contra. E tudo começava com um passe errado. Em nada adiantava separar os times em vestidos e descamisados, que o nível de embriaguez suplantava a percepção desse detalhe. Sempre havia um escroto que recebia um toque equivocado do zagueiro adversário e, como se fosse feitiço ou proselitismo de fanático, se convertia, achando ser do time do que lhe fez a assistência. Era o princípio do gol contra, que, a bem dizer, não tinha tanta importância se o jogo já estivesse bem adiantado. Nessa ocasião, ninguém percebia que era contra e todo o mundo comemorava do mesmo jeito. Assim era um prato cheio assistir ao atacante sair driblando &lt;em&gt;a la&lt;/em&gt; Marrentinho Carioca todos os companheiros de time e arrematar a jogada de mestre. Contra, mas de mestre.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Dava onze da manhã e a próxima parada era Chico, os doze se distribuíam nos dois veículos, o chevette do primo e o corcel branco. Iam todos &lt;em&gt;assardinhados&lt;/em&gt; naqueles dois fósseis ambulantes, todos barulhentos, falando bosta e botando boneco numa viagem suicida. Um dos bêbados cara-de-pau ainda tinha o topete de reclamar da via e de suas curvas sinuosas, e também sempre havia aquele que reclamava da lerdeza do condutor bocó, dizendo que não haveria mais peixe nem baião quando chegassem em Chico.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Nessa tarde, voltando do restaurante, que, por sinal, serve o melhor peixe frito com fruta-pão e baião-de-dois da região caririense, o primo ferrou o chevette azul, bala, todo restaurado, na lateral de um C4 Pallas, na descida do Lameiro. Um dos amigos, no banco do carona, voltava com o abalroador.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O carona pensou que o resto de juízo do primo fosse embora diante da desgraceira que tinha provocado no carro alheio. Ele, no entanto, já bem melado, saiu do chevette gritando, com toda a verve de poeta do caradurismo que só a &lt;em&gt;Kariri com K&lt;/em&gt; pode lhe inspirar:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;— Essa tua carroça apapagaiada é muito desaforada pra se meter na frente de meu chevette!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; E, antes que o outro dissesse um ai de protesto, o cu-de-cana prosseguiu o seu discurso molhado, que faria inveja a qualquer um dos mais profundos e ataviados discursos do Águia de Haia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;— Mas, como pareces ser sujeito algo inopioso e sou mui generoso e indulgente…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Aí lascou, foi a vez em que o bruega começou a ordenar que o camarada abonasse suas qualidades, papo de bêbado chato, como se todo o caráter “incutucável” do infeliz dependesse de seu depoimento. E, dentro do carro, já impaciente, ia confirmando tudo… “Inopioso”, o égua deu até de retirar aquele adjetivo feio da cachimônia triscada. Mas, então, já satisfeito com a participação do parente, voltou a soluçar o discurso ao dono do C4:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;— Como dissera, sou mui generoso e por isso mesmo me apiedo imensamente de ti, façamos, pois, o seguinte: para não te prejudicar financeiramente, tu pagas o teu, que eu pago o meu. E fim de papo!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Entrou no chevette amassado e arrancou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;(fonte e licença da imagem: &lt;a title="Uruguayan Chevette" href="http://bit.ly/xotVlE" target="_blank"&gt;http://bit.ly/xotVlE&lt;/a&gt; e &lt;a title="Creative Commons - Attribution 2.5 Generic (CC BY 2.5)" href="http://bit.ly/yeqiSm" target="_blank"&gt;http://bit.ly/yeqiSm&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1946500684766227862?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1946500684766227862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2012/01/cronica-balneario-futebol-e-um-chevette.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1946500684766227862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1946500684766227862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2012/01/cronica-balneario-futebol-e-um-chevette.html' title='Crônica: Balneário, futebol e um chevette.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-HRFJ0nxck4s/TyPQzSMXYPI/AAAAAAAAANg/XMj1lwFXr_4/s72-c/02%25255B37%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4691597012437120647</id><published>2012-01-13T19:25:00.001-03:00</published><updated>2012-01-13T19:32:22.283-03:00</updated><title type='text'>Poesia: O vetor são os teus olhos, do atroz vírus do Amor.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Um quadrão sem o estribilho final evidentemente não é um quadrão. Para não blasfemar contra o rigor desse gênero popular de poesia, assim não chamo esses oitos pés que fiz agorinha, apesar de os elementos da versificação estarem interiços.&amp;#160; &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160; Dedico estas linhas ao olhar perigoso, contagioso, das moças fagueiras, que contaminam de amor o mundo que uns tantos teimam em enfear.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img title="e05" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="125" alt="e05" src="http://lh6.ggpht.com/-ma6B1DlDYEA/TxCvTx0242I/AAAAAAAAANQ/LFknegtdi2M/e05%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="320" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O vetor são os teus olhos,        &lt;br /&gt;Do atroz vírus do amor.         &lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(Gustavo Henrique S. A. Luna)&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div align="center"&gt;   &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="413" align="center" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="202"&gt;           &lt;p align="center"&gt;O olhar é uma facada,              &lt;br /&gt;De peixeira enferrujada,               &lt;br /&gt;De amor contaminada,               &lt;br /&gt;Desvirtuando o meu ser.               &lt;br /&gt;Desse mal padecerei,               &lt;br /&gt;E a ele me entregarei,               &lt;br /&gt;Dele só me livrarei,               &lt;br /&gt;Quando de amor eu morrer!              &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="209"&gt;           &lt;p align="center"&gt;Dessa doença eu padeço              &lt;br /&gt;Pois quero, com todo o apreço,               &lt;br /&gt;Essa chaga, que eu mereço               &lt;br /&gt;Ser moribundo de amor.               &lt;br /&gt;De moribundez eterna               &lt;br /&gt;Minha feição é subalterna               &lt;br /&gt;Ao mal que sempre governa               &lt;br /&gt;E é nobre guerreador.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="202"&gt;           &lt;p align="center"&gt;Doencinha perigosa              &lt;br /&gt;Fingindo ser mui manhosa               &lt;br /&gt;Com os olhos dedilha a prosa               &lt;br /&gt;De rico vocabulário.               &lt;br /&gt;São duas glosas de amor,               &lt;br /&gt;Obras de Nosso Senhor,               &lt;br /&gt;Dois olhos de tal fulgor               &lt;br /&gt;Merecem proprietário.              &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="209"&gt;           &lt;p align="center"&gt;Uma pugna em que eu luto              &lt;br /&gt;Seguindo um regime bruto               &lt;br /&gt;E com dois olhos disputo               &lt;br /&gt;A graça da moça inteira.               &lt;br /&gt;Me vendo, ela não se rende,               &lt;br /&gt;Com gosto, o corpo me prende               &lt;br /&gt;Faz vinco na alma, fende,               &lt;br /&gt;Com violência fagueira.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="202"&gt;           &lt;p align="center"&gt;Pois que seja eu o dono              &lt;br /&gt;E tire do abandono,               &lt;br /&gt;Depois coloque num trono               &lt;br /&gt;Essas duas joias raras.               &lt;br /&gt;Que assim terão bom destino               &lt;br /&gt;Esses dois globos divinos,               &lt;br /&gt;E neles eu descortino               &lt;br /&gt;Do mundo as belezas caras.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="209"&gt;           &lt;p align="center"&gt;É um misto de enlace e guerra,              &lt;br /&gt;Contenda que não se encerra,               &lt;br /&gt;Só finda quando soterra               &lt;br /&gt;O mais feliz perdedor.               &lt;br /&gt;Diz que então morre contente,               &lt;br /&gt;Pois de amor foi um doente,               &lt;br /&gt;Contraiu por acidente,               &lt;br /&gt;O atroz vírus do amor.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4691597012437120647?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4691597012437120647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2012/01/poesia-o-vetor-sao-os-teus-olhos-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4691597012437120647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4691597012437120647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2012/01/poesia-o-vetor-sao-os-teus-olhos-do.html' title='Poesia: O vetor são os teus olhos, do atroz vírus do Amor.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-ma6B1DlDYEA/TxCvTx0242I/AAAAAAAAANQ/LFknegtdi2M/s72-c/e05%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5106803816365525324</id><published>2011-12-27T01:05:00.001-03:00</published><updated>2011-12-27T01:10:54.976-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O patético caso de engasgo.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O patético caso de engasgo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img title="a01" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="235" alt="a01" src="http://lh6.ggpht.com/-b90egO7-5Hw/TvlEFpcy1TI/AAAAAAAAANM/oTqkIaF3Yq8/a01%25255B7%25255D.jpg?imgmax=800" width="202" align="right" border="0" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Há meses a campainha desta casa pifou. Era uma daquelas bem vagabundas que sequer se ligam à rede elétrica, funcionando à pilha mesmo. Desde então, atender a quem quer que nos venha visitar ficou um pouquinho complicado. Ninguém escuta quem bate. O vestíbulo da casa é extenso e, como fica todo o mundo socado em seus quartos, há sempre aquela apreensão, ao mínimo ruído metálico, de que estejam batendo no portão. Derrubam um caneco pela área do alpendre e já tem gente saindo do quarto e gritando que há alguém à porta. Um dia desses, em rara e felizmente efêmera ocasião, uma araponga resolveu figurar próximo ao rio, perto de casa. Esse episódio foi um inferno e, por infeliz coincidência, houve visitas, evidentemente não atendidas. Todo o mundo se conformara.&amp;#160; &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “É a droga da ave!”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Hoje mesmo fui surpreendido pensando num blefe. Alguém realmente batia. Talvez por polidez, fazia com suavidade fora do comum, como se temesse danificar a estrutura metálica. Achei que fosse qualquer outra coisa, exceto alguém no portão. A apreensão me fez verificar. Era uma senhorinha com um cachorrinho nos braços. Um cãozinho castanho, de pelagem rala, da raça &lt;em&gt;Pinscher&lt;/em&gt;. Ela, com os olhos molhados, me perguntava se o meu avô estava. Referia-se a meu pai. Antes que fosse chamá-lo, ela passou a explicar que havia um cão engasgado com um osso, mas não me disse assim, na lata. Foi uma novela para esclarecer a situação. A fala atrapalhada dava a entender que o cão em apuros não fosse o que ela trazia consigo. Enrolava, se confundia, tentava retomar o raciocínio, mas voltava a se atrapalhar. “O meu sobrinho saiu… Ele ‘tá engasgado… Eu ‘tou sozinha, e ele ‘tá demorando demais. O pobrezinho vai morrer. É porque tem um cachorrinho…”. Desse modo começou a contar a história. De imediato, antes de ela enredar o caso do animal, interrompi e perguntei onde estava o sobrinho, pensando que fosse ele quem corria risco de vida. A referência distante ao cachorro me acerou um tantinho de impaciência.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “E onde está o cão, minha senhora?”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “É este aqui.”     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; E o animal imóvel, com os olhos arregalados, quase sem evidenciar respiração. Havia me dito que não conseguia retirar o osso sozinha. A moribundez no olhar do bicho me chamava a atenção. Pedi que ela segurasse as patas e o tronco, enquanto me arriscava a retirar osso. Deu certo. E, no mesmo instante, a resposta de vida meio insólita: o animal se agitou, escapuliu dos braços da velha, saiu correndo, latindo, como se nada lhe houvesse acontecido.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “E a senhora é muito apegada a ele?”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “Não muito. Meu irmão comprou hoje e deu de presente a Juninho.”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Fui então saber se ela não queria entrar e tomar uma água para tentar se acalmar um pouco. Os olhos molhados e meio avermelhados, de quem já chorou tudo que tinha de chorar.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “E por que a senhora está chorando?”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Franziu a testa. Demorou a responder, repetindo o copo d’água. Bebia com sofreguidão. Mas a feição era de placidez.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; — “Não ‘tou chorando, meu filho. É conjuntivite.”.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5106803816365525324?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5106803816365525324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-o-patetico-caso-de-engasgo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5106803816365525324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5106803816365525324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-o-patetico-caso-de-engasgo.html' title='Crônica: O patético caso de engasgo.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-b90egO7-5Hw/TvlEFpcy1TI/AAAAAAAAANM/oTqkIaF3Yq8/s72-c/a01%25255B7%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-658493083673037829</id><published>2011-12-24T21:49:00.001-03:00</published><updated>2011-12-24T23:56:39.708-03:00</updated><title type='text'>Crônica: A dor de cabeça dos pais.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img title="r01" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="320" alt="r01" src="http://lh3.ggpht.com/-J6PXO3wPSEs/TvZzM9XN0ZI/AAAAAAAAAM4/eNjARGjOJyY/r01%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="420" border="0" /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A dor de cabeça dos pais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Pra ser sincero, digo, sem vergonha alguma, que não sou dado a escrever sobre memórias. Confesso: não tenho jeito pra isso. Muito menos quando as memórias são alheias. Hoje papai já não costuma me contar as suas histórias, como fazia quando eu era bem menino. Talvez seja a minha idade a razão do desinteresse dele pelo relato de suas aventuras de infância no Brejo Grande. É possível que ele pense que elas já não me interessem com a mesma força de antigamente, quando nós nos sentávamos na calçada de nossa antiga casa, na São Francisco, debaixo duma acácia, na boca da noite, e ele traçava suas peripécias de cabrinha do buchão. Naquele tempo, no tempo da acácia, notícia séria ou interessante, pra mim, não vinha do telejornal, vinha da resposta de papai à minha pergunta diária: “E aí, pai? Quais são as novidades?”. Mesmo que não houvesse novidade alguma, ele sempre dava um jeito, arrumava algo novo pra me contar. Era como meu velho fechava o meu dia com chave de ouro, com um momento terno de cumplicidade. Agora eu me sinto um traidor, partilhando com vocês aquilo que me segredava de modo tão entusiasmado.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ele tem muitas histórias, e algumas tantas são bem engraçadas. Aliás, ele todo, até hoje, tem umas atitudes que saem do tom e fazem os próximos rirem quando lhas conto. Outro dia, janelando de madrugada, quase no primeiro canto do galo, vi o velho pedalando, numa calói vermelha, barra circular, com toda a intensidade meninil (&lt;em&gt;de pau&lt;/em&gt;, como diz bonitamente a mocidade), pra cima e pra baixo, dando voltas na quadra e chamando a atenção dos cães da vizinhança. Foi o dia em que deu uma de baderneiro feliz, acordando os nossos ex-vizinhos da Padre Ibiapina. “Pai, Dô quer ir pra casa. Devolve logo essa bicicleta e vem dormir!”, disse, invertendo os papéis. Ao que o ciclista da melhor idade respondeu: “Quer nada. Ele ainda ‘tá é no bar de Toinho, jogando sinuca e embicando umas lapadas.”. Parecia menino, arrumando desculpa pra dar mais uma volta no quarteirão.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Outra vez bateu boca com os membros da Jovem Crato por conta da zoada que fazia a torcida (des)organizada, num barzinho enconstado na casa da Pe. Ibiapina. Era o aquecimento deles, antes do jogo. Cantavam o hino, soltavam fogos e reproduziam música no volume máximo, imagino, que podem suportar os amplificadores de som que se engastam nos carros. Do copiá, gritou a pior ofensa que poderia ser proferida a um grupo de torcedores fanáticos: “Tomara que o Crato perca!”. Daí levou em troca uma saraivada de vaias, quase em uníssono, não fosse um sujeito mais escroto ter gritado de volta: “Cala a boca, Dedé!”. Pronto, foi o suficiente para que ele ligasse pro Ronda, que chegou, com muito atraso, e encontrou o canto mais limpo. Como se diz no jargão policial, todos já se haviam evadido do local do &lt;em&gt;crime&lt;/em&gt;. Não havia evidências de nada, e o assunto se encerrou ali. Ficou por isso mesmo.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas e as peripécias da infância? Me desviei porque o homem tem é história. Da adultidade tem coisas tão gravemente engraçadas quanto as da meninice. Meu pai é o mais novo dos homens, de uma prole enorme. Quem o conhece hoje certamente vai duvidar, mas eu ratifico: ele é mais novo do que tio Zequinha, aquele que mantinha a farmácia Santa Inez, ali na Bárbara de Alencar. Se o meu tio ler esta crônica, ele vai praguejar dizendo o contrário. Pois eu já brinco afirmando que a fuselagem de papai é que está um pouco avariada, certamente pelos excessos da vida. Deixando de lado os detalhes etários e voltando à infância do velho, todos me dizem que, justo por ser o caçula, sempre foi muito mimado. É provável que seu gênio de traquinas tenha como causa esses mimos todos. Conta-se que, em dada ocasião, não se sabe bem o motivo, ele tenha mijado dentro das cabaças com que os trabalhadores de meu avô bebiam água durante o almoço. Imagine a presepada e a pisa que não deve ter levado de vovô Mundico.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160; Outra história diz respeito a um xodó de Roque, um ave linda com que fora presenteado pouco tempo antes de meu pai ter posto seu olhar de guerra pra cima do bicho. Era um pavão robusto, volumoso, que Roque fazia questão de mostrar a qualquer vivente que pisasse em sua casa. Puxava o cabra pro terreiro e dizia: “Olha ali, homem, que coisa mais linda!”. Diz-se até que a devoção era tanta, que ele chegava a conversar com o animal. Desmotivadamente agiu de novo o endiabrado. Afinal, menino ruim não precisa de motivo pra fazer diabrura. Numa andaça, à tardinha, escutou o grito da ave no terreiro do homem e, talvez já cansado de matar lagartixa, resolveu uma investida mais ousada: puxou o bodoque e mirou, já bem perto do cercado. Acertou a pedra no quengo do bicho, que saracoteou desesperado, com seus gritos de socorro. O que tinha de volume e de robustez, tinha de vigor. Não morreu. Cegou.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; E mais: inventou de ingressar no cargo de empresário mirim de luta livre, financiando brigas as mais violentas entre os amigos de infância. Como o que não faltava na casa grande de vovô Mundico era rapadura, por conta do canavial e do engenho, fazia desse quitute o prêmio para o vencedor de cada briga. O que não faltava atrás de meu pai era menino querendo trocar uns tabefes por uma banda de rapadura. E assim ele ia organizando os embates: hoje fulano luta com sicrano, e o outro ali com beltrano… Veja bem, camarada: meu pai, ainda menino, já era visionário! Foi o primeiro a investir pesado na prática de luta livre, já no meio infantil. Muito antes de Dana White pensar em existir, nos idos de 50, já estava lá meu velho fazendo uns cabrinhas caírem no cacete por uma banda de rapadura. Fez isso por um tempinho, até vovô Mundico descobrir a marmota e quase lhe torar o espinhaço de tanta lapada com cipó de embira.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-658493083673037829?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/658493083673037829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-dor-de-cabeca-dos-pais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/658493083673037829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/658493083673037829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-dor-de-cabeca-dos-pais.html' title='Crônica: A dor de cabeça dos pais.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-J6PXO3wPSEs/TvZzM9XN0ZI/AAAAAAAAAM4/eNjARGjOJyY/s72-c/r01%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2485861214133336201</id><published>2011-12-24T21:38:00.001-03:00</published><updated>2011-12-24T21:38:41.262-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Se correr, é pior!</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img title="q01" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="247" alt="q01" src="http://lh6.ggpht.com/-AiytL7W7gY0/TvZwj74EJQI/AAAAAAAAAMw/eJBSEaIjJdw/q01%25255B18%25255D.jpg?imgmax=800" width="380" border="0" /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Se correr, é pior!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; No caso, era uma chinelada nas canelas, uma &amp;quot;havaianada&amp;quot; no meio do espinhaço, uma &amp;quot;cinturãozada&amp;quot; com o &amp;quot;plus&amp;quot; de uma fivela da grossura de um dedo mindinho.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Uma história rapidinha: quando &amp;quot;menino-véi-do-buchão&amp;quot;, tinha atirado uma tigela de gelatina de morango em Niele, lambuzando a camisola que minha irmã usava. Ora, ela, muito mais velha que eu, partiu na carreira; eu, entanto, saí batendo os calcanhares na bunda. Enfim, ela não me alcançou. E também saiu dizendo que, se eu corresse, seria pior. Como estava em vantagem na carreira, não tive dúvida alguma, continuei ligeiro em direção ao oitão dianteiro da casa. Lembro, no entanto, que a corrida não havia sido de todo fácil. Havia uma série de obstáculos. Como me havia programado mal, tomei o trajeto errado, o corredor entre o linde interno da casa e o oitão da lateral esquerda, que servia de canil para o velho capitão Bubu (que Deus o tenha bem no Céu dos Cachorros!) e onde também havia fincado morada um outro ser, bem menos barulhento do que o nosso cão patrulheiro, um mamoeiro macho que, não sei como, resistia incólume às unhadas diárias do cão. Nessa curta distância, pouco menos de dez metros, havia duas muretas de concreto, as duas entradas para o canil. Havia portinholas, mas, com a pressa com que vinha, elas não me ajudaram muito. Saltei (Deus sabe como o fiz), sem perder o pique, a primeira mureta, dei com os peitos no tronco do mamoeiro e, já na segunda mureta, ralei a perna na parte de cima da portinhola de metal. A corrida com obstáculos não acabaria na travessia da morada do velho Bubu. Quando tomei a direita, já com o intuito de saltar o oitão da frente e me ver livre de uma &amp;quot;cinturãozada&amp;quot; de Niele, que então espumava de chateação, acabei passando pelo copiá, onde havia um viveiro, quatro cadeiras e uma mesa de centro. Relembrando isso, ainda digo que as mães planejam o ambiente com o intuito de que os filhos se machuquem. Bom, lembro que dei com o mindinho na quina da mesa de centro. O medo da &amp;quot;cinturãozada&amp;quot; foi maior do que qualquer esboço de careta ou do que a expressão de palavrinhas sujas inspiradas pela dor, que tardou, mas veio. Saindo do copiá, veio a redenção: com dois ou três pulos, da parte mais alta do corrimão esquerdo da escadaria, me enganchei num galho velho da quixabeira (ah! a quixabeira! tempo bom de meninice) e daí me pendurei em cima do muro. Pronto! Minha homérica aventura de infante estava concluída. Os detalhes finais talvez incluam alguma zombaria que prestei, ainda em cima do muro, orgulhoso de minha façanha, à irmã, que bufava de raiva. Tinha a certeza de que a &amp;quot;falta-de-vergonha&amp;quot; [que bem compreenda o leitor, neste momento, o que quero dizer com essa &amp;quot;falta&amp;quot;], típica da meninice, não pertencia mais a minha irmã, no vestíbulo da adultidade, e que, por isso mesmo, teria sido impedida pela vergonha de se expor aos olhos dos vizinhos ao correr atrás de um menino, como se também fosse uma meninona. Ledo engano: era uma meninona, sim! Uma meninona que correu atrás de um menino, mas dentro de casa. Essa foi a grande diferença.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Bom, a verdade é que saltei, atingindo o calçamento da Rua Pe. Ibiapina, em Crato. Uma liberdade que só pode ser experimentada por quem já extraiu o máximo da infância.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Depois veio a dor no mindinho torto, excruciante...&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-2485861214133336201?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/2485861214133336201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-se-correr-e-pior.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2485861214133336201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2485861214133336201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-se-correr-e-pior.html' title='Crônica: Se correr, é pior!'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-AiytL7W7gY0/TvZwj74EJQI/AAAAAAAAAMw/eJBSEaIjJdw/s72-c/q01%25255B18%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-659366259682838519</id><published>2011-12-23T02:48:00.001-03:00</published><updated>2012-02-05T04:32:41.607-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Bicho-do-mato.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Bicho-do-mato&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img title="p04" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 5px; border-right-width: 0px" height="271" alt="p04" src="http://lh3.ggpht.com/-vcI8m17WBFo/TvQYRaRlleI/AAAAAAAAAMo/pA7G__hl2KU/p04%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="200" align="right" border="0" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Sou um bicho-do-mato. Agora sei que sou. Depois de tanto teimar que não, percebo que o que mais faço é assumir a postura de um bicho-do-mato. Seja na saída desazada, em que a conversa não se faz fluida, em desarmonia com o assunto discutido pelos demais que me acompanham, seja no modo acabrunhado como cumprimento os outros, como economizo no jeito de expor afabilidade. Costumava me chamar assim um tio quando, ainda muito novo, com meus seis ou sete anos, em meio a uma roda de parentes, sempre muito barulhentos e numerosos, me expunha, por livre e espontânea pressão dos pais. “Ei, bicho-do-mato! Vem cá!”, e me puxava e me punha no colo, com a simpatia de homem falante, piadista e bom.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Era todo o cuidado que tinha com o desconhecido, com o inesperado, com o exagero dos ânimos. Era uma gente que ria demais, que ria de tudo, e eu sempre muito sério, sem entender muito bem de onde vinha toda a graça. Um menino, de seis anos, e sério. Quinha era que dizia a Dedé: “Esse teu menino parece um velho. Vi &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt; nesse instante. Passou, sem camisa e descalço, com a testa franzida, rumo à bodega de Seu Chico. Parecia um &lt;em&gt;hominho&lt;/em&gt;.”. Essa seriedade era só de fachada. Ia danar a comprar picolé de limão, fiado, na conta de meu pai. Era um estrago que lhe fazia durante quase todas as tardes de futebol trave-fechada, no calçamento da rua onde vivi parte de minha infância. A rua era a São Francisco, aqui em Crato mesmo. Nesta cidade, em Juazeiro e em Barbalha, além de hospital, tem muita rua com nome de santo: é São Pedro, São Paulo, Santo Antônio etc. E seguia correndo com os dedos grudentos, pés descalços, tomando posição nos embates acalorados desses fubebóis de bico de pedra. Mas era um bicho-do-mato seletivo: com os comparsas da infância compartilhada, ficava à vontade para um rachinha, para as conversas leveiras, regadas a piadas e histórias de sacanagem que os mais velhos contavam; para uma gente diferente, efusiva demais, era a personificação da desconfiança, era o &lt;em&gt;não-saber-o-que-dizer&lt;/em&gt;.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Numa dessas, estava com meu pai, fazendo não sei o quê, talvez lhe aproveitando a companhia para pedir alguma besteira pra comer, na bodega do finado Chico Henrique, homem bom e comerciante ainda melhor. O pai jogava baralho com os camaradas, e eu ficava por perto, de olho no carteado, acerando a minha intenção pidona, até que lhe saísse a frase incomodada: “Que é que tu &lt;em&gt;quer&lt;/em&gt;, menino?!”. Foi justo nesse dia que tive de deixar de lado o incômodo do encabulamento, com o dever da palavra, para delatar um criminoso. Tarefa das mais árduas, já que o meliante era barra-pesada e estaria, naquela ocasião, furtando ao velho Chico, querido por todos daquelas bandas. Era um frangote, recém-ingresso na adolescência, escondido debaixo do balcão da bodega, descamisado e com o calção verde cintilante cheio de pratas e de cédulas. Primeiro, a intimidação quando vi aqueles dois olhos ameaçadores, se arreminando por minha afronta de tê-los arrostado; depois, o indicador em riste, no meio do rosto que se coadunava com o negrume debaixo do balcão, pedindo silêncio, aliás, exigindo, sob a ameaça de me fazer qualquer mal posterior. E a ameaça era real: ele me apontou e, em seguida, bateu o punho cerrado na mão espalmada, como quem diz: “Eu te pego, seu bostinha!”. Sabia bem quem eu era e onde costumava andar e brincar. Apesar da convicção que assumira, planejei bem como haveria de entregar o criminoso. Tinha de delatar o filho-de-uma-égua de um jeito ou de outro, mas não podia ser assim, de cara, até porque, em se sabendo notado, à primeira atitude de delação que esboçasse, ele teria sucesso em fugir pela saída mais próxima da bodega, sem ser reconhecido, ligeiro feito coice de bacorinho.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Não tardaria e meu pai teria de deixar o carteado, os amigos e a bodega pra levar o pão do jantar. Esperei então que isso acontecesse. Fui saindo e, sumindo do campo de visão do moleque, entreguei a situação a meu pai, que, disfarçadamente, ou melhor, que, &lt;em&gt;escrotamente&lt;/em&gt;, voltou à bodega, fincou pé em frente à portinhola do balcão e disse a Seu Chico: “Chico, e esse menino zambeta debaixo do balcão, quem é?”. Pronto, nisso foi desfeito o furto. Depois de uns tabefes, o menino saiu ainda aluado de tanta mãozada que levara. Ainda balbuciou, em meio aos tabefes que levava e à saraivada de nomes feios que dizia, o motivo do furto. Usaria o dinheiro para quitar uma dívida que tinha com o sorveteiro Raimundo, homem bom e de bom papo que passava quase todas as tardes na São Francisco e que era conhecido por, a bem dizer, todo o mundo do bairro. Era ele, o carrinho e a voz de sorveteiro aboiador, gritando como quem pede passagem: “Sorveteiro!”. Gritava bonitamente, como quem tangia gado.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas isso tudo muda com as exigências futuras. Envelheci, mas não muito. O espírito ainda está nos trinques, como o do &lt;em&gt;hominho&lt;/em&gt;. Quando se tem de comunicar de modo pelo menos razoável, a gente desata o nó da fala e diz o que tem de ser dito, como quem tem a difícil tarefa de apenas informar. A gente objetiva as ideias na fala, sem se deixar enganar pelo que mais poderia ser dito.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Conversando, outra vez, com uma amiga, por telefone, ela me passou o neologismo cheio de graça e, ao mesmo tempo, temperado de sensatez: &lt;em&gt;extrovertímido&lt;/em&gt;. Foi isso que passei a ser desde que a comunicação presta e incisiva passou a ser a regra. Hoje sou um bicho-do-mato &lt;em&gt;extrovertímido&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-659366259682838519?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/659366259682838519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-bicho-do-mato_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/659366259682838519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/659366259682838519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-bicho-do-mato_23.html' title='Crônica: Bicho-do-mato.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-vcI8m17WBFo/TvQYRaRlleI/AAAAAAAAAMo/pA7G__hl2KU/s72-c/p04%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5400240033595791349</id><published>2011-12-13T10:07:00.000-03:00</published><updated>2012-02-07T02:56:19.522-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Dia do Forró e do Rei do Baião.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Hoje se comemora o dia do forró, data devida ao aniversário de nascimento daquele que foi, certamente, o artista que, através da música, mais se envolveu com a popularização da cultura nordestina nas demais regiões do País, o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Não tenho a pretensão de acrescentar nada sobre Gonzagão; todo conhecedor, mesmo que &lt;em&gt;de-vista &lt;/em&gt;[&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;], como diz um amigo, sabe o peso da figura desse homem, que, mais do que sanfoneiro, intérprete e compositor, soube, como ninguém, ser o grande repositório musical da cultura popular nordestina. Ao lado de tantos parceiros musicais, como Humberto Teixeira, Zé Marcolino, Zé Dantas e outros tantos, o Rei contribuiu com a sacralização da figura do vaqueiro e com o registro musical das tradições.&amp;#160; &lt;br /&gt;&lt;img title="01" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 5px; border-right-width: 0px" height="205" alt="01" src="http://lh4.ggpht.com/-95nz5uR8Kk4/Tugxmje5KnI/AAAAAAAAALs/CCI5dD_IauE/01%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="204" align="right" border="0" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Quando interpretou “Acauã”, de Zé Dantas, decantou o que há de mais puro e representativo da seca na fauna do semi-árido, através da descrição lamuriosa da ave agoureira. Essa canção, de tão recheada de beleza e de poesia, me inspirou a escrever as minhas primeiras décimas, aos moldes do gênero popular, que têm por título e mote “A Acauã de novo ilustra/ Triste seca no sertão”, que pode ser lida neste blogue através deste &lt;a href="http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/poesia-acaua-de-novo-ilustra-triste.html" target="_blank"&gt;linque&lt;/a&gt;. Quando cantou as belezas de minha cidade natal, o Crato, ou a &lt;em&gt;Vila Real do Crato&lt;/em&gt;, como alguns conterrâneos meus gostam de chamar, encheu o peito do povo dessa cidade de orgulho, cantando o seu apreço por esta terra de clima ameno, de população acolhedora, no sopé da Chapada do Araripe. Alguns poetas, como fez Manuel Bandeira, precisam imaginar e inventar uma cidade para lhes servir de refúgio, de paraíso; já outros dizem, como fez Gonzagão, “Eu vou pro Crato!”, sem precisar imaginar, nem inventar, porque esse paraíso existe, de fato, e fica bem no Coração do Cariri, como diz o próprio Rei. “Cratinho é de Açúcar, o Cratinho é doce!”, disse Gonzaga no trecho de conversa ao final da canção. &lt;img title="02" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 5px 0px 0px; border-right-width: 0px" height="203" alt="02" src="http://lh4.ggpht.com/-RwB7_bsvG8c/Tugxnk6BXnI/AAAAAAAAAL0/yGVmYFTBDJY/02%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800" width="204" align="left" border="0" /&gt; Quando registrou o corriqueiro e o pitoresco da crônica sertaneja, cheia, até a tampa, de um humor inigualável, como foi o caso da canção “Samarica Parteira” (de Zé Dantas), “Dezessete e setecentos” (de Miguel Lima), “Não vendo nem troco” (com Gozaguinha), “O forró de Mané Vito” (com Zé Dantas), “Derramaram o &lt;em&gt;gai&lt;/em&gt;” (com Zé Dantas), “Siri jogando bola” (com Zé Dantas), “Lorota boa” (com Humberto Teixeira), “Galo Garnizé” (com Miguel Lima), “Lá vai pitomba!” (com Onildo Almeida), “Ovo de codorna” (de Severino Ramos), “Capim novo” (de José Clementino, recentemente falecido), “Buraco de tatu” (de Jadir Ambrósio e Jair Silva), “Faz força, Zé” (de Rosil Cavalcante), “O tocador quer beber” (com Carlos Diniz), “Casamento improvisado” (de Rui Morais e Silva) etc., Gonzaga resgatou nessas canções o trocadilho, o sarro, a gozação, através da figura do sujeito preguiçoso, que não quer trabalhar; da metáfora do buraco de tatu; do valentão que acaba o samba no forró de Mané Vito; do pitoresco e do surrealista na imagem do siri jogando bola; da altercação financeira sobre o troco que deveria ser de 16.700 réis; do registro duma carreira desaforada que tomou, em riba de uma bestinha, um dos trabalhadores do Capitão Balbino, atrás de Samarica, uma parteira da região; da descrição supreendente da paixão por uma égua; do festival hilário de lorotas muito criativas; do cabo que se deu ao galo da vizinha por ele ter-lhe beliscado o pé; dos efeitos revigorantes (dizem) do ovo de codorna; do tratamento inovador com “capim novo” para o amigo velho que já está enviesando o serviço, sem energias; da engraçadíssima narrativa de um sujeito medroso que não soube conquistar a donzela e mandou outro indivíduo, mais esperto, fazer o serviço; e por aí vai. &lt;img title="03" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 5px; border-right-width: 0px" height="204" alt="03" src="http://lh4.ggpht.com/-f7JxEDDD5ns/Tugxosyt50I/AAAAAAAAAL8/HKXya78_VT0/03%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800" width="204" align="right" border="0" /&gt; O mundo musical do Rei do Baião é um universo que não cabe em si mesmo. Quando musicou as redondilhas menores de Patativa, do poema “A Triste Partida”, não só contribuiu com a popularização da temática do sertanejo flagelado, que deixa seu torrão em busca de vida melhor em outras terras, como também ajudou a levar às demais regiões do País o nome dessa ave candora que tanto nos orgulha com poesia simples, pura e bela. Quando cantou o nosso conterrâneo ilustre Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo, imortalizando o trava-língua “Quem a paca cara compra paca cara pagará”, criado por Firmino Teixeira do Amaral, o inventor, por sinal, desse gênero temático de poesia (veja este &lt;a href="http://osrascunhos.blogspot.com/2011/07/poesia-peleja-do-cego-aderaldo-com-ze.html" target="_blank"&gt;linque&lt;/a&gt;), novamente deu margem ao bate-papo tão bonito e produtivo entre música e literatura de cordel. Gonzagão registrou em música, como ninguém jamais havia feito, a fauna sertaneja, principalmente as aves, e a significação que elas têm para o homem do sertão. Histórias belíssimas, de uma riqueza ímpar, são contadas em canções como “Assum Preto”, talvez uma das mais lindas de Luiz e de Humberto Teixeira; “Sabiá” e “Acauã”, ambas compostas com Zé Dantas; a mais famosa da dupla Humberto e Gonzagão, “Asa Branca”; “Fogo-pagou”; “Pássaro Carão” e por aí vai.     &lt;br /&gt;&lt;img title="04" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 5px 5px 0px 0px; border-right-width: 0px" height="206" alt="04" src="http://lh5.ggpht.com/-9SudNEzz4mg/TugxpeyLXyI/AAAAAAAAAME/Ox1J2WH49o8/04%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800" width="204" align="left" border="0" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Hoje, de manhãzinha, assistindo a uma reportagem sobre o dia do forró, feita por emissora de tevê cearense, pude conferir os depoimentos de alguns músicos sobre a importância da canção de Gonzaga, e um deles, Waldonys, o Garoto Atrevido, como o Rei lhe chamava, disse uma verdade que revela uma das características musicais mais importantes de Gonzagão, um traço que só pode ser encerrado por verdadeiros gênios da música: a canção de Gonzaga é atemporal! Você não escuta um sujeito dizer, ao ouvir uma música sua: “Eita, que essa é das antigas!”. Isso não existe quando o assunto é o Rei do Baião, um artista atualíssimo, principalmente porque cantou um tema imarcescível, que é o tema sertanejo, um assunto perene no inconsciente popular de todo e qualquer nordestino. E, enquanto esse sentimento nordestino, popular, estiver vivo, pulsando dentro do nosso peito, a música de Gonzagão viverá!&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5400240033595791349?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5400240033595791349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-dia-do-forro-e-do-rei-do-baiao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5400240033595791349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5400240033595791349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-dia-do-forro-e-do-rei-do-baiao.html' title='Crônica: Dia do Forró e do Rei do Baião.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-95nz5uR8Kk4/Tugxmje5KnI/AAAAAAAAALs/CCI5dD_IauE/s72-c/01%25255B5%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4895942125873746931</id><published>2011-12-13T08:19:00.000-03:00</published><updated>2011-12-14T02:19:58.317-03:00</updated><title type='text'>Crônica: A origem da palavra “forró”.</title><content type='html'>&lt;p&gt;E sobre a origem da palavra &lt;em&gt;forró&lt;/em&gt;? Existem teorias mirabolantes que são, diariamente, difundidas nesses tempos de “livre comunicação”. Confundiram Jesus com Genésio e andam achando que não existe responsabilidade com o que é escrito quando o assunto é Internet.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“As palavras também têm seu romance de vida.” A. Guilherme Grings, &lt;em&gt;A história natural no romance da etimologia&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160; Não sei se já escrevi sobre o assunto nestas searas, mas não me furto a relembrar que nada tem que ver a palavra &lt;em&gt;forró&lt;/em&gt; com a expressão inglesa &lt;em&gt;for all&lt;/em&gt;. Isso é invenção de quem tem preguiça de pesquisar e vê nessa estratégia um jeito muito cômodo de falsear a etimologia. Admito que não deixa de ser engenhosa a associação. Afinal de contas, existe o contexto histórico para fortalecer a carcaça de uma tese que, em verdade, tem um chassi muito frágil. Na versão popular, conta-se que a palavra surgiu da leitura estropiada da expressão inglesa, com que os oficiais da base aérea estadunidense de Natal indicavam que a festa, o forró, era aberta para todos. Em outra versão, igualmente popular, diz-se que quem indicava a festa eram os engenheiros ferroviários da famosa companhia inglesa &lt;em&gt;Great Western&lt;/em&gt;, a famosíssima &amp;quot;Gretueste&amp;quot;, palavra assim pronunciada pelo matuto de um dos causos do nosso Jessier Quirino. Mas a etimologia popular, engenhosa, fruto do esfervilhamento de criatividade da mente do povo, como registram os livros de Linguística, é isso mesmo: é inventiva demais e, no mais das vezes, falsa. Então, se você ouvir uma história muito bem urdida, que soa muito engenhosa e verdadeira, seja cuidadoso, pare e vá pesquisar nos etimologistas mais sérios, que, antes de tudo, são filólogos, historiadores da língua. Desse modo, é quase certo que sejam etimologias puramente populares e mentirosas. O fato é que, infelizmente, a história da maioria das palavras da Língua Portuguesa é meio sem graça, sem a cor, o cheiro e o sabor que só o povo sabe e pode lhe dar. A gente lê as etimologias populares como quem se deleita com uma crônica humorística, como quem se encanta com os contos populares registrados por Câmara Cascudo. A gente lê a história falsa de um vida verdadeira, pungente, que têm as palavras que o povo costuma usar, e lamenta por não serem esses registros, de domínio público, a sua verdadeira biografia, como se fossem contos do fantástico.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Como a etimologia ensina coisas — é como se a origem das palavras contivesse toda a sabedoria do mundo.” M. Julieta Drummond de Andrade, &lt;em&gt;O valor da vida&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160; E a etimologia correta? Bom, &lt;em&gt;forró&lt;/em&gt; formou-se da redução de &lt;em&gt;forrobodó&lt;/em&gt;, uma palavra muito mais antiga do que qualquer base aérea estadunidense ou do que qualquer uma das linhas férreas da &lt;em&gt;Great Western&lt;/em&gt;. O étimo data do período colonial e significa &lt;em&gt;baile popular&lt;/em&gt; ou mesmo &lt;em&gt;confusão&lt;/em&gt;. Hoje em dia, o povo costuma, com mais frequência, fazer referência, usando a palavra &lt;em&gt;forró&lt;/em&gt;, à música que é tocada no baile, numa espécie de metonímia que se foi construindo com o tempo. E, com o apagamento da etimologia, legada ao limbo da memória dos falantes, deu-se a catacrese. Os gêneros musicais sertanejos chamados baião e xote é que são tocados no baile chamado forró, ou forrobodó.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4895942125873746931?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4895942125873746931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-origem-da-palavra-forro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4895942125873746931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4895942125873746931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/cronica-origem-da-palavra-forro.html' title='Crônica: A origem da palavra “forró”.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4790597814934074671</id><published>2011-12-07T22:13:00.001-03:00</published><updated>2011-12-07T22:29:42.783-03:00</updated><title type='text'>Poesia: A Aquarela da Vida e as Cores que a Vida Tem.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O que uma prova de pneumologia não faz com o sujeito? Revisando, na véspera, de madrugada, após feitas algumas sextilhas mnemônicas sobre as condutas para TEP, DPOC, pneumonias etc., fui tomado por uma vontade doida de escrever à toa. Como quem psicografa, escrevi dezoito sextilhas bem simples. E fiz num intervalo de tempo que não é bem meu: meia hora, estourando. Digo logo aos &lt;em&gt;foristas&lt;/em&gt; amigos, confrades das discussões gramaticais, que o mais que fiz foi respeitar a expressão popular dos versos e que, quando der de escrever pés aos moldes das regras de nossa Gramática, a saírem com alguma graça, também não me furtarei de com eles semear esta seara.&amp;#160; &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Falando, ao telefone, com um bom e velho amigo, que leu os versos com exclusividade, disse-lhe que se me surgiram na mente após um esfervilhamento de juízo que me atacou numa madrugada dessas, após uma crise de tédio. Ele perguntou-me do título… Uma metáfora das coisas bonitas da vida, do (des)controle do homem sobre seu destino, da diferença dos amores mundano e divino, do prumo que dá Nosso Senhor a nossas mãos, para que se possa desenhar, com verdade e beleza, a aquarela da vida.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;img title="01" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-left: 0px; margin-right: auto; border-bottom: 0px" height="260" alt="01" src="http://lh3.ggpht.com/--b5KlAnAq_k/TuAPOYP5EJI/AAAAAAAAALo/H69yjNRxq4o/01%25255B12%25255D.jpg?imgmax=800" width="320" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Aquarela da Vida&amp;#160; &lt;br /&gt;E as Cores que a Vida Tem.        &lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(Gustavo Henrique S. A. Luna)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div align="center"&gt;   &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="401" align="center" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="193"&gt;           &lt;p align="center"&gt;Quem na vida padeceu              &lt;br /&gt;Por amor correspondido               &lt;br /&gt;Da vida não entendeu               &lt;br /&gt;O belo e real sentido,               &lt;br /&gt;Pois no amor só perdeu               &lt;br /&gt;O que tanto é perseguido. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Se lamenta tendo amor,              &lt;br /&gt;Verdadeiro amor não tem.               &lt;br /&gt;Um esboço pode ter,               &lt;br /&gt;Que o verdadeiro só tem               &lt;br /&gt;Aquele que vê na vida               &lt;br /&gt;A grandeza que o amor tem. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Se o calor da união              &lt;br /&gt;Não satisfaz o teu peito,               &lt;br /&gt;O problema não é o calor.               &lt;br /&gt;É o modo como ele é feito,               &lt;br /&gt;Porque calor verdadeiro               &lt;br /&gt;Endoida qualquer sujeito. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Tragante feito maré              &lt;br /&gt;É o sorriso feminino.               &lt;br /&gt;Te puxa ou te derruba.               &lt;br /&gt;Não depende do destino.               &lt;br /&gt;Depende de como tratas               &lt;br /&gt;O gênero feminino. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Tem um cabra que se mete              &lt;br /&gt;E dana a falar besteira,               &lt;br /&gt;Dizendo que o correto               &lt;br /&gt;É amor de gafieira.               &lt;br /&gt;Primeiro, ofende o amor;               &lt;br /&gt;Depois, a vida inteira. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;O amor está em tudo.              &lt;br /&gt;Na poesia, também.               &lt;br /&gt;Mas tem gente que se engana,               &lt;br /&gt;Achando que ele tem               &lt;br /&gt;Um tal código secreto               &lt;br /&gt;Pra amar e querer bem. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Pra amar não tem segredo.              &lt;br /&gt;Basta com o Amor nascer,               &lt;br /&gt;Vivenciando em família,               &lt;br /&gt;O seu amadurecer.               &lt;br /&gt;Depois, pra compartilhar,               &lt;br /&gt;Nenhum esforço fazer. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Assim se vive com Deus              &lt;br /&gt;Agraciando o teu peito,               &lt;br /&gt;Com o amor verdadeiro,               &lt;br /&gt;Que é todo teu de direito,               &lt;br /&gt;Desde o romper da vida               &lt;br /&gt;Até parar o teu peito. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;A velhice pode vir,              &lt;br /&gt;Mas o amor não se vai.               &lt;br /&gt;Parece que é divino.               &lt;br /&gt;Deve ser coisa do Pai.               &lt;br /&gt;O corpo pode esquecer               &lt;br /&gt;O que da alma não sai.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="206"&gt;           &lt;p align="center"&gt;O amor mora na alma.              &lt;br /&gt;Dela faz sua residência,               &lt;br /&gt;Alimentando o espírito,               &lt;br /&gt;Recheando a consciência,               &lt;br /&gt;De pensamentos bonitos               &lt;br /&gt;Da Divina Providência. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Tudo isso pinta a vida              &lt;br /&gt;Com as cores que o amor tem.               &lt;br /&gt;Numa aquarela bonita,               &lt;br /&gt;Do pincel o vai-e-vem               &lt;br /&gt;Vai delineando os traços,               &lt;br /&gt;As curvas que a vida tem. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;As linhas são tortuosas,              &lt;br /&gt;Mas o conjunto é perfeito.               &lt;br /&gt;O movimento da vida,               &lt;br /&gt;Brotando dentro do peito,               &lt;br /&gt;Se estica e percorre o braço,               &lt;br /&gt;E, com o pincel, ele é feito. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Cada traço é uma etapa              &lt;br /&gt;Em que se confunde a vida               &lt;br /&gt;Com a própria história do amor               &lt;br /&gt;Numa aquarela florida.               &lt;br /&gt;Se puxa um traço mais longo,               &lt;br /&gt;Parece a vida comprida. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Quando a vida é recheada              &lt;br /&gt;Com os tons que dá o amor,               &lt;br /&gt;Parece que ganha vida               &lt;br /&gt;A obra que fez o pintor.               &lt;br /&gt;E se a obra é perfeita,               &lt;br /&gt;O artista é Nosso Senhor. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Se me toca a aquarela              &lt;br /&gt;Depois que ela fica pronta.               &lt;br /&gt;Mais me toca é o processo,               &lt;br /&gt;Quando vejo, ponta a ponta.               &lt;br /&gt;Primeiro, o romper da vida               &lt;br /&gt;Do pincel tocando a ponta. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;O entremeio é bonito.              &lt;br /&gt;Nele a gente faz nascer,               &lt;br /&gt;Se o amor é permitido,               &lt;br /&gt;Ou então deixa morrer.               &lt;br /&gt;Mas, se é compartilhado,               &lt;br /&gt;Faz a vida florescer. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;A vida é esta pintura,              &lt;br /&gt;Obra de todo sujeito,               &lt;br /&gt;Que é dono do pincel,               &lt;br /&gt;Mas que não pensa direito,               &lt;br /&gt;Achando que cada traço               &lt;br /&gt;Vem direto de seu peito. &lt;/p&gt;            &lt;p align="center"&gt;Só Deus apruma o teu punho,              &lt;br /&gt;Nessa arte de pintar.               &lt;br /&gt;É coisa que se aprende,               &lt;br /&gt;Se deixar Deus ensinar,               &lt;br /&gt;E, se não deixa, sai torto,               &lt;br /&gt;Não aprende a desenhar.&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4790597814934074671?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4790597814934074671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/poesia-aquarela-da-vida-e-as-cores-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4790597814934074671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4790597814934074671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/12/poesia-aquarela-da-vida-e-as-cores-que.html' title='Poesia: A Aquarela da Vida e as Cores que a Vida Tem.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/--b5KlAnAq_k/TuAPOYP5EJI/AAAAAAAAALo/H69yjNRxq4o/s72-c/01%25255B12%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5203248454570165256</id><published>2011-09-06T23:59:00.001-03:00</published><updated>2011-09-06T23:59:54.006-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Adeus, doce França.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Adeus, doce França&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Lins do Rego&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Volto hoje às minhas criaturas, aos rudes homens do cangaço, às mulheres, aos sertanejos castigados, às terras tostadas de sol e tintas de sangue, ao mundo fabuloso do meu romance, já no meio do caminho.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Os dias de França me deram uma sensação de pausa, de espanto, de novos contactos sonhados desde menino. Vi terras por onde andaram os doze pares de França, os heróis do meu Carlos Magno, lido e relido como história de Trancoso. Vi terras do sul, o mar Mediterrâneo, o mar da história, o mar dos gregos, dos egípcios, dos fenícios, dos romanos. Mas o nordestino tinha que voltar à sua realidade, à realidade maior que a história do mundo, isto é, à história dos seus homens, dos cangaceiros brutais, carregados de vida bárbara, de instintos cruéis de uma força, porém, que não se extingue nunca, porque é a energia de uma raça de homens mais duros do que as pedras dos seus lajedos.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Volto aos &amp;quot;Cangaceiros&amp;quot; e desde logo tudo o que vi e senti se refugia no fundo da sensibilidade, para que a narrativa corra, como em leito de rio que a estiagem secara, mas que as águas novas enchem, outra vez, de correntezas.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Volto ao terrível Aparício que mata igual a um flagelo de Deus, ao monstruoso Negro Vicente, ao triste Bentinho, ao místico Domício, aos umbuzeiros carregados de frutos, aos mandacarus de floração de sangue, aos cantadores de estrada, às mulheres sofredoras, às noites de lua, aos tiroteios, ao crime e ao amor, à poesia barbaresca e vigorosa de um povo que é maior do que a terra que o criou.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Volto contente e disposto a tudo.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Adeus, doce França. Agora os espinhos me arranham o corpo e as tristezas me cortam a alma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;O texto acima foi extraído do livro &amp;quot;O Melhor da Crônica Brasileira&amp;quot;, José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1997, pág. 33.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: releituras.com)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5203248454570165256?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5203248454570165256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/09/cronica-adeus-doce-franca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5203248454570165256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5203248454570165256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/09/cronica-adeus-doce-franca.html' title='Crônica: Adeus, doce França.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1193878596238020270</id><published>2011-07-11T05:15:00.001-03:00</published><updated>2011-07-11T05:33:46.857-03:00</updated><title type='text'>Poesia: A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Capa do folheto &amp;quot;Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho&amp;quot;." border="0" alt="Capa do folheto &amp;quot;Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho&amp;quot;." src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O%20Rascunho/04.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Firmino Teixeira do Amaral&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div align="center"&gt;   &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="2" width="422" align="center"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="218"&gt;           &lt;p align="left"&gt;Apreciem, meus leitores,              &lt;br /&gt;Uma forte discussão,               &lt;br /&gt;Que tive com Zé Pretinho,               &lt;br /&gt;Um cantador do sertão,               &lt;br /&gt;O qual, no tanger do verso,               &lt;br /&gt;Vencia qualquer questão.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Um dia, determinei              &lt;br /&gt;A sair do Quixadá —               &lt;br /&gt;Uma das belas cidades               &lt;br /&gt;Do estado do Ceará               &lt;br /&gt;Fui até o Piauí               &lt;br /&gt;Ver os cantores de lá.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Me hospedei na Pimenteira,              &lt;br /&gt;Depois em Alagoinha;               &lt;br /&gt;Cantei no Campo Maior               &lt;br /&gt;No Angico e na Baixinha               &lt;br /&gt;De lá tive um convite               &lt;br /&gt;Para cantar na Varzinha.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Quando cheguei na Varzinha,              &lt;br /&gt;Foi de manhã bem cedinho;               &lt;br /&gt;Então, o dono da casa               &lt;br /&gt;Me perguntou sem carinho:               &lt;br /&gt;— Cego, você não tem medo               &lt;br /&gt;Da fama de Zé Pretinho?&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Eu lhe disse: — Não, senhor,              &lt;br /&gt;Mas da verdade eu não zombo!               &lt;br /&gt;Mande chamar esse preto,               &lt;br /&gt;Que eu quero dar-lhe um tombo —               &lt;br /&gt;Ele chegando, um de nós               &lt;br /&gt;Hoje há de arder o lombo!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;O dono da casa disse:              &lt;br /&gt;Zé Preto, pelo comum,               &lt;br /&gt;Dá em dez ou vinte cegos —               &lt;br /&gt;Quanto mais sendo só um!               &lt;br /&gt;Mando já ao Tucumanzeiro               &lt;br /&gt;Chamar o Zé do Tucum.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Chamando um dos filhos, disse:              &lt;br /&gt;— Meu filho, você vá já               &lt;br /&gt;Dizer ao José Pretinho               &lt;br /&gt;Que desculpe eu não ir lá —               &lt;br /&gt;E que ele, como sem falta,               &lt;br /&gt;Hoje à noite venha cá.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Em casa do tal Pretinho              &lt;br /&gt;Foi chegando o portador,               &lt;br /&gt;E dizendo: — Lá em casa               &lt;br /&gt;Tem um cego cantador               &lt;br /&gt;E meu pai manda dizer-lhe               &lt;br /&gt;Que vá tirar-lhe o calor!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Zé Pretinho respondeu:              &lt;br /&gt;— Bom amigo é quem avisa!               &lt;br /&gt;Menino, dizei ao cego               &lt;br /&gt;Que vá tirando a camisa,               &lt;br /&gt;Mande benzer logo o lombo,               &lt;br /&gt;Porque vou dar-lhe uma pisa!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Tudo zombava de mim              &lt;br /&gt;E eu ainda não sabia               &lt;br /&gt;Se o tal do Zé Pretinho               &lt;br /&gt;Vinha para a cantoria.               &lt;br /&gt;Às cinco horas da tarde,               &lt;br /&gt;Chegou a cavalaria.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;O preto vinha na frente,              &lt;br /&gt;Todo vestido de branco,               &lt;br /&gt;Seu cavalo encapotado,               &lt;br /&gt;Com o passo muito franco.               &lt;br /&gt;Riscaram de uma só vez,               &lt;br /&gt;Todos no primeiro arranco.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Saudaram o dono da casa              &lt;br /&gt;Todos com muita alegria,               &lt;br /&gt;E o velhote, satisfeito,               &lt;br /&gt;Folgava alegre e sorria.               &lt;br /&gt;Vou dar o nome do povo               &lt;br /&gt;Que veio pra cantoria:&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Vieram o capitão Duda,              &lt;br /&gt;Tonheiro, Pedro Galvão,               &lt;br /&gt;Augusto Antônio Feitosa,               &lt;br /&gt;Francisco Manuel Simão,               &lt;br /&gt;Senhor José Campineiro,               &lt;br /&gt;Tadeu e Pedro Aragão.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;O José das Cabeceiras              &lt;br /&gt;E seu Manoel Casado,               &lt;br /&gt;Chico Lopes, Pedro Rosa               &lt;br /&gt;E o Manoel Bronzeado,               &lt;br /&gt;Antônio Lopes de Aquino               &lt;br /&gt;E um tal de Pé-Furado.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Amadeu, Fábio Fernandes,              &lt;br /&gt;Samuel e Jeremias,               &lt;br /&gt;O senhor Manoel Tomás,               &lt;br /&gt;Gonçalo, João Ananias,               &lt;br /&gt;E veio o vigário velho,               &lt;br /&gt;Cura de Três Freguesias.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Foi dona Merandolina,              &lt;br /&gt;Do grêmio das professoras,               &lt;br /&gt;Levando suas duas filhas,               &lt;br /&gt;Bonitas, encantadoras —               &lt;br /&gt;Essas eram da igreja               &lt;br /&gt;As mais exímias cantoras.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Foi também Pedro Martins,              &lt;br /&gt;Alfredo e José Raimundo,               &lt;br /&gt;Senhor Francisco Palmeira,               &lt;br /&gt;João Sampaio e Facundo               &lt;br /&gt;E um grupo de rapazes               &lt;br /&gt;Do batalhão vagabundo.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Levaram o negro pra sala              &lt;br /&gt;E depois para a cozinha;               &lt;br /&gt;Lhe ofereceram um jantar               &lt;br /&gt;De doce, queijo e galinha —               &lt;br /&gt;Para mim, veio um café               &lt;br /&gt;E uma magra bolachinha.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Depois, trouxeram o negro,              &lt;br /&gt;Colocaram no salão,               &lt;br /&gt;Assentado num sofá,               &lt;br /&gt;Com a viola na mão,               &lt;br /&gt;Junto duma escarradeira,               &lt;br /&gt;Para não cuspir no chão.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Ele tirou a viola              &lt;br /&gt;Dum saco novo de chita,               &lt;br /&gt;E cuja viola estava               &lt;br /&gt;Toda enfeitada de fita.               &lt;br /&gt;Ouvi as moças dizendo:               &lt;br /&gt;— Oh, que viola bonita!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Então, para eu me sentar,              &lt;br /&gt;Botaram um pobre caixão,               &lt;br /&gt;Já velho, desmantelado,               &lt;br /&gt;Desses que vêm com sabão.               &lt;br /&gt;Eu sentei-me, ele vergou               &lt;br /&gt;E me deu um beliscão.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Eu tirei a rabequinha              &lt;br /&gt;De um pobre saco de meia,               &lt;br /&gt;Um pouco desconfiado               &lt;br /&gt;Por está em terra alheia.               &lt;br /&gt;Aí umas moças disseram:               &lt;br /&gt;— Meu Deus, que rabeca feia!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Um disse a Zé Pretinho:              &lt;br /&gt;— A roupa do cego é suja!               &lt;br /&gt;Botem três guardas na porta,               &lt;br /&gt;Para que ele não fuja.               &lt;br /&gt;Cego feio, assim de óculos,               &lt;br /&gt;Só parece uma coruja!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;E disse o capitão Duda,              &lt;br /&gt;Como homem mui sensato:               &lt;br /&gt;— Vamos fazer uma bolsa!               &lt;br /&gt;Botem dinheiro no prato —               &lt;br /&gt;Que é o mesmo que botar               &lt;br /&gt;Manteiga em venta de gato!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Disse mais: — Eu quero ver              &lt;br /&gt;Pretinho espalhar os pés!               &lt;br /&gt;E para os dois contendores               &lt;br /&gt;Tirei setenta mil réis,               &lt;br /&gt;Mas vou completar oitenta —               &lt;br /&gt;Da minha parte, dou dez!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Me disse o capitão Duda:              &lt;br /&gt;— Cego, você não estranha!               &lt;br /&gt;Este dinheiro do prato,               &lt;br /&gt;Eu vou lhe dizer quem ganha:               &lt;br /&gt;Só pertence ao vencedor —               &lt;br /&gt;Nada leva quem apanha!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;E nisto as moças disseram:              &lt;br /&gt;— Já tem oitenta mil réis,               &lt;br /&gt;Porque o bom capitão Duda,               &lt;br /&gt;Da parte dele, deu dez…               &lt;br /&gt;Se acostaram a Zé Pretinho,               &lt;br /&gt;Botaram mais três anéis.&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Então disse Zé Pretinho:              &lt;br /&gt;— De perder não tenho medo!               &lt;br /&gt;Esse cego apanha logo —               &lt;br /&gt;Falo sem pedir segredo!               &lt;br /&gt;Como tenho isto por certo,               &lt;br /&gt;Vou pondo os anéis no dedo...&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Afinemos o instrumento,              &lt;br /&gt;Entremos na discussão!               &lt;br /&gt;O meu guia disse a mim:               &lt;br /&gt;— O negro parece o Cão!               &lt;br /&gt;Tenha cuidado com ele,               &lt;br /&gt;Quando entrarem na questão!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Então eu disse: — Seu Zé,              &lt;br /&gt;Sei que o senhor tem ciência —               &lt;br /&gt;Me parece que é dotado               &lt;br /&gt;Da Divina Providência!               &lt;br /&gt;Vamos saudar este povo,               &lt;br /&gt;Com sua justa excelência!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Sai daí, cego amarelo,               &lt;br /&gt;Cor de couro de toucinho!               &lt;br /&gt;Um cego da tua forma               &lt;br /&gt;Chama-se abusa-vizinho —               &lt;br /&gt;Aonde eu botar os pés,               &lt;br /&gt;Cego não bota o focinho!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Já vi que seu Zé Pretinho               &lt;br /&gt;É um homem sem ação —               &lt;br /&gt;Como se maltrata o outro               &lt;br /&gt;Sem haver alteração?!...               &lt;br /&gt;Eu pensava que o senhor               &lt;br /&gt;Tinha outra educação!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Esse cego bruto, hoje,               &lt;br /&gt;Apanha, que fica roxo!               &lt;br /&gt;Cara de pão de cruzado,               &lt;br /&gt;Testa de carneiro mocho —               &lt;br /&gt;Cego, tu és o bichinho,               &lt;br /&gt;Que comendo vira o cocho!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Seu José, o seu cantar               &lt;br /&gt;Merece ricos fulgores;               &lt;br /&gt;Merece ganhar na sala               &lt;br /&gt;Rosas e trovas de amores —               &lt;br /&gt;Mais tarde, as moças lhe dão               &lt;br /&gt;Bonitas palmas de flores!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cego, eu creio que tu és               &lt;br /&gt;Da raça do sapo sunga!               &lt;br /&gt;Cego não adora a Deus —               &lt;br /&gt;O deus do cego é calunga!               &lt;br /&gt;Aonde os homens conversam,               &lt;br /&gt;O cego chega e resmunga!&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="202"&gt;           &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Zé Preto, não me aborreço               &lt;br /&gt;Com teu cantar tão ruim!               &lt;br /&gt;Um homem que canta sério               &lt;br /&gt;Não trabalha verso assim —               &lt;br /&gt;Tirando as faltas que tem,               &lt;br /&gt;Botando em cima de mim!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cala-te, cego ruim!               &lt;br /&gt;Cego aqui não faz figura!               &lt;br /&gt;Cego, quando abre a boca,               &lt;br /&gt;É uma mentira pura —               &lt;br /&gt;O cego, quanto mais mente,               &lt;br /&gt;Ainda mais sustenta e jura!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Esse negro foi escravo,               &lt;br /&gt;Por isso é tão positivo!               &lt;br /&gt;Quer ser, na sala de branco,               &lt;br /&gt;Exagerado e altivo —               &lt;br /&gt;Negro da canela seca               &lt;br /&gt;Todo ele foi cativo!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Eu te dou uma surra               &lt;br /&gt;De cipó de urtiga,               &lt;br /&gt;Te furo a barriga,               &lt;br /&gt;Mais tarde tu urra!               &lt;br /&gt;Hoje, o cego esturra,               &lt;br /&gt;Pedindo socorro —               &lt;br /&gt;Sai dizendo: — Eu morro!               &lt;br /&gt;Meu Deus, que fadiga!               &lt;br /&gt;Por uma intriga,               &lt;br /&gt;Eu de medo corro!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Se eu der um tapa               &lt;br /&gt;No negro de fama,               &lt;br /&gt;Ele come lama,               &lt;br /&gt;Dizendo que é papa!               &lt;br /&gt;Eu rompo-lhe o mapa,               &lt;br /&gt;Lhe rompo de espora;               &lt;br /&gt;O negro hoje chora,               &lt;br /&gt;Com febre e com íngua —               &lt;br /&gt;Eu deixo-lhe a língua               &lt;br /&gt;Com um palmo de fora!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — No sertão, peguei               &lt;br /&gt;Cego malcriado —               &lt;br /&gt;Danei-lhe o machado,               &lt;br /&gt;Caiu, eu sangrei!               &lt;br /&gt;O couro eu tirei               &lt;br /&gt;Em regra de escala:               &lt;br /&gt;Espichei na sala,               &lt;br /&gt;Puxei para um beco               &lt;br /&gt;E, depois de seco,               &lt;br /&gt;Fiz mais de uma mala!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Negro, és monturo,               &lt;br /&gt;Molambo rasgado,               &lt;br /&gt;Cachimbo apagado,               &lt;br /&gt;Recanto de muro!               &lt;br /&gt;Negro sem futuro,               &lt;br /&gt;Perna de tição,               &lt;br /&gt;Boca de porão,               &lt;br /&gt;Beiço de gamela,               &lt;br /&gt;Vento de moela,               &lt;br /&gt;Moleque ladrão!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Vejo a coisa ruim —               &lt;br /&gt;O cego está danado!               &lt;br /&gt;Cante moderado,               &lt;br /&gt;Que não quero assim!               &lt;br /&gt;Olhe para mim,               &lt;br /&gt;Que sou verdadeiro,               &lt;br /&gt;Sou bom companheiro —               &lt;br /&gt;Canto sem maldade               &lt;br /&gt;E quero a metade,               &lt;br /&gt;Cego, do dinheiro!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Nem que o negro seque               &lt;br /&gt;A engolideira,               &lt;br /&gt;Peça a noite inteira               &lt;br /&gt;Que eu não lhe abeque —               &lt;br /&gt;Mas esse moleque               &lt;br /&gt;Hoje dá pinote!               &lt;br /&gt;Boca de bispote,               &lt;br /&gt;Vento de boeiro,               &lt;br /&gt;Tu queres dinheiro?               &lt;br /&gt;Eu te dou chicote!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cante mais moderno,               &lt;br /&gt;Perfeito e bonito,               &lt;br /&gt;Como tenho escrito               &lt;br /&gt;Cá no meu caderno!               &lt;br /&gt;Sou seu subalterno,               &lt;br /&gt;Embora estranho —               &lt;br /&gt;Creio que apanho               &lt;br /&gt;E não dou um caldo...               &lt;br /&gt;Lhe peço, Aderaldo,               &lt;br /&gt;Que reparta o ganho!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Negro é raiz               &lt;br /&gt;Que apodreceu,               &lt;br /&gt;Casco de judeu!               &lt;br /&gt;Moleque infeliz,               &lt;br /&gt;Vai pra teu país,               &lt;br /&gt;Se não eu te surro,               &lt;br /&gt;Te dou até de murro,               &lt;br /&gt;Te tiro o regalo —               &lt;br /&gt;Cara de cavalo,               &lt;br /&gt;Cabeça de burro!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Fale de outro jeito,               &lt;br /&gt;Com melhor agrado —               &lt;br /&gt;Seja delicado,               &lt;br /&gt;Cante mais perfeito!               &lt;br /&gt;Olhe, eu não aceito               &lt;br /&gt;Tanto desespero!               &lt;br /&gt;Cantemos maneiro,               &lt;br /&gt;Com verso capaz —               &lt;br /&gt;Façamos a paz               &lt;br /&gt;E parto o dinheiro!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Negro careteiro,               &lt;br /&gt;Eu te rasgo a giba,               &lt;br /&gt;Cara de gariba,               &lt;br /&gt;Pajé feiticeiro!               &lt;br /&gt;Queres o dinheiro,               &lt;br /&gt;Barriga de angu,               &lt;br /&gt;Barba de guandu,               &lt;br /&gt;Camisa de saia,               &lt;br /&gt;Te deixo na praia,               &lt;br /&gt;Escovando urubu!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Eu vou mudar de toada,               &lt;br /&gt;Pra uma que mete medo —               &lt;br /&gt;Nunca encontrei cantador               &lt;br /&gt;Que desmanchasse este enredo:               &lt;br /&gt;É um dedo, é um dado, é um dia,               &lt;br /&gt;É um dia, é um dado, é um dedo!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Zé Preto, esse teu enredo               &lt;br /&gt;Te serve de zombaria!               &lt;br /&gt;Tu hoje cegas de raiva               &lt;br /&gt;E o Diabo será teu guia —               &lt;br /&gt;É um dia, é um dedo, é um dado,               &lt;br /&gt;É um dado, é um dedo, é um dia!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cego, respondeste bem,               &lt;br /&gt;Como quem fosse estudado!               &lt;br /&gt;Eu também, da minha parte,               &lt;br /&gt;Canto versos aprumado —               &lt;br /&gt;É um dado, é um dia, é um dedo,               &lt;br /&gt;É um dedo, é um dia, é um dado!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Vamos lá, seu Zé Pretinho,               &lt;br /&gt;Porque eu já perdi o medo:               &lt;br /&gt;Sou bravo como um leão,               &lt;br /&gt;Sou forte como um penedo               &lt;br /&gt;É um dedo, é um dado, é um dia,               &lt;br /&gt;É um dia, é um dado, é um dedo!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cego, agora puxa uma               &lt;br /&gt;Das tuas belas toadas,               &lt;br /&gt;Para ver se essas moças               &lt;br /&gt;Dão algumas gargalhadas —               &lt;br /&gt;Quase todo o povo ri,               &lt;br /&gt;Só as moças 'tão caladas!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Amigo José Pretinho,               &lt;br /&gt;Eu nem sei o que será               &lt;br /&gt;De você depois da luta —               &lt;br /&gt;Você vencido já está!               &lt;br /&gt;Quem a paca cara compra               &lt;br /&gt;Paca cara pagará!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cego, eu estou apertado,               &lt;br /&gt;Que só um pinto no ovo!               &lt;br /&gt;Estás cantando aprumado               &lt;br /&gt;E satisfazendo o povo —               &lt;br /&gt;Mas esse tema da paca,               &lt;br /&gt;Por favor, diga de novo!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Disse uma vez, digo dez —               &lt;br /&gt;No cantar não tenho pompa!               &lt;br /&gt;Presentemente, não acho               &lt;br /&gt;Quem o meu mapa me rompa —               &lt;br /&gt;Paca cara pagará,               &lt;br /&gt;Quem a paca cara compra!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Cego, teu peito é de aço —               &lt;br /&gt;Foi bom ferreiro que fez —               &lt;br /&gt;Pensei que cego não tinha               &lt;br /&gt;No verso tal rapidez!               &lt;br /&gt;Cego, se não é maçada,               &lt;br /&gt;Repete a paca outra vez!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;C.&lt;/strong&gt; — Arre! Que tanta pergunta               &lt;br /&gt;Desse preto capivara!               &lt;br /&gt;Não há quem cuspa pra cima,               &lt;br /&gt;Que não lhe caia na cara —               &lt;br /&gt;Quem a paca cara compra               &lt;br /&gt;Pagará a paca cara!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;P.&lt;/strong&gt; — Agora, cego, me ouça:               &lt;br /&gt;Cantarei a paca já —               &lt;br /&gt;Tema assim é um borrego               &lt;br /&gt;No bico de um carcará!               &lt;br /&gt;Quem a caca cara compra,               &lt;br /&gt;Caca caca cacará!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Houve um trovão de risadas,              &lt;br /&gt;Pelo verso do Pretinho.               &lt;br /&gt;Capitão Duda lhe disse               &lt;br /&gt;— Arreda pra lá, negrinho!               &lt;br /&gt;Vai descansar o juízo,               &lt;br /&gt;Que o cego canta sozinho!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Ficou vaiado o pretinho              &lt;br /&gt;E eu lhe disse: — Me ouça,               &lt;br /&gt;José: quem canta comigo               &lt;br /&gt;Pega devagar na louça!               &lt;br /&gt;Agora, o amigo entregue               &lt;br /&gt;O anel de cada moça!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Me desculpe, Zé Pretinho,              &lt;br /&gt;Se não cantei a teu gosto!               &lt;br /&gt;Negro não tem pé, tem gancho;               &lt;br /&gt;Tem cara, mas não tem rosto —               &lt;br /&gt;Negro na sala dos brancos               &lt;br /&gt;Só serve pra dar desgosto!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;Quando eu fiz estes versos,              &lt;br /&gt;Com a minha rabequinha,               &lt;br /&gt;Busquei o negro na saia,               &lt;br /&gt;Mas já estava na cozinha —               &lt;br /&gt;De volta, queria entrar               &lt;br /&gt;Na porta da camarinha!&lt;/p&gt;            &lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p align="justify"&gt;(fonte: Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho dos Tucuns. &lt;strong&gt;Jornal de Poesia&lt;/strong&gt;, Fortaleza, 13 de junho de 1996. Disponível em: &amp;lt;&lt;a title="http://www.revista.agulha.nom.br/fi01.html" href="http://www.revista.agulha.nom.br/fi01.html" target="_blank"&gt;http://www.revista.agulha.nom.br/fi01.html&lt;/a&gt;&amp;gt;. Acesso em: 10 de julho de 2011.)&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Comentário: Um grande amigo campos-salense havia-me falado da qualidade dessa famosa peleja, envolvendo o nosso conterrâneo Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo, e o cantador piauiense Zé Pretinho, figura mítica. Conversei com Jackson Morais, o amigo, sobre ser o adversário de peleja do Cego uma personagem fictícia, obra da imaginação do cunhado do poeta cratense, que é do Piauí e se chama Firmino Teixeira do Amaral. Em uma pesquisa rápida na Internet, consultando o que achava no &lt;em&gt;São Google&lt;/em&gt;, descobri que, de fato, Zé Pretinho nunca existiu e, por conseguinte, nunca houve a peleja; foi tudo criação de Firmino. Os versos foram, por muito tempo, atribuídos a Cego Aderaldo, que jamais tratou de desmentir, assumindo a autoria. No derradeiro de sua vida, o vate cratense chegou a pedir desculpas à comunidade negra por conta de alguns versos &lt;em&gt;politicamente incorretos&lt;/em&gt; de sua peleja (em verdade, de Firmino). O verdadeiro autor dessa pega nasceu em 1886, em Bezerro Morto, no município de Amarração, hoje Luís Correia, e faleceu em Parnaíba, no ano de 1926. Firmino era jornalista e foi considerado um dos maiores cordelistas brasileiros de todos os tempos. Segundo estudiosos da Poesia Popular Nordestina, esse poeta piauiense foi o primeiro que engastou o trava-língua na poesia popular. Também criou os gêneros &lt;em&gt;Parcela&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Desmanches&lt;/em&gt; e, por sua importante contribuição à poesia, é tido por muitos como o mais brilhante poeta popular do Piauí. Ele, certamente, é o maior responsável pela mitificação da figura do poeta Cego Aderaldo, atribuindo-lhe diversas pelejas fictícias, tal como histórias e romances. O cordel “A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum” foi escrito por volta de 1916 e é o mais famoso de Firmino. Segundo o que se conta, o cunhado do Cego havia escrito o folheto, publicado em 23 e atribuído a autoria ao parente, que estava doente e, portanto, impossibilitado de obter sustento com sua arte. Vale lembrar que a repercussão desse folheto foi enorme: o poema foi tema de estudos na Universidade de Paris (Sorbonne), chegou a ser gravado por João do Vale e Nara Leão, no álbum &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt;, e é lembrado na canção &lt;em&gt;Cego Aderaldo&lt;/em&gt;, de João Silva e Maranguape, interpretada por Luiz Gonzaga, que nela canta o famosíssimo trava-língua “Quem a paca cara compra paca cara pagará”.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Sobre o poeta Cego Aderaldo, leia-se este trecho do livro “Eu Sou o Cego Aderaldo”, da editora Maltese, São Paulo, 1994:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo, nasceu no dia 24 de junho de 1878 na cidade do Crato — CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado. Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho. Quinze dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896), quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar. Mais tarde começou a tocar rabeca. Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando. Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero. Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido — feito em versos — de ter um revólver do cangaceiro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar. Logo depois, em 1933, teve a idéia [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;] de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio a abrir uma bodega na Rua da Bomba, No. 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores. E, na medida em que a serenidade, que só o tempo trás [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;] ao homem, começou a dificultar as disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a alma. Cego Aderaldo nunca se casou e diz nunca ter tido vontade, mas costumava ter uma vida de chefe de família pois criou 24 meninos.”&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Caso o leitor, insatisfeito, queira ainda mais informações sobre o poeta cratense, há muito que ser lido no excelente Jornal de Poesia, hospedado no portal da Revista Agulha. O endereço é este: &lt;a title="http://www.revista.agulha.nom.br/cego.html" href="http://www.revista.agulha.nom.br/cego.html" target="_blank"&gt;http://www.revista.agulha.nom.br/cego.html&lt;/a&gt;.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Findo por aqui o comentário desta postagem, que foi um pouco mais extenso do que o habitual porque (ora!) o Cego Aderaldo é do Crato! [&lt;em&gt;rs.&lt;/em&gt;]&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1193878596238020270?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1193878596238020270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/07/poesia-peleja-do-cego-aderaldo-com-ze.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1193878596238020270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1193878596238020270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/07/poesia-peleja-do-cego-aderaldo-com-ze.html' title='Poesia: A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O%20Rascunho/th_04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6392461036828690729</id><published>2011-01-30T04:30:00.001-03:00</published><updated>2011-01-30T22:43:16.212-03:00</updated><title type='text'>Artigo: Bárbara de Alencar, a primeira presidente no Brasil</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Bárbara de Alencar, a primeira presidente no Brasil      &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;    &lt;br /&gt;&lt;em&gt;André Alves - 2/1/2011 - 20h44&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;  &lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 5px; border-right-width: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/f01.jpg" align="right" border="0" /&gt; Sábado (1), Dilma Rousseff (PT) tomou posse oficialmente como a primeira mulher presidente do Brasil. No entanto, há 250 anos, nasceu, na cidade de Exu, interior de Pernambuco, outra mulher não muito conhecida pelo grande público mas que se tornaria posteriormente a primeira presidente de uma República dentro do território nacional.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Trata-se de Bárbara de Alencar, presa em Fortaleza em 1817 por participar de movimentos em prol da independência do País e por ter liderado o movimento que proclamou a chamada República do Crato, uma extensão da Revolução Pernambucana que defendia a instituição da República no País. Apesar de ter durado apenas oito dias, a República do Crato, da qual Bárbara foi presidente, joga uma nova luz em relação ao discutível pioneirismo de Dilma. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Avó do escritor&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bárbara de Alencar mudou-se ainda adolescente para a então Vila do Crato, no Ceará, localizada no sopé da Chapada do Araripe no extremo-sul do estado e na microrregião do Cariri, próximo à divisa com Pernambuco. Ali, ela se casou com o comerciante português José Gonçalves dos Santos, com quem teve quatro filhos, entre eles Tristão de Alencar e José Martiniano de Alencar, pai do escritor José de Alencar, um dos expoentes do Romantismo brasileiro na literatura.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 5px 0px 0px; border-right-width: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/f02.jpg" align="left" border="0" /&gt; De acordo com a historiadora e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Adelaide Gonçalves, Bárbara foi uma mulher de muita fibra e coragem, além de defensora do idealismo republicano em um país então governado pela monarquia portuguesa. &amp;quot;O engajamento político dela, de certa forma, está muito ligado à movimentação política de seus filhos, principalmente de Tristão de Alencar&amp;quot;, disse Adelaide.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Movimento de emancipação&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Revolução Pernambucana de 1817, que objetivava a independência do Brasil e a proclamação da República, durou menos de três meses. Bárbara, segundo a professora, teve um papel muito importante, tanto no movimento, quanto na Confederação do Equador, em 1824.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Em 1817, ela acompanhou seus filhos José Martiniano de Alencar e Tristão de Alencar&amp;#160; no movimento de emancipação. &amp;quot;Em primeiro lugar, ela mereceu destaque por ser mulher em uma época em que as mulheres se limitavam apenas aos afazeres domésticos. Ela ousou sair do espaço privado para o protagonismo político.&amp;quot; Outro ponto ressaltado por Adelaide é que Bárbara esteve à frente do movimento, em relação à propagação das ideias. &amp;quot;Era tida como uma subversiva&amp;quot;, afirmou.&amp;#160; &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 5px; border-right-width: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/f03.jpg" align="right" border="0" /&gt; Crato ganhou destaque por ser a única localidade cearense que aderiu ao movimento libertador de Pernambuco em 1817. Bárbara de Alencar, ao lado de seus filhos e outras lideranças, sublevaram a população e proclamaram no local a República do Crato, que teve a duração de apenas oito dias. A presidência da nova república foi conferida a ela. Para a professora, apesar de curto, não se deve julgar a eficácia e a legitimidade de um movimento pela sua duração. &amp;quot;Eles estavam à frente no tempo, por se insurgirem contra as razões dominantes.&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cela subterrânea&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Restaurado o governo monárquico, as lideranças do movimento foram presas. Entre elas estava Bárbara, considerada a primeira presa política do Brasil. Cerca de 150 anos depois, isso também ocorreria com a presidente Dilma Rousseff durante o regime militar.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Bárbara foi levada para uma minúscula cela subterrânea da Fortaleza de Nossa Senhora do Assunção,&amp;#160; localizada à margem esquerda da foz do riacho Pajeú, sobre o monte Marajaitiba, na cidade de Fortaleza, onde atualmente está instalada a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro. O local, aberto à visitação, ostenta uma placa de metal com a inscrição: &amp;quot;Aqui gemeu longos dias D. Bárbara de Alencar, víctima em 1817 da tyrannia do governador Sampaio&amp;quot;.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;No total, ela ficou detida por quatro anos, em Fortaleza, Recife e Salvador. Só ganhou a liberdade pelo ato de anistia geral de novembro de 1821. Três anos depois, seus três filhos homens entraram na luta da Confederação do Equador. Dois deles morreram.&amp;#160; &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 5px 0px 0px; border-right-width: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/f04.jpg" align="left" border="0" /&gt; Bárbara morreu em 28 de agosto de 1832, na fazenda Alecrim, no&amp;#160; Piauí,&amp;#160; e foi&amp;#160; sepultada em Poço Pedras, hoje Campos Sales. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Memória &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A historiadora considera que Bárbara de Alencar de fato foi a primeira presidente mulher dentro de uma República instalada no território brasileiro.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Mas na opinião de Adelaide, uma vez que, &amp;quot;do ponto de vista histórico formal, a República só foi proclamada em 1889, é preciso ter muito cuidado com a história, já que o movimento de 1817 estava circunscrito a uma determinada região do País&amp;quot;. Entretanto, a professora admite a importância de Bárbara e do trabalho de recuperação de sua memória.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&amp;quot;Infelizmente, apesar de toda essa relevância, ela teve uma história quase invisível&amp;quot;, concluiu Adelaide.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: Alves, A. Bárbara de Alencar, a primeira presidente no Brasil. &lt;strong&gt;Diário do Comércio&lt;/strong&gt;, São Paulo, 2 de janeiro de 2011. Disponível em: &lt;a title="http://www.dcomercio.com.br/" href="http://www.dcomercio.com.br/"&gt;&amp;lt;http://www.dcomercio.com.br/&lt;/a&gt;&amp;gt;. Acesso em: 7 de janeiro de 2011.)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comentário: Bom, acho que apenas o jornal cearense &lt;em&gt;O Povo&lt;/em&gt;, por meio de texto de leitor publicado na versão &lt;em&gt;on-line&lt;/em&gt; desse periódico, tratou do assunto primeira presidente no Brasil, com referência, obviamente, a Bárbara de Alencar. Surpreende-me, entanto, que um jornal paulista, o &lt;em&gt;Diário do Comércio&lt;/em&gt;, trate, dedicando uma página inteira (leia a versão impressa &lt;a href="http://issuu.com/diario_do_comercio/docs/030111/1" target="_blank"&gt;neste linque&lt;/a&gt;), de assunto que deveria, por motivos óbvios, ter sido mais ventilado por estas bandas. Não temo dizer que li, com algum orgulho, a referência bem precisa que se fez à República do Crato, por mais que tenha sido efêmera e, para a historiografia “formal”, como disse a prof.ª Adelaide Gonçalves, tenha sido um caso “circunscrito a uma determinada região do País”. Essa matéria fez-me lembrar da manhã do dia 3 de maio de 2007, quando ouvi, no Jornal de Vicelmo, da Rádio Educadora do Cariri, a referência ao aniversário de 190 anos da proclamação da República do Crato. Não lembro, &lt;em&gt;ipsis verbis&lt;/em&gt;, o discurso do radialista; tenho, entanto, a impressão de que foi dito, naquela voz singularíssima de Vicelmo, algo semelhante a “Em 3 de maio de 1817, o diácono José Martiniano de Alencar, de batina e roquete, subiu ao púlpito da Matriz de Crato e proclamou a Independência e a República”. Então não sabia desse fato; estranhei bastante que o nosso Crato já tivesse sido proclamado independente e, de quebra, passasse a ser a República do Crato. Lembro ter comentado com os colegas estudantes, que, incrédulos, me diziam que estava de brincadeira e que o que eu havia escutado era potoca. No entanto, no mesmo dia, já de volta a casa, pude pesquisar sobre o assunto (obviamente não fiz isso por duvidar do que foi informado) e pude colher ainda mais informações sobre o fato, como, por exemplo, as circunstâncias da proclamação. Perceberam então os colegas a seriedade do assunto e, vendo eu a surpresa no cenho deles, tratei de não esticar o papo.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6392461036828690729?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6392461036828690729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/01/artigo-barbara-de-alencar-primeira.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6392461036828690729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6392461036828690729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/01/artigo-barbara-de-alencar-primeira.html' title='Artigo: Bárbara de Alencar, a primeira presidente no Brasil'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_f01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1227253343449061408</id><published>2011-01-14T03:20:00.001-03:00</published><updated>2011-01-14T03:20:23.821-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Os Amantes.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Os Amantes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Rubem Braga&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando. Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado até que o aparelho silenciasse.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos era toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um estrondo distante de bondes, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador. Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos, quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo estaria invadido.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade, devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho; o relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas; mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos jamais.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois, e o milagre se repetia tão quieto e perfeito como se fosse ser assim eternamente.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar seus olhares, dizer suas coisas, ferir com sua maldade ou sua tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais, nunca mais haverá.&amp;#160; &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios; que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho?&amp;#160; &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia 10, 15 vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez, experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro. Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de seus cabelos, se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde se filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento, lento bailado.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam?     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Houve um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei 5 quilos, o homem fez um grande embrulho de jornal; voltei carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta, e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e o nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isso num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo não os via assim, em plena luz), um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Julho, 1952&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;(fonte: crônica extraída do livro “200 crônicas escolhidas”, 2.ª ed., Rio de Janeiro: Record, 1978.)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1227253343449061408?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1227253343449061408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/01/cronica-os-amantes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1227253343449061408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1227253343449061408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2011/01/cronica-os-amantes.html' title='Crônica: Os Amantes.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-3146073529867928897</id><published>2010-10-11T12:42:00.001-03:00</published><updated>2010-11-30T20:25:56.314-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Sobre gramática, língua e preconceito linguístico.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Voltando às atividades neste blogue, trago ao visitante texto que escrevi em 26 de julho deste ano, no nosso fórum &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.soensino.com.br/foruns/viewforum.php?f=10" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Em exame ligeiro da ocorrência duma expressão muito comum, fiz questão de deixar claro quão crédulos são os estudantes caturras do Português, os que seguem os ditames seculares dos dinossauros da gramática. Trato justo da confusão que se faz quando se discutem &lt;em&gt;língua&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;gramática&lt;/em&gt;. Busco aclarar quão virtual é a língua que os mesmos dinossauros dizem ser a falada no Brasil, uma vertente petrificada do idioma, presente apenas nos clássicos de nossa Literatura e nas gramáticas escritas por esses gramáticos. O colega de fórum havia perguntado se o correto seria escrever e falar &lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;mal e parcamente&lt;/em&gt;. Perguntando sobre a correção e a frequência dessas formas, ainda teceu questão, baseada em opinião certamente atingida por preconceito linguístico. Perguntou se alguém achava que a segunda forma (&lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt;) é típica de gente do campo. Bom, esse assunto é delicado e ainda muito mal compreendido pelos que estudam o Português; é, aliás, tema muito pouco ventilado, o que o torna ainda mais preocupante. O preconceito linguístico tem de ser discutido seriamente e suas consequências têm de ser compreendidas por todos os falantes do Português. Abaixo está a resposta que escrevi ao confrade de fórum.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Prezado ***: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O exemplar, a forma tida como correta pelas gramáticas, é &lt;em&gt;mal e parcamente&lt;/em&gt;. Bom, quanto à correção e à frequência, não há muita homogeneidade, não. A forma mais alastrada, mais comum, é justamente a &amp;quot;incorreta&amp;quot; (&lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt;). Se pesquisares no &lt;em&gt;Google&lt;/em&gt; o número de entradas para uma e outra forma, verás que &lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt; é assustadoramente mais comum do que a forma defendida pelos gramáticos. Para o modelo exemplar (&lt;em&gt;mal e parcamente&lt;/em&gt;), aparecem 10.600 entradas, enquanto que, para a outra forma, a basta quantia de 371.000 entradas, ou seja, há 35 vezes mais registros da forma condenada. Será, então, que &lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt; não existe!? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tratemos agora de outro assunto: preconceito linguístico. É importante não engastar cegamente no seu papel de falante a semente daninha da defasada gramática escolar de hoje (refiro-me a todas as que tanto custam ao bolso dos estudantes do ensino básico e muito os fazem sofrer). Ninguém tem de sofrer para aprender a se comunicar, ninguém deve &lt;em&gt;sofrer a gramática&lt;/em&gt; para tanto (isso é evidente; não é papo científico, é fato palpável). Comunicação é atividade intrínseca do homem, e por isso é demonstração de ignorância acreditar que comunicar-se bem depende do bom uso de regras gramaticais. A grande confusão que se faz é confundir a língua com os ditames da gramática. Todo falante tem de ter consciência de que há variedades na língua; ninguém tem de gozar da própria ignorância falando conforme gramática que não reflete realidade alguma. Arroubos de ignorância, como negar a existência da forma &lt;em&gt;mal e porcamente&lt;/em&gt;, é tão anticientífico como acreditar obstinadamente que o homem não foi à lua, que a Terra é plana, que o nosso planeta é o centro do universo etc. Não faço apologia do vale-tudo defendido por muitos linguistas; o que não pretendo, entanto, é negar-me coisas que meus olhos veem diariamente. É importante, se não urgente, alterar o modo como se ensina gramática e o que é ensinado por ela. Não me refiro a inserir, nas gramáticas, formas estreitamente dialetais, usos próprios da fala e quejandos, até porque, como já havia dito, gramática é bem diferente de língua. Engana-se bastante quem acha que gramática é o corpo de regras que determinam como a língua é utilizada. A gramática reflete apenas parte bastante tímida da imensidão que é a língua, ou seja, mostra apenas o funcionamento da tão ventilada norma-padrão. Expressões como &lt;em&gt;falar de jacu&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;português de doméstica&lt;/em&gt; e outras aberrações têm de ser varridas das atitudes linguísticas de cada falante. A pouca consciência linguística dos falantes, associada à atitude criminosa de muitos &amp;quot;donos da língua&amp;quot;, que aparecem, com toda a verve de enganador inveterado, na mídia sedenta, é a força motriz que perpetua a situação decadente do ensino do Português no Brasil e que engasta nas mentes cativas o preconceito linguístico, talvez o mais invisível dos preconceitos. A invisibilidade talvez se justifique: quem deveria contribuir com a desmistificação do embuste que se faz da língua é justo quem mais o encobre: a mídia, que apregoa ter por honroso mister a utilidade pública, que, nestes tempos, não tem sido atitude útil e, muito menos, pública. Os linguistas sérios, que sabem plenamente da realidade do ensino do Português, estão, portanto, parcialmente manietados, no que se refere a levar esse preconceito à tona, à percepção dos brasileiros. Caso queiras, ***, saber mais do assunto, lê o livro &amp;quot;Preconceito Lingüístico — O que é, como se faz&amp;quot;, de Marcos Bagno, um dos mais incisivos combatentes desse preconceito, que, por sinal, reflete outros: social, racial etc. Então, resumindo, o recado que deixo é que devemos, sim, conhecer a norma-padrão, a língua que é chamada exemplar por Bechara, para, antes de tudo, nos libertar das teias que nos prendem apenas a pequena parte duma entidade enorme e vivaz. Precisamos compreender bem a norma-padrão para atender à necessidade de conhecimentos vários: ter acesso ao que escreveram os clássicos da Literatura, ao que consta dos livros técnicos etc. Temos, entanto, de ser suficientemente livres e sábios para compreender todos os que falam a nossa língua, e por isso é necessário que se valorizem todos os falares do brasileiro. Sejamos, portanto, &amp;quot;poliglotas dentro de nossa própria língua&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abraço. Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-3146073529867928897?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/3146073529867928897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/10/gramatica-sobre-gramatica-lingua-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3146073529867928897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3146073529867928897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/10/gramatica-sobre-gramatica-lingua-e.html' title='Gramática: Sobre gramática, língua e preconceito linguístico.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1516325271654466156</id><published>2010-07-31T05:34:00.001-03:00</published><updated>2010-07-31T15:40:01.752-03:00</updated><title type='text'>Sugestão musical: Uriah Heep - ...Very 'eavy... Very 'umble</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 5px 0px 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/UriahHeep-VeryeavyVeryumble.jpg" align="left" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Inicialmente denominada &lt;em&gt;Spice&lt;/em&gt;, a banda inglesa, no final de 1969, passa a se chamar &lt;em&gt;Uriah Heep&lt;/em&gt;, nome de uma das personagens do romance &lt;em&gt;David Copperfield&lt;/em&gt;, de Dickens. A estreia do grupo musical é arrebatadora. Quem conhece &lt;em&gt;Uriah Heep&lt;/em&gt; sabe que não me preciso estender falando da banda. O disco &lt;em&gt;...Very 'eavy ...Very 'umble&lt;/em&gt; está longe de ser o melhor álbum do grupo, mas é obra muito boa. Alguns dizem que &lt;em&gt;Uriah Heep&lt;/em&gt; é banda de roque progressivo porque, em muitas canções, há forte presença de teclados com sintetizadores, mudanças de andamento mais exóticas e que tais; não acho que seja banda suficientemente progressiva. Enquadra-se mais no grupo das bandas de &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt; sessentista mais experimentais. O álbum de estreia traz uma das mais esquisitas capas que já vi; nela está o finado vocalista David Byron, que esteve à frente da banda de 69 a 76, com a cabeça envolta por teia de aranha. A pretensão é fazer resenha musical leveira e sincera, sem os atavios enfadonhos de descrição estreitamente técnica nem os arroubos de encantamento pela obra que estacionam o raciocínio às primeiras notas. Tendo essa posição como fulcro do juízo, entro a descrever cada uma das canções. &lt;em&gt;Gypsy&lt;/em&gt; inicia o álbum muito bem, com força; os teclados começam reclamando da vida e, em seguida, o contrabaixo se intromete, com a timidez caraterística, e também começa a reclamar da vida. Depois de um tantinho, estão os dois instrumentos discutindo, batendo boca, porque a bateria 'tá dando as ordens, fazendo a marcação. No entanto, o que traz ordem ao caos são os &lt;em&gt;riffs&lt;/em&gt; fortíssimos de guitarra que, no início do segundo minuto, insinua como a música se deve desenrolar. O terreno, nesse momento, na metade do segundo minuto, está preparado para o ingresso de David Byron. Aos 2min20s começa o gozo dionisíaco de variadas experiências sonoras; o teclado fica louco, levado pela energia da marcação dos demais instrumentos, e começa um solo devasso, excessivo e inteiramente livre das peias musicais do &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt; (por isso, um tanto experimental, ou um tanto &lt;em&gt;progressivo&lt;/em&gt;, como querem alguns). Essa loucura deliciosa dura até os 4min08s de música, e, a partir desse ponto, dá-se a trégua. Aos 4min55, a música se ajusta ao (digamos) &lt;em&gt;hard progressivo&lt;/em&gt; típico (sim, o grupo apresenta traços progressivos) e continua com a marcação pesada, com a guitarra aguerrida e com os teclados soltos e danados. Aos 5min55, dá-se a experiência, uma bagunça envolvendo todos os instrumentos, e o fim caceteiro. Excelente entrada, &lt;em&gt;Gypsy&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Walking In Your Shadow&lt;/em&gt; não me impressiona, é boa canção de &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt;. Traz um bom solo de guitarra, seguido duma leveira quebra de ritmo, que é imediatamente revertido ao estado dantes. Destaque para muito bons &lt;em&gt;riffs&lt;/em&gt; de guitarra. &lt;em&gt;Come Away Melinda&lt;/em&gt; é a canção mais melodiosa do álbum, às vezes minguante, meio chorosa, mas boa. &lt;em&gt;Lucy Blues&lt;/em&gt; é tão-somente bom exemplar de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;, sem nada de especial; às vezes, a canção é comum até demais (se bem que isso é bem desse gênero musical: nele há sempre um catatau de canções parecidas). O que mais nos chama atenção são as muito boas passagens de teclado, com uma pitada de nervosismo que fica muito bem na marcação de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;. O bom desse momento &lt;em&gt;bluesístico&lt;/em&gt; é que Byron pode abusar bastante de sua voz; a veia excessivamente melódica mais do que permite. &lt;em&gt;Dreammare&lt;/em&gt; (agora, sim!) é um dos pontos altos desse álbum, se não o mais alto; é cacetada de &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt;. Excetuando-se o cantarolado no entremeio da melodia (isso é bem pessoal: não gostei muito), a canção revela a que veio toda a energia da banda. Outra canção muito boa vem em seguida; &lt;em&gt;Real Turned On&lt;/em&gt; é outro ponto alto, e os &lt;em&gt;riffs&lt;/em&gt; de guitarra nela presentes lembram-me muito, muito mesmo, &lt;em&gt;Wishbone Ash&lt;/em&gt;, sem toda a multiplicidade de guitarras, evidentemente. Talvez seja toda a típica energia do &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt; pincelada, muito certamente, com o andamento &lt;em&gt;bluesístico&lt;/em&gt; em algumas levadas, um pouco mais enérgico, o que me faz lembrar essa outra banda britânica. &lt;em&gt;I'll Keep On Trying&lt;/em&gt; é gema da banda, até hoje muito presente nos &lt;em&gt;shows&lt;/em&gt;; a introdução dada por guitarra, teclado e canto bem chamativo é bem a cara do &lt;em&gt;Uriah Heep&lt;/em&gt;. Há, nessa canção, algumas mudanças de andamento bem típicas: aos 2min10, a canção torna-se bem mais melodiosa, com um coro ao fundo, o que é, em verdade, o introito de um crescente e paulatino retorno à agressividade dum solo fortíssimo de guitarra, que imediatamente explode. Aos 4min37 ocorre a mudança de andamente que já se havia dado nos instantes iniciais da canção, a guitarra traça o rumo ligeiro e enérgico, que desemboca num excedente de teclado fazendo charme no encerramento da canção, imitado, pouco depois, pelo resto dos instrumentos. &lt;em&gt;Wake Up&lt;/em&gt; (ou &lt;em&gt;Set Your Sight&lt;/em&gt;) é muito boa! É a canção mais bem composta e talvez a mais tecnicamente esmerada do disco. Começa falseando, sem querer entregar o jogo, mostrando a voz lamentosa e minguante de Byron e dando sinais, falsos, de que a música será excessivamente &lt;em&gt;pra baixo&lt;/em&gt;. O andamento de bateria, entanto, desmente tudo, pouco depois, ainda no começo da canção, e assume espírito bastante &lt;em&gt;jazzístico&lt;/em&gt;. O contrabaixo e a guitarra seguem a energia alegremente iniciada pela bateria. A voz um tanto chorosa, às vezes, contrasta com essa levada um pouco mais enérgica. A mudança de ânimo nos entremeios da canção faz dela a mais interessante do álbum, ou mesmo a melhor (por que não?). Aos exatos 3min, a música torna-se mais leve, mais onírica, mais doce, o que a faz bastante especial, pois a transição foi muito bem preparada, sem romper com todo o tema, que é encerrado nesse estado, mais leve e bonito.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Faixas:     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;Gypsy&lt;/em&gt; [6min38s]     &lt;br /&gt;2. &lt;em&gt;Walking in Your Shadow&lt;/em&gt; [4min30s]     &lt;br /&gt;3. &lt;em&gt;Come Away Melinda&lt;/em&gt; [3min48s]     &lt;br /&gt;4. &lt;em&gt;Lucy Blues&lt;/em&gt; [5min8s]     &lt;br /&gt;5. &lt;em&gt;Dreammare&lt;/em&gt; [4min37s]     &lt;br /&gt;6. &lt;em&gt;Real Turned On&lt;/em&gt; [3min39s]     &lt;br /&gt;7. &lt;em&gt;I'll Keep on Trying&lt;/em&gt; [5min27s]     &lt;br /&gt;8. &lt;em&gt;Wake Up&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Set Your Sight&lt;/em&gt;) [6min20s]     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Selo: &lt;em&gt;Mercury&lt;/em&gt;.     &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Lançamento: Junho de 1970.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1516325271654466156?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1516325271654466156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/07/sugestao-musical-uriah-heep-very-very.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1516325271654466156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1516325271654466156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/07/sugestao-musical-uriah-heep-very-very.html' title='Sugestão musical: Uriah Heep - ...Very &amp;#39;eavy... Very &amp;#39;umble'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_UriahHeep-VeryeavyVeryumble.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2573078965223797912</id><published>2010-07-26T22:15:00.000-03:00</published><updated>2010-08-28T14:48:16.636-03:00</updated><title type='text'>Gramática: O plural dos substantivos terminados em “–ão” tônico.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Peço antes perdão ao visitante que me acompanha há algum tempo, aos amigos que me leem e ao visitante acidental, que de falta de tempo me fartei a não mais poder. Volto a casa, a estas bandas, a estas aldeias gramaticais, para tentar, responsável e verdadeiramente, desmitificar o monstro que se faz dos plurais dalguns substantivos amigos. Hoje respondi a questão de morfologia muito comum. Perguntou-me confrade do nosso fórum &lt;em&gt;Só Português&lt;/em&gt;, que pessoalmente ainda chamo &lt;em&gt;SOLP&lt;/em&gt;, quais regras determinam os plurais de substantivos terminados em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico. Abaixo está o que lhe respondi.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olá, ***. O que se sabe é que não há regras que definam os plurais de substantivos terminados em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico. Num mecanismo suficientemente lógico, existem, por exemplo, regras que determinam os plurais de substantivos terminados em &lt;em&gt;-l&lt;/em&gt;; para os terminados em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico, infelizmente, elas não existem. O que as gramáticas mostram são exemplos e mais exemplos de uso. Rigorosamente, fazem-se descrições dos plurais de nomes em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico com o uso de regras morfofonêmicas, o que não é nada interessante em estudo descritivo mais simples, como o do ensino médio. Bechara, em sua &lt;em&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/em&gt;, afirma que &amp;quot;os nomes em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico a rigor pertencem à classe dos temas em &lt;em&gt;-o&lt;/em&gt; ou em &lt;em&gt;-e&lt;/em&gt;, conforme o plural respectivo&amp;quot; (BECHARA, 2005: 119). Baseado numa estratégia proposta por Mattoso Câmara, o que Bechara descreve é o caminho inverso: do plural se descobre o tema do substantivo. Isso não é regra para determinar plural; assim o que se pode fazer é reunir e categorizar palavras com o mesmo tema e submetidas às mesmas regras morfofonêmicas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1.º) Substantivos com radical em &lt;em&gt;-õ&lt;/em&gt; e com tema em &lt;em&gt;-e&lt;/em&gt; fazem plural com o acréscimo de &lt;em&gt;-s&lt;/em&gt;. Por exemplo, &lt;em&gt;leão&lt;/em&gt; faz &lt;em&gt;leões&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*leõ&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;visão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;visões&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*visõ&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;e &lt;/em&gt;+ &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;coração&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;corações&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*coraçõ&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;) etc. Neste grupo está a maioria dos substantivos em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico. Todos os abstratos terminados nos sufixos &lt;em&gt;-ção&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-são&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; seguem essa &amp;quot;regra&amp;quot;. Obs.: Uma dica &lt;em&gt;geralmente&lt;/em&gt; certeira é relacionar o substantivo com algum adjetivo derivado para descobrir a terminação de seu radical modificado pelas regras morfofonêmicas. Por exemplo, sabe-se que, na formação consequente, o radical de &lt;em&gt;leão&lt;/em&gt; é &lt;em&gt;leõ&lt;/em&gt;, e não &lt;em&gt;leã&lt;/em&gt;, recorrendo ao adjetivo &lt;em&gt;leonino&lt;/em&gt;, em que esse radical está evidente (&lt;em&gt;*leõ&lt;/em&gt; = &lt;em&gt;*leo(n)&lt;/em&gt;). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2.º) Substantivos com radical em &lt;em&gt;-ã&lt;/em&gt; e com o tema em &lt;em&gt;-o&lt;/em&gt; fazem o plural com a adição da desinência &lt;em&gt;-s&lt;/em&gt;. Por exemplo, &lt;em&gt;irmão&lt;/em&gt; faz &lt;em&gt;irmãos&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*irmã&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;cidadão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cidadãos&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*cidadã&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;cristão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cristãos&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*cristã&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;grão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;grãos&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;*grã&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;s&lt;/em&gt;) etc. A dica da observação do item anterior não se aplica a esses substantivos. Notem-se as palavras relacionadas que seguem as mesmas regras morfofonêmicas: &lt;em&gt;irmão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;irmanar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;irmandade&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;cidadão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cidadania&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;cristão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cristandade&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;grão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;granito&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;granoso&lt;/em&gt;. Elas apenas esclarecem que o radical consequente termina em &lt;em&gt;-ã&lt;/em&gt;, e não em &lt;em&gt;-õ&lt;/em&gt;; não sugerem, portanto, nenhum caminho para determinar o plural. A razão disso aparece na observação presente no tópico seguinte. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;3.º) Substantivos com radical em &lt;em&gt;-ã&lt;/em&gt; e com o tema em &lt;em&gt;-e&lt;/em&gt; fazem o plural com a adição da desinência &lt;em&gt;-s&lt;/em&gt;. Obs.: Nesse ponto reside o problema, e nele muitos se embananam, saracoteiam, e não saem do lugar. Ora! Não saem porque não há aonde ir. A questão é que os substantivos desse e do segundo caso têm radical &lt;em&gt;consequente&lt;/em&gt;, já preparado pelas regras morfofonêmicas, com a mesma terminação, e neles aparecem vogais temáticas distintas. Como usa dizer meu pai: &amp;quot;Aí, babau!&amp;quot;, porque não se pode recorrer à dica da &lt;em&gt;semelhança material&lt;/em&gt; com palavras de outras classes, pois nestas, no mais das vezes, não aparecerá a vogal temática, que é o ponto distintivo nesse caso. Em &lt;em&gt;panificar&lt;/em&gt;, tem-se &lt;em&gt;*pã(n)&lt;/em&gt;, mas não há sinal da vogal temática, para que se possa determinar o plural de &lt;em&gt;pão&lt;/em&gt;. Deixando de lado nosso conhecimento da forma das palavras (estabelecido pela frequencia com que se nos deparam) e seguindo estritamente o modo como se formam, consoante o processo já descrito, sabendo que &lt;em&gt;*pã&lt;/em&gt; é o radical, poder-se-iam formar &lt;em&gt;pãos&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;pães&lt;/em&gt;, já que, num raciocínio direto, não se sabe que, na formação do plural de &lt;em&gt;pão&lt;/em&gt;, aparece a vogal temática &lt;em&gt;e&lt;/em&gt;. O mesmo acontece com &lt;em&gt;capitão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;alemão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;catalão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;escrivão&lt;/em&gt; etc. Resumindo: Nesse caso, é possível excluir o primeiro tipo de plural, com radical consequente em &lt;em&gt;-õ&lt;/em&gt;, mas não é possível, seguindo raciocínio estritamente lógico, determinar se o plural de um substantivo com radical em &lt;em&gt;-ã&lt;/em&gt; termina em &lt;em&gt;-ãos&lt;/em&gt; ou em &lt;em&gt;-ães&lt;/em&gt;. Isso é questão baseada no uso, na frequência com que os grandes nomes da Literatura flexionavam esses substantivos. Tanto é assim, que muitos desses substantivos apresentam mais de uma forma para o plural (&lt;em&gt;aldeão&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;aldeãos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;aldeões&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;aldeães&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;refrão&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;freãos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;refrães&lt;/em&gt;). Bechara, evidenciando o modo &lt;em&gt;desregrado &lt;/em&gt;como se dão esses plurais, afirma que &amp;quot;dada a confluência das formas do singular num único final &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; (diferenças no plural, como acabamos de ver), surgem muitas dúvidas no uso do plural, além de alterações que se deram através da história da língua, algumas das quais se mantêm regional ou popularmente, em geral a favor da forma plural &lt;em&gt;-ões&lt;/em&gt;, por ser a que encerra maior número de representantes&amp;quot; (BECHARA, 2005: 120). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O segredo, ***, é semelhante, excetuando-se as regras seculares, ao da ortografia: envolver-se bastante com as palavras, através do hábito da leitura e da escrita, ou seja, alimentar continuamente nossa memória visual das palavras. O que as gramáticas escolares fazem é listar os plurais de substantivos terminados em &lt;em&gt;-ão&lt;/em&gt; tônico em três categorias, tendo o aluno de se virar para decorá-los. Feio, isso. Não achas? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abraço. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-2573078965223797912?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/2573078965223797912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/07/gramatica-o-plural-dos-substantivos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2573078965223797912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2573078965223797912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/07/gramatica-o-plural-dos-substantivos.html' title='Gramática: O plural dos substantivos terminados em “–ão” tônico.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6783854660020539157</id><published>2010-02-19T15:46:00.001-03:00</published><updated>2010-02-19T15:46:49.612-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Nem a rosa, nem o cravo…</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Nem a rosa, nem o cravo... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jorge Amado &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde? Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. Contra tudo que é a beleza cotidiana do homem, o nazifascismo se levantou, monstro medieval de torpe visão, de ávido apetite assassino. Outros que falem, se quiserem, das árvores nas tardes agrestes, das rosas em coloridos variados, das flores simples e dos versos mais belos e mais tristes. Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada, outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas. Não tenho palavras, não tenho frases, vejo as árvores, os pássaros e a tarde, vejo teus olhos, vejo o crepúsculo bordando a cidade. Mas sobre todos esses quadros bóiam cadáveres de crianças que os nazis mataram, ao canto dos pássaros se mesclam os gritos dos velhos torturados nos campos de concentração, nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados. E, quando a paisagem lembra o campo, o que eu vejo são os trigais destruídos ao passo das bestas hitleristas, os trigais que alimentavam antes as populações livres. Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u'a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama. Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar, com as palavras de sempre, com as frases de ontem, sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos? É impossível porque os monstros estão sobre o mundo soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue, os olhos amarelos, na ambição de escravizar. Os monstros pardos, os monstros negros e os monstros verdes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas. Hoje só 0 ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só 0 ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo - desde o crepúsculo aos olhos da amada - sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;O texto acima foi publicado no jornal &amp;quot;Folha da Manhã&amp;quot;,&amp;#160; edição de 22/04/1945, e consta do livro &amp;quot;Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha&amp;quot;, PubliFolha - São Paulo, 2001, pág. 79, organização de Arthur Nestrovski.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: releituras.com)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6783854660020539157?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6783854660020539157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/02/cronica-nem-rosa-nem-o-cravo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6783854660020539157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6783854660020539157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/02/cronica-nem-rosa-nem-o-cravo.html' title='Crônica: Nem a rosa, nem o cravo…'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-7966395099419143819</id><published>2010-02-17T04:13:00.001-03:00</published><updated>2010-02-19T15:20:10.512-03:00</updated><title type='text'>Citação: Eça define crônica.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Valor da Crónica de Jornal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“A crónica é como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo; espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, das modas, dos enfeites, fala de tudo, baixinho, como se faz ao serão, ao braseiro, ou ainda de verão, no campo, quando o ar está triste. Ela sabe anedotas, segredos, histórias de amores, crimes terríveis; espreita porque não lhe fica mal espreitar. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Olha para tudo, umas vezes maliciosamente, como faz a lua, outras alegre e robustamente, como faz o sol; a crónica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facécias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o pé da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espírito, pela beleza, pela mocidade; ela não tem opiniões, não sabe o resto do jornal; está aqui, nas suas colunas, cantando, rindo, palrando; não tem a voz grossa da política, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.”&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;Eça de Queirós&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Texto originalmente publicado em &lt;em&gt;Distrito de Évora&lt;/em&gt;, em 6 de janeiro de 1867.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;(fonte: citador.pt)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-7966395099419143819?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/7966395099419143819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/02/citacao-eca-define-cronica.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7966395099419143819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7966395099419143819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/02/citacao-eca-define-cronica.html' title='Citação: Eça define crônica.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4476941458203516717</id><published>2010-01-29T02:46:00.001-03:00</published><updated>2010-02-19T15:26:04.058-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O porteiro e o executivo</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O porteiro e o executivo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Após a ligação telefônica, aquele indivíduo sisudo pagou a conta e deixou o restaurante com o cenho carregado, de quem tem infinidade de coisas que fazer. Com a cabeça distante, esquecera o guarda-chuva sobre uma das cadeiras, e um dos garçons, inutilmente, gritou-lhe com a preocupação típica, aquela que todos temos quando se vê que algo não está certo. O pensamento não se continha na parte mais alta do corpo; estava em outra coisa qualquer, em que passou a pensar o simples funcionário do restaurante. Insistia consigo em imaginar o possível turbilhão de coisas abstratas que punham aquele homem tão feio, tão sério, tão morto. O indivíduo segue o caminho marcado, como mais um na manada, cheio de sangue fresco e cativo; ao seu chefe dá-lhe o rubro em gotas, em sofrimento contínuo, mas, com o peso de outra cor, a mesma que lhe permite o uso do restaurante salgado e da credulidade dos seus bons funcionários, acredita que toda essa mentira não será praticada diariamente pelas duas obras loiras de suas entranhas. Eram galegos e pidões, e a isso o pai sempre temeu. A mania patológica de os meninos quererem tudo o que lhes distasse mais que a medida do alcance perturbava a concentração já revirada do cativo. Não se permite, em tal altura, falar em raciocínio; a mente é tomada unicamente por concentração, que, diferente da que calcula o preço das atitudes, o distancia cada vez mais dos dois meninos loiros e pidões.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Cego, vítima do automatismo do homem do século XXI, que é esquizofrênico e não percebe, recebe caridosamente da fachada do edifício em que trabalha a visão, que é apenas parcial, ou melhor, mais se aparenta à permitida pelas viseiras que se põem em cavalos. Segue, então, sem cumprimentar a ninguém, e os funcionários sãos do prédio são os que criaram o hábito de nomear as paredes com os antropônimos desses tipos cegos e surdos. Josué, o porteiro, com a boa educação de sempre, faz questão de dar os bons-dias que lhes são tão habituais, e brinca com um dos homens sadios, executivo talvez tão ocupado quanto aquele surdo a que o porteiro e o garçom são invisíveis, dizendo que aquela parede do canto se chama sicrano e aquela outra tem fulano por nome. O homem sadio e ocupado do discurso é, em matéria, igualmente abastado, mas deu a sorte de não sofrer dos mesmos males. Desnudado das preocupações doentias de confeitar a vida para que os outros a comam, o homem, Feliciano, traz, não só no nome, a alegria de gozar da vida diária que leva. Faz questão da conversa leveira com o bom Josué, que, por compartilhar o mesmo gosto pelo papo, acumula histórias que configuram obra vasta. E é sempre no possível intervalo entre duas atividades importantes de homem engravatado que este trata de trocar ideias as mais variadas com o porteiro: o ano de eleição, as candidaturas, as piadas colhidas no dia-a-dia*, as caricaturas que andam e falam, o pitoresco da vida etc. Se me permitir o leitor mais cordial, faço a breve reflexão sobre os homens engravatados que se segue. Por falar nesse tipo de homem, quase toda atividade de homem engravatado é importante; falei “quase” porque todo brasileiro que gosta do Brasil sabe que há muitos engravatados podres nesta terra, e são justo eles os que tomam muitas decisões por nós. Não acredito na existência de representatividade, em sentido amplo, por estas bandas; estou certo, pelo menos, de que nunca direi que um desses engravatados representa os meus anseios de cidadão brasileiro. Mas, feita a reflexão e voltando ao bom homem engravatado, todos o sabem aberto, de sorriso largo e, antes de tudo, detentor da empatia em seu mais legítimo significado, que não é aquele tipo maquiado com caras, bocas e testas franzidas, e jamais é carregado de doses ardilosas de piedade gratuita. Esse homem verdadeiramente bom também é bom pai; quer aos filhos muito mais que a si. Veja-se que tenho tratado dos dois lados da mesma moeda, que é o homem deste século forjado pela pós-modernidade que tantos querem, mas que mata. Os do time do neurastênico, aquele que esquecera o guarda-chuva no restaurante e cometera vários outros enganos mais sérios na vida, têm ao Feliciano como o paspalho que perde tempo jogando papo fora com o porteiro igualmente detestável. Por eles, Josué é visto assim porque é do outro time, da moeda pertence à face menos suja e certamente mais propensa ao riso amplo, à alegria compartilhada, aos bons-dias inocentes, às piadas pitorescas e, enfim, à rendição à vida, tarefa fácil, diariamente executada pelo porteiro e pelo executivo que com ele conversa. Além de bom pai, o executivo sadio também é exemplo de esposo que ser seguido; é aquele tipo que escuta o que se diz durante a cerimônia religiosa do matrimônio e segue, sem muito custo e com muito orgulho, os ditames com que se alcança a felicidade conjugal. Por homem bom que é, não seria necessário, e talvez fosse incorreto, dizer que, só por vero audiente ao que diz o padre, seguiria todos os mandamentos matrimoniais. Os princípios dele se construíram como pedra tenaz e robusta, que talvez seja a mais leve com que já tenha mantido contato. A todo bom homem, não lhe custa ser compatível com a vida. E é esse, no entanto, o grande problema daqueles executivos doentes, do outro time; eles optaram por não ser compatíveis com a vida e preferem manter a querela camicase da incompatibilidade. Descobrir a razão de tudo, da falta de encaixe, talvez seja a salvação do homem contemporâneo, e eu não tenho a pretensão de correr atrás disso, que se sabe o perigo e o desgosto enfrentados quando esta verdade teima em aparecer: foi tudo querença própria. Como disse, a conjetura que faço não é a pretensão catártica e reveladora de trazer à tona a origem do mal, mas a raiz talvez seja o mesmo problema enfrentado pelos galeguinhos pidões do executivo doente e esquecidiço: quis o homem, em algum momento de profunda infelicidade, ter tudo o que distava mais que a medida do alcance da mão, não soube, como as crianças, reconhecer a doença e submeteu tudo ao escopo danoso da pretensão.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O homem sem guarda-chuva foi sofrer o seu trabalho, fornecer a dose diária de sangue ao patrão, que, não menos neurastênico, lhe agradece com o cuspe diário do menosprezo. O executivo doente faz todo o serviço com a sensação gostosa de ter a cara maculada com a saliva de alguém igualmente imundo, que, a propósito, é seu superior, o que é mais uma das ideias bobas que se criaram entre os que formam o time dos surdos e dos cegos e que serve até para identificar as peças da equipe e a sua escalação. Assim se correspondem os hodiernos amantes da escatologia diária da relação hoje normal entre os homens, do viver em sociedade e sofrer do seu automatismo. Os que não são assim são, como Feliciano e o porteiro, lembrados como os pobres loucos da felicidade, do querer bem e do lembrar a vida que vivem. Sempre alvo da inveja manifestada através do rancor que sentem os doentes, os bons homens são lembrados como detestáveis, burros e vadios pelos pertencentes à sociedade automática, aqueles do outro time, os que amam o podre cenho fechado da outra face da moeda. São lembrados pelo tempo que “perdem”, são lembrados porque se misturam, são lembrados como os que não pensam no futuro, na segurança financeira etc.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas, graças ao meu bom Deus, esses bons homens serão sempre lembrados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;______________    &lt;br /&gt;* Apesar do que diz o novo VOLP, não acho justo escrever &lt;em&gt;dia-a-dia&lt;/em&gt; sem os dois hifens. Como no comentário que havia feito em outra postagem, não tão distante, afirmo novamente que, no novo Vocabulário Ortográfico, se tem confundido sintaxe (locução) com morfologia (palavra composta).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4476941458203516717?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4476941458203516717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/cronica-o-porteiro-e-o-executivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4476941458203516717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4476941458203516717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/cronica-o-porteiro-e-o-executivo.html' title='Crônica: O porteiro e o executivo'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8639941227753617269</id><published>2010-01-28T01:34:00.001-03:00</published><updated>2010-03-27T22:30:42.677-03:00</updated><title type='text'>Poesia: A Acauã de novo ilustra triste seca no sertão.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A acauã de novo ilustra      &lt;br /&gt;Triste seca no sertão&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; border-right-width: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/Acu03.jpg" align="right" border="0" /&gt; Quente vento viperino     &lt;br /&gt;Zangado, maltrata o peito     &lt;br /&gt;Do agricultor direito     &lt;br /&gt;Filho do chão nordestino     &lt;br /&gt;Suportando o sol a pino     &lt;br /&gt;Tem triste constatação     &lt;br /&gt;Quando ressoa a canção     &lt;br /&gt;Da ave que muito assusta     &lt;br /&gt;A Acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dói-lhe ver tudo que planta    &lt;br /&gt;No chão ficar escondido     &lt;br /&gt;Feito menino parido     &lt;br /&gt;Já morto, sem esperança     &lt;br /&gt;Dói o peito, a fé alcança     &lt;br /&gt;A cruel conformação     &lt;br /&gt;Da morte de seu torrão     &lt;br /&gt;Que é sofrer que não se susta     &lt;br /&gt;A Acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Arde a vontade de ter    &lt;br /&gt;Um curral grande pendido     &lt;br /&gt;Gado muito e bem nutrido     &lt;br /&gt;Muita coisa de comer     &lt;br /&gt;Sem muito se abater     &lt;br /&gt;Sempre recorda a feição     &lt;br /&gt;Da morte fincada ao chão     &lt;br /&gt;Que é a caveira que assusta     &lt;br /&gt;A Acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem ter a quem recorrer    &lt;br /&gt;O agricultor não espera     &lt;br /&gt;Na terra em que a morte impera     &lt;br /&gt;Não há nada que nascer     &lt;br /&gt;Ora pensando em ceder     &lt;br /&gt;Largar de vez o torrão     &lt;br /&gt;Ir em busca doutro chão     &lt;br /&gt;Quer viver de forma justa     &lt;br /&gt;A Acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A tarde vai-se acabando    &lt;br /&gt;Quer testar o cupinzeiro     &lt;br /&gt;Da chuva adivinhadeiro     &lt;br /&gt;Um punhado tateando     &lt;br /&gt;A sorte se afastando     &lt;br /&gt;Não é boa indicação     &lt;br /&gt;Só lhe mostra sequidão     &lt;br /&gt;Da terra que é injusta     &lt;br /&gt;A acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Passa um dia e outro dia   &lt;br /&gt;Sem a barra a despontar    &lt;br /&gt;Confirmando o seu penar    &lt;br /&gt;É o Natal sem alegria    &lt;br /&gt;Consolando a sua cria    &lt;br /&gt;Depois da adivinhação    &lt;br /&gt;Não quer mais riscar o chão    &lt;br /&gt;Pois a chuva muito custa    &lt;br /&gt;A acauã de novo ilustra    &lt;br /&gt;Triste seca no sertão&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já não são pedras de sal   &lt;br /&gt;O recurso predileto    &lt;br /&gt;Do céu investiga o teto    &lt;br /&gt;Em busca de menos mal    &lt;br /&gt;Canta a ave infernal    &lt;br /&gt;Do agouro a propagação    &lt;br /&gt;Voa pelo seco chão    &lt;br /&gt;A pouca fauna se assusta    &lt;br /&gt;A acauã de novo ilustra    &lt;br /&gt;Triste seca no sertão&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vê um inseto serrando    &lt;br /&gt;O galho dum juazeiro     &lt;br /&gt;Prometendo bom janeiro     &lt;br /&gt;A chuva fica esperando     &lt;br /&gt;Pelas terras vai andando     &lt;br /&gt;Em busca doutra visão     &lt;br /&gt;Não percebe a ilusão     &lt;br /&gt;Dessa mentira robusta     &lt;br /&gt;A acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O bicho que o enganou    &lt;br /&gt;Certamente outro besouro     &lt;br /&gt;Imagem que valeu ouro     &lt;br /&gt;Mas que agora passou     &lt;br /&gt;O serra-serra escutou     &lt;br /&gt;Fruto da imaginação     &lt;br /&gt;Fez amargo o coração     &lt;br /&gt;Sentimento que o frustra     &lt;br /&gt;A acauã de novo ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Corpo lasso e sol grosseiro    &lt;br /&gt;compartilham a imagem     &lt;br /&gt;Da ave que traz coragem     &lt;br /&gt;Da borrasca o mensageiro     &lt;br /&gt;O tetéu surge ligeiro     &lt;br /&gt;Renovando a emoção     &lt;br /&gt;Da chuva a ressurreição     &lt;br /&gt;À ave agourenta expulsa     &lt;br /&gt;A acauã não mais ilustra     &lt;br /&gt;Triste seca no sertão&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comentário: Este é o meu primeiro poema colorido. Tinha-me enveredado bastante por outros caminhos; fazia, no mais das vezes, prosa e, experimentando, uma ou outra poesia cinza. Obviamente, há nestes versos a marca do desazo de quem se iniciou às décimas. Inicialmente, litigando com a rima e com o metro, fui trazendo, pouco a pouco, ao fim a poesia. O tema surgiu-me por acaso; entrei a escrever estrofe e a parelha final deu-me o mote. Espero que não seja tão desagradável a minha estreia e que me surjam mais temas para que, perscrutando o legítimo, o cerne, o íntimo, possa desatar o nó que ainda se prende à cor dos versos meus.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8639941227753617269?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8639941227753617269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/poesia-acaua-de-novo-ilustra-triste.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8639941227753617269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8639941227753617269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/poesia-acaua-de-novo-ilustra-triste.html' title='Poesia: A Acauã de novo ilustra triste seca no sertão.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-89984872172320813</id><published>2010-01-24T01:32:00.001-03:00</published><updated>2010-01-24T01:32:02.723-03:00</updated><title type='text'>Artigo: É a juventude portuguesa quem mais resiste.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Lendo artigo recente sobre como recebem os portugueses o Acordo, fui informado de que o maior percentual contrário à mudança corresponde justo aos jovens da Santa Terrinha. Surpreende-me serem eles os que rejeitam as regrinhas que já são aprendidas no Brasil, pois, com a mente fresca, borbulhante, não perderiam mais que meia hora para aprenderem todas as mudanças, que, como todos o sabem, são muito poucas. Quais seriam, então, os motivos para tanta repulsa dos jovens portugueses? Seriam eles vítimas da confusão que se faz entre língua e gramática? Faço a pergunta porque corre por lá a ideia de que não são decisões políticas que mudarão o modo como o povo português fala e escreve. Isso não é mentira e é sabido por muitos. O que é bastante claro, no entanto, é que a língua, entidade viva e, portanto, dinâmica, não é alterada, em hipótese alguma, pela decisão de pouquíssima partícula da sociedade, que são [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;] os membros da comissão do Acordo e autoridades políticas nele envolvidas. Não serão minúsculas alterações ortográficas a pedra no sapato dos usuários da língua, que, fluida e flexível, está sempre se renovando de acordo com os ditames do povo que a fala; então, está claro que o que muda pertence à gramática normativa e à tão obscura &lt;em&gt;norma culta&lt;/em&gt; e está longe, muito longe, de afetar o rumo da língua de cerca de duzentos milhões de falantes espalhados em todos os continentes. Parece que o discurso de defesa da língua, que circula entre a juventude portuguesa, está mais próximo à empolgação pseudorrevolucionária, que, a propósito, se alastra como doença altamente contagiosa.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Outro ponto com que se defendem os portugueses, principalmente os jovens, é que o povo lusitano não foi consultado sobre a mudança. Esse argumento também tem suas fragilidades. É evidente que qualquer falante não possui o conhecimento linguístico dos estudiosos da comissão do Acordo; eles traçam a parte rigorosamente técnica da língua, que, nesse caso, pertence à gramática, e a língua, dona de si, move-se com toda a liberdade, sob a influência dos seus usuários. Não se pode permitir que haja alienação de deveres; se não, qual seria o papel dos doutos que dedicam à língua suas vidas?    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Existe ainda o preconceituoso entendimento lusitano de que nós, os brasileiros, estamos impondo o nosso modo de usar a língua aos portugueses, o que constitui argumento evidentemente fraco. O interessante é perceber que todos esses juízos se mostram falíveis quando se esclarecem alguns conceitos necessários, evitando as confusões que teimam em misturar língua com gramática normativa, com norma-padrão etc. Como já havia dito, é evidente que as mudanças não afetarão os modos de usar a língua; o português continuará a usar o vocabulário e as expressões que lhe são habituais, e o brasileiro também. Dizem, tristemente, muitos em Portugal que estamos a macular a língua de Camões, a enfear a última flor do Lácio etc. É claro a qualquer pessoa com algum siso que são comentários infelizes da parcela muito mimada e pouco arejada de falantes lusitanos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-89984872172320813?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/89984872172320813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/artigo-e-juventude-portuguesa-quem-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/89984872172320813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/89984872172320813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/artigo-e-juventude-portuguesa-quem-mais.html' title='Artigo: É a juventude portuguesa quem mais resiste.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-9114427790347071008</id><published>2010-01-22T22:42:00.001-03:00</published><updated>2010-01-22T23:11:57.544-03:00</updated><title type='text'>Comentário: Eu tenho medo é do preocupante silêncio em meio a tanta zoada na tevê brasileira.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/censura-e-tv-1.jpg" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; É importante que se divulgue o texto do linque que se segue. O cinismo dos argumentos do conluio midiático que combate haver punição aos que desrespeitam os direitos humanos nos meios de comunicação deve ser mostrado a todos os que ainda prezam pelas liberdades (de fato e em sentido amplo) principalmente na tevê e no rádio. É ainda mais importante frisar o que realmente constitui os princípios da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e do Programa Nacional de Direitos Humanos, para que os desavisados não sofram o proselitismo escuro, mas muito bem maquiado, da grande mídia. É muito importante não ser vítima do silêncio que se mantém na tevê; é evidente a razão por que não se discutem assuntos congêneres nela. Esse texto tem de ser propagado o mais que se possa. O que distorce a realidade é que as grandes corporações midiáticas se defendem usando o discurso de que se quer corromper a liberdade de expressão (!) e de que ela tem de ser defendida a todo o custo. É a conversa mole que se assemelha muito à nefasta Doutrina de Segurança Nacional daqueles tempos (com as suas devidas proporções, claro), que espero que tenha morrido e tenha sido muito bem enterrada em 85. Isso não lembra aquele papo de negar o contrário e de sugestionar, tão comum entre os militares durante a ditadura? Ou só eu é que o vejo assim? Neste século, as ameaças com nova roupagem são esses arrotos ideológicos contra a democracia, muito perigosos e ainda provenientes daquelas bocas fedidas da grande mídia, as mesmas que colaboraram com o sucesso do 1.º de Abril de 64. As táticas agora são outras, muito mais sutis e, portanto, muito mais fáceis de serem consumidas (e como consomem os que adoram os 99% da &amp;quot;nossa tevê&amp;quot;!). Não há mais paus-de-arara* [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;], tambores de óleo, cadeiras elétricas, barris de fezes humanas etc., mas também não se pode dizer que há completude de democracia. E enquanto não houver democracia em sentido amplo, a grita do povo arejado tem de se levantar! A Internet está aí para isso, para esclarecer o mais que for possível e arejar o terreno...&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;   &lt;br /&gt;Leia: &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-grande-midia-unida-contra-a-democracia" target="_blank"&gt;http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-grande-midia-unida-contra-a-democracia&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;__________   &lt;br /&gt;* Não concordo com escrever &lt;em&gt;pau de arara&lt;/em&gt;, sem os dois hifens, como pede o VOLP. Nesse ponto, sou declaradamente contrário à má interpretação do texto do Acordo. Aí se confunde sintaxe (a locução) com morfologia (palavra composta).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-9114427790347071008?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/9114427790347071008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/comentario-eu-tenho-medo-e-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/9114427790347071008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/9114427790347071008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/comentario-eu-tenho-medo-e-do.html' title='Comentário: Eu tenho medo é do preocupante silêncio em meio a tanta zoada na tevê brasileira.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8631958577305505284</id><published>2010-01-10T21:10:00.000-03:00</published><updated>2010-02-03T21:21:21.352-03:00</updated><title type='text'>As manchas do livro: O não ser nos destrói.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Que é do ser que se negou em momento impreciso, ou que se tem negado quase diariamente? O ser eu, filho e irmão já não pode ser preterido; as riquezas imarcescíveis não são tão obscuras quanto parecem ou quanto parece ser insólita a felicidade. Nada disso! O descobrir-se é o que o é, é tarefa urgente; somos perecíveis, precisamos de nós prontamente sãos para caçar-nos. A busca não pode ser mais um trabalho de Sísifo, pois não nos querermos é admitirmos que não viemos ao mundo e que somos tão frágeis que não conseguimos compreender muito bem que ser forte, resistente a dores que calam n’alma fundo, é olvidar-se do latente ser eu, o que não se faz por si próprio, mas pela consciência pouca de que se têm de adquirir inteligência, prudência, correção, sensatez, pragmatismo etc. O encontro não se faz quando, fraco de cegueira e resignação, o que tem a busca por mister nem mesmo sabido por si próprio fraqueja e não pode com um trabalho que, parece-lhe, fora feito com o intuito de não se poder concluir. O ser eu é quem sofre com a extrema competência de sermos péssimos em entender a vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;[naturalmente inconcluso]&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Abril, 2009&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8631958577305505284?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8631958577305505284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/as-manchas-do-livro-o-nao-ser-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8631958577305505284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8631958577305505284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/as-manchas-do-livro-o-nao-ser-nos.html' title='As manchas do livro: O não ser nos destrói.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-689253569580804131</id><published>2010-01-09T03:13:00.001-03:00</published><updated>2010-01-09T03:14:49.847-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Duas questões de sintaxe.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Em 25 de dezembro, respondi a duas questões de sintaxe trazidas por um dos membros do fórum &lt;em&gt;Só Português&lt;/em&gt;. A primeira delas trata da significação da preposição &lt;em&gt;para,&lt;/em&gt; e a segunda aborda regência verbal. Apesar de simples, as questões permitem breve revisão de alguns temas importantes da gramática escolar. A todos os que fruem das breves revisões gramaticais e do roteiro de estudo que se traça a partir delas, desejo-lhes bom proveito do que está escrito abaixo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&amp;quot;A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença.&amp;quot;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;10) Assinale a alternativa em que o termo para expressa a mesma circunstância que no trecho.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;a) Dedicou-se muito para passar no exame.     &lt;br /&gt;b) Embora fosse sempre para a praia, aquela vez era especial.      &lt;br /&gt;c) Trouxe para ela um lindo buquê de flores.      &lt;br /&gt;d) Para quem estuda, as provas parecem ser mais fáceis.      &lt;br /&gt;e) Para agradá-la, não precisa muito, basta ser gentil.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Olá, ***. A preposição &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; introduz adjunto adverbial de opinião, fato que, para alguns, parece incoerente. Os que estranham essa classificação certamente apoiam a ideia de que o termo introduzido por essa preposição é, em verdade, dativo de opinião, ou seja, espécie de complemento verbal por extensão de significado. As gramáticas escolares insistem em que esse termo introduzido por &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; seja adjunto adverbial de opinião. Siga-se então o que dizem esses livros. Abaixo estão as análises de cada item. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;a) Em &lt;em&gt;Dedicou-se muito para passar no exame&lt;/em&gt;, a preposição &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; é índice de função que introduz oração subordinada adverbial de fim. Pode ser substituída por preposições de mesma categoria sem prejuízo de sentido à frase (&lt;em&gt;... a fim de passar no exame&lt;/em&gt;).    &lt;br /&gt;b) Em &lt;em&gt;Embora fosse sempre para a praia, aquela vez era especial&lt;/em&gt;, a preposição introduz adjunto adverbial de lugar. Seria até mais coerente empregar, nesse caso, &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; em vez de &lt;em&gt;para&lt;/em&gt;, pois esta conjunção indica que a estada no lugar de destino é permanente ou duradoura, e aquela sugere que não se gastará muito tempo no lugar a que se dirige.    &lt;br /&gt;c) Em &lt;em&gt;Trouxe para ela um lindo buquê de flores&lt;/em&gt;, a preposição introduz complemento verbal. Por sinal, esse é um dos poucos casos em que o objeto indireto pode ser introduzido por &lt;em&gt;para&lt;/em&gt;. A função de objeto indireto fica clara por poder-se substituir &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; por &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;, ou ainda por ser possível a substituição do termo &lt;em&gt;para ela&lt;/em&gt; pelo pronome &lt;em&gt;lhe&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Trouxe a ela um lindo buquê de flores, Trouxe-lhe um lindo buquê de flores&lt;/em&gt;).    &lt;br /&gt;d) Em &lt;em&gt;Para quem estuda, as provas parecem ser mais fáceis&lt;/em&gt;, tem-se que o termo introduzido por &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; é dativo de opinião ou oração subordinada adverbial de opinião. Há também quem a veja como oração completiva nominal, por integrar o sentido do adjetivo &lt;em&gt;fáceis&lt;/em&gt;. Não se pode condenar nenhuma dessas análises, posto que são todas bem argumentadas. Claramente, vê-se então que é esta a opção correta.    &lt;br /&gt;e) Em &lt;em&gt;Para agradá-la, não precisa muito, basta ser gentil&lt;/em&gt;, a preposição, como na letra &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;, introduz oração subordinada adverbial de fim; a seguinte substituição esclarece bem essa verdade: &lt;em&gt;A fim de agradá-la, não precisa muito, basta ser gentil&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;19) Assinale a alternativa em que a regência verbal está correta, segundo a norma culta.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;a) Ele afirmava, aflito, que sempre desejou ao bem de sua filha.     &lt;br /&gt;b) Não convenceu a ninguém com o que dizia.      &lt;br /&gt;c) Esse foi o caso que me referi durante nossa conversa.      &lt;br /&gt;d) São fatos de que todos já se esqueceram há tempos.      &lt;br /&gt;e) A decisão coube de um importante juiz.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Veja-se agora o tema da próxima questão. É necessária, de imediato, pequena correção sobre o que é, ou deixa de ser, norma culta. Não convém a ninguém definir norma culta, e é muito menos pertinente julgar se um ou outro discurso pertence a ela. O que existe, em verdade, é a norma padrão, que é o modo de escrever usado em textos oficiais e em ocasiões seletas que a exigem. Feitos os esclarecimentos, dou continuidade à questão com as explicações abaixo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;a) Estaria tudo certo se não fosse aquela preposição intrometida em &lt;em&gt;ao&lt;/em&gt;. O verbo &lt;em&gt;desejar&lt;/em&gt;, na acepção em que aparece, é transitivo direto.    &lt;br /&gt;b) A regência de &lt;em&gt;convencer&lt;/em&gt;, com acepção de &lt;em&gt;persuadir&lt;/em&gt;, diz que esse verbo é transitivo direto. Pode o verbo ser transitivo direto e indireto, sendo, no entanto, o objeto indireto introduzido por &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; e representado por coisa (fato, ideia etc.). Exs.: &lt;em&gt;Jorge não convenceu a plateia&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Joaquim convenceu Maria de que tudo daria certo&lt;/em&gt;.    &lt;br /&gt;c) O verbo &lt;em&gt;referir-se&lt;/em&gt; exige sempre objeto indireto introduzido por &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. Desse modo, escrevem-se corretamente &lt;em&gt;Todos se referiam aos acontecimentos recentes&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O livro a que Mariazinha se referia não estava à venda&lt;/em&gt;, etc. Está claro, portanto, que faltou um &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; antes do pronome relativo, que tem evidentemente função de objeto indireto.    &lt;br /&gt;d) Está tudo correto na opção dê. O verbo &lt;em&gt;esquecer-se&lt;/em&gt;, diferentemente de &lt;em&gt;esquecer&lt;/em&gt;, exige sempre objeto indireto introduzido pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;. Exs.: &lt;em&gt;Não nos esquecemos do dia em que fomos premiados&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Ele esqueceu-se de agradecer-lhe o presente&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O palestrante esqueceu o que falaria&lt;/em&gt;, etc. Marque-se esta opção.    &lt;br /&gt;e) Bom, o verbo &lt;em&gt;caber&lt;/em&gt;, na acepção de &lt;em&gt;competir&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pertencer&lt;/em&gt;, é transitivo indireto, mas não rege objeto indireto introduzido por &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;. Esse complemento verbal deve encerrar a preposição &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. A frase correta seria &lt;em&gt;A decisão coube a um importante juiz&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Espero que te tenha esclarecido as dúvidas, ***. Bons estudos e feliz Natal. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso é tudo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abraço. Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-689253569580804131?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/689253569580804131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/gramatica-duas-questoes-de-sintaxe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/689253569580804131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/689253569580804131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2010/01/gramatica-duas-questoes-de-sintaxe.html' title='Gramática: Duas questões de sintaxe.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6740677170047004000</id><published>2009-12-29T03:04:00.001-03:00</published><updated>2009-12-29T03:04:22.696-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Predicação verbal e um pouco sobre complemento relativo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Pouco antes do Natal, mais precisamente em sua antevéspera, um dos membros do fórum &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.soensino.com.br/foruns/viewforum.php?f=10" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; trouxe dúvida que o angustiava bastante. Basicamente, ele tinha alguma dificuldade de reconhecer a transitividade dos verbos na oração. Sem esgotar o assunto, tratei de explicar de modo que não lhe restassem dúvidas. Sem me desviar do fim por que entrei a escrever, também introduzi, brevemente, o conceito de complemento relativo, infelizmente esquecido das gramáticas escolares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olá, ***. Devo dizer-te que, de fato, não existe nenhuma técnica infalível através da qual se possa identificar a transitividade dos verbos. A regência de muitos verbos é definida por servidão gramatical; o que se mostra nas gramáticas escolares é a descrição de regências, sem que haja razão para que um verbo ora seja transitivo direto, ora indireto. Em análise sintática, para que se classifique bem um verbo quanto a sua predicação, é importante reconhecer os demais termos da oração. Vou-te tentar explicar melhor com resolver as questões em que tiveste dúvida. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1.ª) Em &lt;em&gt;Saímos do cinema tarde&lt;/em&gt;, repara que o termo &lt;em&gt;do cinema&lt;/em&gt; indica circunstância de lugar &lt;em&gt;donde&lt;/em&gt; e que a significação externa do verbo &lt;em&gt;sair&lt;/em&gt;, ou seja, sua referência a noções do nosso mundo (nesse caso, seu próprio significado: deixar um local, passar do interior para o exterior), está contida em si mesma, o que, evidente, aclara parte de sua significação interna, particularmente sua transitividade. A ação de sair, portanto, não exige objeto, visto que ela, sozinha, se justifica. Períodos como &lt;em&gt;Os casais saíram&lt;/em&gt; mostram-se claramente completos; o que se pode adicionar a eles são as circunstâncias do acontecimento: &lt;em&gt;Os casais saíram &lt;font color="#50a244"&gt;rapidamente&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Os casais saíram &lt;font color="#50a244"&gt;à noite&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;Sorrateiramente&lt;/font&gt;, os casais saíram &lt;font color="#50a244"&gt;da festa&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Os casais saíram &lt;font color="#50a244"&gt;do cinema tarde&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; etc. Essa pouca, mas eficaz, explicação é suficiente para que se perceba que o termo &lt;em&gt;do cinema&lt;/em&gt; é adjunto adverbial e que, portanto, o verbo &lt;em&gt;sair&lt;/em&gt;, nesse caso, é intransitivo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2.ª) Em &lt;em&gt;O filme agradou a todos&lt;/em&gt;, tem-se que &lt;em&gt;a todos&lt;/em&gt; não pode, evidentemente, ser entendido como indício de circunstância e que a significação externa do verbo &lt;em&gt;transita&lt;/em&gt; dele para seu complemento, que é introduzido pela preposição &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. Repara também que o termo &lt;em&gt;a todos&lt;/em&gt; pode ser substituído pelo pronome &lt;em&gt;lhe&lt;/em&gt;, o que é mais um indício da classificação sintática que receberá o verbo. O complemento verbal é chamado objeto indireto porque, formalmente, encerra preposição que o introduz. O verbo é, portanto, classificado como transitivo indireto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;3.ª) Em &lt;em&gt;Preciso de muito tempo&lt;/em&gt;, a história pode tomar outro rumo, se se quiser que a explicação seja mais completa. Seguindo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, que (não se sabe bem!) deve ter sido revogada, em 2004, pela TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), que também foi anulada, só que em 2007, o termo &lt;em&gt;de muito tempo&lt;/em&gt;, como se tem raciocinado até agora, seria objeto indireto e o verbo, transitivo indireto. A explicação é a mesma: &lt;em&gt;de muito tempo&lt;/em&gt; integra a transitividade de &lt;em&gt;preciso&lt;/em&gt; e é introduzido por preposição, e o verbo, regendo esse tipo de complemento, é, portanto, classificado como transitivo indireto. É importante que se saliente que toda a análise até então feita se baseia nas lições da gramática escolar, que ainda é bem preenchida pela caturrice da gramática tradicional. Gramáticas mais sérias, como a &lt;em&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/em&gt;, de Evanildo Bechara, e os &lt;em&gt;Fundamentos de Gramática do Português&lt;/em&gt;, de José Carlos de Azeredo, trazem conceitos que, já de há muito, deveriam estar presentes nas gramáticas que se destinam ao Ensino Básico. Um deles é o de complemento relativo, que é o termo que integra a significação do verbo através de qualquer preposição e que nunca pode ser substituído pelo pronome oblíquo &lt;em&gt;lhe(s)&lt;/em&gt;. O objeto indireto, muito confundido com o complemento que acabei de explicar, dele difere porque sempre é introduzido pela preposição &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; e sempre pode ser substituído pelo pronome oblíquo &lt;em&gt;lhe(s)&lt;/em&gt;. A maioria dos verbos que regem complemento relativo não revela por que se deve optar por uma ou outra preposição, pois esse é mais um caso de servidão gramatical. Por exemplo, não se tem como explicar por que &lt;em&gt;assistir&lt;/em&gt;, no sentido de &lt;em&gt;estar presente&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;comparecer&lt;/em&gt;, exige a preposição &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;, e não outra qualquer. Também são casos de servidão gramatical o gênero dos substantivos; não se explica por que &lt;em&gt;porta&lt;/em&gt; é feminino, &lt;em&gt;rio&lt;/em&gt; é masculino, &lt;em&gt;árvore&lt;/em&gt; é feminino etc. ***, quero que saibas que a extensão que fiz sobre o assunto, tratando do complemento relativo, deve ser compreendida apenas a titulo de curiosidade; se te preparas para concursos, é importante que não consideres o conceito desse complemento, pois é certo que a maioria dos concursos, se não todos, não cobram dos candidatos conceitos mais aprofundados. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;4.ª) Em &lt;em&gt;Obedeça aos professores&lt;/em&gt;, pode-se seguir o mesmo raciocínio: &lt;em&gt;aos professores&lt;/em&gt; não indica circunstância (não pode ser adjunto adverbial), integra a significação do verbo &lt;em&gt;obedecer&lt;/em&gt; e é introduzido pela preposição &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. Esse termo é, portanto, objeto indireto. Repara que esse complemento, até em análise mais rigorosa, deve ser, sim, classificado como objeto indireto, pois é possível a substituição do termo pelo pronome &lt;em&gt;lhes&lt;/em&gt;, o que não se permite ao complemento relativo. Sendo assim, o verbo é transitivo indireto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;5.ª) Em &lt;em&gt;Deparamos com uma cobra&lt;/em&gt;, faz-se o mesmo raciocínio. O termo &lt;em&gt;com uma cobra&lt;/em&gt; é objeto indireto, segundo, claro, a gramática escolar, e o verbo &lt;em&gt;deparar&lt;/em&gt; é transitivo indireto. Não custa acrescentar também que, na mesma acepção, o verbo &lt;em&gt;deparar&lt;/em&gt; também pode ser usado como pronominal (&lt;em&gt;Deparamo-nos com uma cobra&lt;/em&gt;). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;6.ª) Em &lt;em&gt;Gosto de pessoas sinceras&lt;/em&gt;, a discussão repete-se: &lt;em&gt;de pessoas sinceras&lt;/em&gt; é objeto indireto e &lt;em&gt;gosto&lt;/em&gt;, verbo transitivo indireto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bom, ***, como deves ter percebido, a classificação dos verbos segundo a predicação verbal exige que conheças bem os demais termos da oração (essenciais, integrantes e acessórios) para que possas, excluindo possibilidades e, ao mesmo tempo, identificando as caraterísticas do termo em questão, fazer a análise sintática mais acertada. Note-se que o verbo em si não é termo da oração; evidenciam-se seus valores sintáticos por ele poder ser núcleo do predicado verbal (ou do verbonominal) ou partícula copulativa (verbo de ligação), presente na composição do predicado nominal. O pontapé para a classificação do verbo segundo sua transitividade é a análise do seu complemento. Espero que tenhas compreendido o assunto e que te possa ter sido claro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abraço. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6740677170047004000?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6740677170047004000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/gramatica-predicacao-verbal-e-um-pouco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6740677170047004000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6740677170047004000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/gramatica-predicacao-verbal-e-um-pouco.html' title='Gramática: Predicação verbal e um pouco sobre complemento relativo.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1645960050392501271</id><published>2009-12-25T23:53:00.001-03:00</published><updated>2011-07-10T21:05:57.996-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Emprego de vírgula antes de “etc.”.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px; display: inline" align="right" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Um dos foristas trouxe, recentemente, uma questão bastante ventilada e, no entanto, ainda pouco compreendida. Referia-se ele ao emprego de vírgula antes da abreviação &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. Este é ainda assunto polêmico, pois muitas gramáticas acuadas, em lições caquéticas, incutem proibição a torto e a direito. Muitos dos que escrevem em português ainda sentem insegurança ao empregar ou não vírgula nesse caso. A minha resposta tem por fim esclarecer essa questão, desmitificando lições seculares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olá, colegas de fórum. Apesar de &lt;em&gt;et cetera&lt;/em&gt; (do lat. &lt;em&gt;et coetera&lt;/em&gt;) significar &lt;em&gt;e as demais coisas&lt;/em&gt;, ou seja, apesar de haver a conjunção &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; na formação, é lícito empregar-se vírgula antes da abreviação &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. Apegar-se a regras caquéticas, que em nada contribuem com a evolução da língua, evidencia o retrocesso de que tantos são vítimas. Uma delas, contida, por sinal, no famoso &lt;em&gt;Dicionário de Questões Vernáculas&lt;/em&gt;, de Napoleão, proíbe vigorosamente o emprego de vírgula antes da abreviação &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. O autor argumenta que, por não se usar, em série de termos coordenados, o sinal de pontuação antes da conjunção aditiva &lt;em&gt;e&lt;/em&gt;, também não se deve vírgular a abreviação porque se faz sentir a presença dessa conjunção em &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. Argumento, por sinal, muito furado, pois, fugindo do latim, essas três letrinhas tomam rumo bem diferente em português; não se faz lembrar, entres bons escritores, hodiernos ou não, todo o rigor exigido por Napoleão. Listo abaixo citações de grandes penas de nossa literatura, que, conscientemente, empregaram vírgula antes de &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em &lt;em&gt;Os Bruzundangas&lt;/em&gt; e em &lt;em&gt;O Cemitério dos Vivos&lt;/em&gt;, Lima Barreto abona a pontuação: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Nela, há a literatura oral e popular de cânticos, hinos, modinhas, fábulas, etc.; mas todo esse &lt;em&gt;folk-lore&lt;/em&gt; não tem sido coligido e escrito, de modo que, dele, pouco lhes posso comunicar.&amp;quot; (BARRETO, 1923, grifo meu) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Dificuldades, em casa, credores, mau humor da mulher, rompantes do marido, descomposturas, casas de tavolagem, álcool, etc.&amp;quot; (BARRETO, 1953) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até mesmo João de Barros, em sua &lt;em&gt;Grammatica da lingua portuguesa&lt;/em&gt;, serve-nos dos exemplos: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;E dâs que usamos que usamos pera serviço da pessoa e cása, andilhas, cálças, çiroulas, mantéis, alforges, grelhas, tenázas, tisouras, etc.&amp;quot; (BARROS, 1540) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em &lt;em&gt;O Arquipélago&lt;/em&gt;, terceira parte de &lt;em&gt;O Tempo e o Vento&lt;/em&gt;, escreveu Érico Veríssimo o trecho abaixo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Estás condicionado, meu filho. Vocês letrados glorificam a guerra, vivem com essa história de hinos, bandeiras, tambores, clarínadas, cargas de baioneta, etc.&amp;quot; (VERÍSSIMO, 1961) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em &lt;em&gt;O Conde d'Abranhos&lt;/em&gt;, fornece-nos Eça de Queirós o emprego de vírgula antes de &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Tinha sobre a mesa pequenas caixas feitas de cartas de jogar, com dísticos em letra gótica que lhes designavam a serventia: caixa das penas, caixa da borracha, caixa do limpa-penas, caixa das obreias, etc.&amp;quot; (QUEIRÓS, 1926) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mais dois lusitanos de peso abonam a pontuação: Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;A denominação de estrangeiros dada aos soldados da rainha e do conde de Trava parece na verdade imprópria, sendo eles pela maior parte galegos, leoneses, etc.&amp;quot; (HERCULANO, 1843) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Os livros de Calisto Elói eram cronicões, histórias eclesiásticas, biografias de varões preclaros, corografias, legislação antiga, forais, memórias da Academia Real da História Portuguesa, catálogos de reis, numismática, genealogias, anais, poemas de cunho velho, etc.&amp;quot; (CASTELO, 1866)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;São muitas as abonações desse emprego de vírgula. Creio que são suficientes e bem fortes as citações que expus. Por tudo, é evidente que não se pode condenar o emprego de vírgula antes de &lt;em&gt;etc&lt;/em&gt;. O que, de fato, se tem de esclarecer é que se faculta o emprego de pontuação, ou seja, fica a cargo de quem escreve usar ou não a vírgula antes da abreviação. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso é tudo, ***. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abraço. Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1645960050392501271?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1645960050392501271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/gramatica-emprego-de-virgula-antes-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1645960050392501271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1645960050392501271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/gramatica-emprego-de-virgula-antes-de.html' title='Gramática: Emprego de vírgula antes de “etc.”.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1362687090347209205</id><published>2009-12-23T03:22:00.001-03:00</published><updated>2009-12-23T03:26:04.576-03:00</updated><title type='text'>ABL: Cleonice Berardinelli, a mais recente imortal.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;Cleonice Berardinelli é a nova titular da Cadeira nº8 da ABL &lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/DonaCleonice-02.jpg" align="right" /&gt; A &lt;strong&gt;Academia Brasileira de Letras&lt;/strong&gt; escolheu no dia 16 de dezembro, a Professora Cleonice Berardinelli, como a 6ª ocupante da Cadeira nº 8, vaga desde 17 de setembro último com a morte do Acadêmico &lt;strong&gt;Antonio Olinto&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Logo no primeiro escrutínio, a candidata eleita recebeu 30 votos. Seu concorrente, o jornalista e ex-ministro Ronaldo Costa Couto, recebeu 9.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Cadeira nº 8 foi fundada por &lt;strong&gt;Alberto de Oliveira&lt;/strong&gt;, que escolheu como patrono &lt;strong&gt;Cláudio Manoel da Costa&lt;/strong&gt;. Foi ocupada sucessivamente por &lt;strong&gt;Oliveira Viana&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Austregésilo de Athayde&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Antonio Callado&lt;/strong&gt;, e Antonio Olinto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cleonice Berardinelli nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de agosto de 1916. É&amp;#160; graduada em letras neolatinas pela Universidade de São Paulo (1938) e livre docente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959), com a tese Poesia e Poética de Fernando Pessoa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Especialista em Camões e Fernando Pessoa, Cleonice Berardinelli é professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, consultora &lt;em&gt;ad hoc&lt;/em&gt; da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e consultora &lt;em&gt;ad hoc&lt;/em&gt; da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É acadêmica correspondente brasileira da Academia das Ciências de Lisboa desde 27 de novembro de 1975. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entre seus livros, destacam-se: &lt;em&gt;Estudos Camonianos&lt;/em&gt; (1973), &lt;em&gt;Obras em Prosa: Fernando Pessoa&lt;/em&gt; (1986), &lt;em&gt;A passagem das horas de Álvaro de Campos&lt;/em&gt; (1988), &lt;em&gt;Poemas de Álvaro de Campos&lt;/em&gt; (1990) e &lt;em&gt;Fernando Pessoa: outra vez te revejo…&lt;/em&gt; (2004).&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;16/12/2009&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;(fonte: &lt;a href="http://www.academia.org.br" target="_blank"&gt;www.academia.org.br&lt;/a&gt;; fotografia: &lt;a href="http://www.imagem.ufrj.br" target="_blank"&gt;www.imagem.ufrj.br&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1362687090347209205?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1362687090347209205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/abl-cleonice-berardinelli-mais-recente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1362687090347209205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1362687090347209205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/12/abl-cleonice-berardinelli-mais-recente.html' title='ABL: Cleonice Berardinelli, a mais recente imortal.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_DonaCleonice-02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6868766391283807356</id><published>2009-10-16T02:17:00.001-03:00</published><updated>2009-10-16T02:17:22.065-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Aula de Inglês.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Aula de Inglês&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rubem Braga&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Is this an elephant&lt;/em&gt;? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Minha tendência imediata foi responder que não; mas a gente não deve se deixar levar pelo primeiro impulso. Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha o ar de quem propõe um grave problema. Em vista disso, examinei com a maior atenção o objeto que ela me apresentava. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não tinha nenhuma tromba visível, de onde uma pessoa leviana poderia concluir às pressas que não se tratava de um elefante. Mas se tirarmos a tromba a um elefante, nem por isso deixa ele de ser um elefante; mesmo que morra em conseqüência da brutal operação, continua a ser um elefante; continua, pois um elefante morto é, em princípio, tão elefante como qualquer outro. Refletindo nisso, lembrei-me de averiguar se aquilo tinha quatro patas, quatro grossas patas, como costumam ter os elefantes. Não tinha. Tampouco consegui descobrir o pequeno rabo que caracteriza o grande animal e que, às vezes, como já notei em um circo, ele costuma abanar com uma graça infantil. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Terminadas as minhas observações, voltei-me para a professora e disse convincentemente: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;No, it's not&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ela soltou um pequeno suspiro, satisfeita: a demora de minha resposta a havia deixado apreensiva. Imediatamente perguntou: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Is it a book&lt;/em&gt;? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sorri da pergunta: tenho vivido uma parte de minha vida no meio de livros, conheço livros, lido com livros, sou capaz de distinguir um livro a primeira vista no meio de quaisquer outros objetos, sejam eles garrafas, tijolos ou cerejas maduras — sejam quais forem. Aquilo não era um livro, e mesmo supondo que houvesse livros encadernados em louça, aquilo não seria um deles: não parecia de modo algum um livro. Minha resposta demorou no máximo dois segundos: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;No, it's not&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tive o prazer de vê-la novamente satisfeita — mas só por alguns segundos. Aquela mulher era um desses espíritos insaciáveis que estão sempre a se propor questões, e se debruçam com uma curiosidade aflita sobre a natureza das coisas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Is it a handkerchief&lt;/em&gt;? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fiquei muito perturbado com essa pergunta. Para dizer a verdade, não sabia o que poderia ser um &lt;em&gt;handkerchief&lt;/em&gt;; talvez fosse hipoteca... Não, hipoteca não. Por que haveria de ser hipoteca? &lt;em&gt;Handkerchief&lt;/em&gt;! Era uma palavra sem a menor sombra de dúvida antipática; talvez fosse chefe de serviço ou relógio de pulso ou ainda, e muito provavelmente, enxaqueca. Fosse como fosse, respondi impávido: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;No, it's not&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Minhas palavras soaram alto, com certa violência, pois me repugnava admitir que aquilo ou qualquer outra coisa nos meus arredores pudesse ser um &lt;em&gt;handkerchief&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ela então voltou a fazer uma pergunta. Desta vez, porém, a pergunta foi precedida de um certo olhar em que havia uma luz de malícia, uma espécie de insinuação, um longínquo toque de desafio. Sua voz era mais lenta que das outras vezes; não sou completamente ignorante em psicologia feminina, e antes dela abrir a boca eu já tinha a certeza de que se tratava de uma palavra decisiva. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Is it an ash-tray&lt;/em&gt;? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma grande alegria me inundou a alma. Em primeiro lugar porque eu sei o que é um &lt;em&gt;ash-tray&lt;/em&gt;: um &lt;em&gt;ash-tray&lt;/em&gt; é um cinzeiro. Em segundo lugar porque, fitando o objeto que ela me apresentava, notei uma extraordinária semelhança entre ele e um &lt;em&gt;ash-tray&lt;/em&gt;.&amp;#160; Era um objeto de louça de forma oval, com cerca de 13 centímetros de comprimento. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As bordas eram da altura aproximada de um centímetro, e nelas havia reentrâncias curvas — duas ou três — na parte superior. Na depressão central, uma espécie de bacia delimitada por essas bordas, havia um pequeno pedaço de cigarro fumado (uma bagana) e, aqui e ali, cinzas esparsas, além de um palito de fósforos já riscado. Respondi: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Yes&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que sucedeu então foi indescritível. A boa senhora teve o rosto completamente iluminado por onda de alegria; os olhos brilhavam — vitória! vitória! — e um largo sorriso desabrochou rapidamente nos lábios havia pouco franzidos pela meditação triste e inquieta.&amp;#160; Ergueu-se um pouco da cadeira e não se pôde impedir de estender o braço e me bater no ombro, ao mesmo tempo que exclamava, muito excitada: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;—&amp;#160; &lt;em&gt;Very well&lt;/em&gt;!&amp;#160; &lt;em&gt;Very well&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sou um homem de natural tímido, e ainda mais no lidar com mulheres. A efusão com que ela festejava minha vitória me perturbou; tive um susto, senti vergonha e muito orgulho. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Retirei-me imensamente satisfeito daquela primeira aula; andei na rua com passo firme e ao ver, na vitrine de uma loja, alguns belos cachimbos ingleses, tive mesmo a tentação de comprar um. Certamente teria entabulado uma longa conversação com o embaixador britânico, se o encontrasse naquele momento. Eu tiraria o cachimbo da boca e lhe diria: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;--&amp;#160; &lt;em&gt;It's not an ash-tray&lt;/em&gt;! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E ele na certa ficaria muito satisfeito por ver que eu sabia falar inglês, pois deve ser sempre agradável a um embaixador ver que sua língua natal começa a ser versada pelas pessoas de boa-fé do país junto a cujo governo é acreditado. &lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Maio, 1945&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;(fonte: releituras.com)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6868766391283807356?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6868766391283807356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/10/cronica-aula-de-ingles.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6868766391283807356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6868766391283807356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/10/cronica-aula-de-ingles.html' title='Crônica: Aula de Inglês.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-3676130143548197429</id><published>2009-10-12T01:32:00.001-03:00</published><updated>2009-10-12T01:32:57.437-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Dois tímidos casos de dupla grafia.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mudanças sempre ocorrem. Uma das mais recentes foi a exclusão de todas os textos do antigo fórum SOLP, que, até então, tinha assumido o título &lt;em&gt;Só Português&lt;/em&gt;, como já havia falado em postagens passadas. O que ora se fez foi a mudança da estrutura de linguagem do fórum, que, segundo seu mantenedor, é mais sólida e prática. Felizmente, desta vez, não perdi os textos que havia publicado no antigo fórum; vinha-os salvando em arquivo de texto. Mingua a coragem e a disposição para continuar a escrever textos no fórum, que agora está mais bonito, mas meio sem graça. Teimo, no entanto, em escrever um ou outro. Abaixo está o mais recente texto do fórum escrito por mim; trata de duas das mudanças trazidas pelo Acordo de 1990, as quais, certamente, não nos farão muito preocupados em segui-las.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Gostaria de saber se a palavra &lt;em&gt;fenômeno&lt;/em&gt; pode ser escrita destas duas formas: &lt;em&gt;fenómeno&lt;/em&gt; - &lt;em&gt;fenômeno&lt;/em&gt;, pois a rede globo [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;] está vinculando estas duas escritas e meus alunos me perguntaram sobre isso e não soube responder.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olá, ***. Consoante o texto do Acordo Ortográfico de 1990, com o ventilado escopo de unificação ortográfica, a grafia &lt;em&gt;fenómeno&lt;/em&gt;, típica de Portugal, também poderá ser escrita por nós, brasileiros. No Brasil, por se pronunciarem as palavras afins com timbre fechado, será, no entanto, bastante estranho grafarmos os brasileiros &lt;em&gt;fenómeno&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pénis&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;fémur&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ónix&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;António&lt;/em&gt; etc., como fazem os portugueses. A regra da dupla grafia dá-se, geralmente, com as paroxítonas e com as proparoxítonas que têm sílaba tônica (&lt;em&gt;tónica&lt;/em&gt;, outro exemplo) cuja vogal, em fim de sílaba, &lt;em&gt;se encosta&lt;/em&gt; ao &lt;em&gt;m&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;n&lt;/em&gt;, consonantais, da sílaba seguinte. Nas pronúncias &lt;em&gt;cultas&lt;/em&gt;, é comum ocorrer às palavras que satisfazem ao caso a oscilação de timbre da vogal tônica; a dupla grafia veio para agradar a gregos e troianos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outro caso interessante de dupla grafia, agora permitida pelo Acordo, é o dos verbos homônimos (ou &lt;em&gt;homónimos&lt;/em&gt;) em duas flexões: na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e na mesma pessoa e número do pretérito perfeito do indicativo. De havia muito, já me tinha acostumado com o modo estranho, e não menos interessante, como meu pai fala verbos como &lt;em&gt;tratamos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;jogamos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cantamos&lt;/em&gt; e quejandos; quando no pret. perfeito do indicativo, ele assim os pronuncia: [&lt;em&gt;tra'támUS&lt;/em&gt;], [&lt;em&gt;jo'gámUS&lt;/em&gt;], [&lt;em&gt;cã'támUS&lt;/em&gt;] etc. Isso, na realidade, reflete o momento em que meu pai se alfabetizou, quando &lt;em&gt;o nosso português&lt;/em&gt; ainda estava muito ruim das pernas, bastante preso aos ditames lusitanos. Pronunciar tais palavras com o &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; aberto é prática tão comum em Portugal, que lá se permite o acento agudo em &lt;em&gt;tratámos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;jogámos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cantámos&lt;/em&gt; etc., para que ocorra a distinção destas formas com as do presente do indicativo. Com a chegada do Acordo, a dupla grafia entrou a imperar. No entanto, isso pouco influirá, acredito, no modo como escreve o brasileiro. Isso é certo somente se o espírito de colonialismo linguístico, tão comum entre os que vivem neste país, não for mais forte; os modismos começam a tomar forma quando pequenas, e igualmente bobas, novidades de fora se implantam em terras tupiniquins. Os pobres falantes frandunos, geralmente os topetudos de classe alta, são os principais alvos de ataques de subserviência aos modos estrangeiros. Ora, eles todos são grandinhos e vacinados! Sabem muito bem escolher como falar. Não dizem &lt;em&gt;snob&lt;/em&gt; (pedante), &lt;em&gt;gare&lt;/em&gt; (estação ferroviária), &lt;em&gt;barman&lt;/em&gt; (preparador de bebidas em bar), &lt;em&gt;box&lt;/em&gt; (caixa), &lt;em&gt;dancing&lt;/em&gt; (danceteria), &lt;em&gt;fashion&lt;/em&gt; (moda), &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt; (passatempo) etc. apenas porque assim leem em uma ou outra revista suspeitas. Fazem-no, em verdade, por puro espírito colonialista e por forte desprezo pelo que, culturalmente, se produz no Brasil. Para o caso dos empréstimos rigorosamente necessários, sugiro que sempre se faça o bom aportuguesamento; não nos custa escrever &lt;em&gt;leiaute&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;xópin&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;xampu&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;estresse&lt;/em&gt; etc. Para o caso das palavras cujo aportuguesamento não cai bem, devem-se escrever conforme a antiga regra das aspas ou do grifo (itálico). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bom, espero que haja mais consciência no modo como se escreve e fala.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um abraço. Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-3676130143548197429?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/3676130143548197429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/10/gramatica-dois-timidos-casos-de-dupla.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3676130143548197429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3676130143548197429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/10/gramatica-dois-timidos-casos-de-dupla.html' title='Gramática: Dois tímidos casos de dupla grafia.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2219198742853946765</id><published>2009-09-04T17:09:00.001-03:00</published><updated>2009-09-04T17:09:43.171-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O Pneu</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Pneu&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Que se façam as orações do dia! Mais um reflexo da natureza humana estoura na carreira de um menino atrás de um pneu, que desce, como se fugisse, temeroso, às suas pretensões inocentes, ao sorriso largo de criança, a todo aquele poder de não se ter vergonha. A alma nua da figura pueril é imperceptível a todos os que veem ridícula a perseguição àquele pedaço de borracha circular. A alma nua de criança ofende; a alma nua de criança existe, graças a Deus. Os ternos, os bigodes, as pastas, os óculos e os quejandos ambulantes fazem-se ofendidos, mesmo que intimamente, com toda a liberdade gozada pela criança sem camisa, que ora perde para o ligeiro pneu na carreira. Que atração haveria em correr atrás de algo que certamente se pegará? Aquele pneu tem de parar em algum local e em algum momento, e o menino, tendo em mãos a borracha, verá ter sido tão vã a perseguição. Perdera muito tempo, perdera saúde e perdera a alegria de ter podido jogar bola com os amigos, ou soltar pipa, ou qualquer outra coisa comum ao espírito de criança, porque quis, em vez de tudo isso, correr deliberadamente atrás de um pneu. Pensam assim aqueles objetos ambulantes a que me referi; são as mentes azedadas pelo mau viver em sociedade ou pelo achar que existe um padrão de retidão comportamental imaculado, que, em verdade, não é mais sério que uma coalhada. Elas tentam rememorar o que é ser criança. Elas enxergam o ser criança como a atitude sistemática de obedecer a uma série de tarefas diárias, que inclui todo o conjunto de pesos não suportados pelas pobres cabeças adultas e transmitidos acintosamente às nossas criancinhas. Isso tudo à custa de terem-no feito os pais dos pais; pensam, portanto, as mentes cansadas que, assim procedendo, colaboram decerto com o perpetuar da ideia de que a infância correta gera o homem correto e de que a adolescência correta gera o homem correto, mas não dão de cara com o parecer tolo que gratuitamente fornecem, todos os dias, sobre as noções de civilidade, postura, educação etc. Enquanto as cabeças não movem os olhos (ou seria o contrário?), o pneu, infrene, continua seu itinerário não traçado; o menino larga o dedão num bico de pedra e perde parte da unha, o que, naquela hipnose de correr e correr, não significa mais que uma cara feia e umas interjeiçõezinhas sujas, aprendidas com os amigos mais velhos; isso tudo se dá sem que ele pare de correr. A indiferença do menino ao comportamento adulto é gigantesca, ao passo que os anônimos, os clones ambulantes, dedicam parte da finalista atenção à inutilidade com que se sobeja a figura descamisada e felizmente despreocupada. Isso é tão sensível que a indiferença meninil espanta os sustos tomados por alguns que, ao atravessarem a rua, se veem surpreendidos por um pneu. À criança só interessa estar correndo, posto que, no sentir, somente o atrai o processo; o menino é livre da adultidade doente de querer fazer tudo, absolutamente tudo, com os olhos voltados para qualquer coisa diferente do que está sendo feito. O adulto pensa em por que fazer; a criança, no entanto, quer continuar, sentir e conhecer o que se entrou a fazer. A incoação, para o adulto, é a questão, a dúvida, o problema, mas, para a criança, é o desate, a solução, a experiência. O itinerário infindo do pneu parece lógico apenas à cabeça da criança.    &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O pneu vai-se distanciando e conquistando territórios mais planos, como se devassasse a fragilidade cinza dos homens, que, cobertos pelas camadas inquebrantáveis da retidão que apregoam, são, ao último e preciso soco, como a mais frágil peça de porcelana da vovó, cuidadosamente guardada e mantida sob estúpida quietude, com o fito de não se poder usar. O homem é o cordeiro perseguido por medos e dúvidas, é o sítio em que reina incólume a hostilidade compartilhada exaustivamente pelos que creem ser a sociedade o reflexo do que vivem interiormente. Se a sociedade for, de fato, a indução do comportamento humano intensamente preocupado com o que se pode obter de tudo e de todos, o que se dá entre os homens é a solidária atitude de compartilhar egoísmos. O menino certamente passará à classe perdida das atitudes programadas, dos gestos disfarçados, dos sorrisos caústicos, das bocas cuspidas e dos olhos vendados e vendidos. Enquanto isso não se dá, o que se tem de fazer é percorrer vigorosamente o pneu, talvez a única coisa que faz completo sentido numa paisagem absolutamente torpe, em que progredir é antes fazer tudo se perder e orgulhar-se disso.     &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O círculo teima em querer conhecer o chão, e o menino aquiesce à teimosia. A cicloide já não é tão perfeita quanto antes. O vigor com que, rápido, o menino se aproximava do pneu parece resumir-se à medida do passo que se dá entre a corrida e a caminhada. A borracha inclina-se e tende a revelar ao chão a lateral do objeto que constitui. A agitação momentaneamente cessa. O menino vê tudo aquilo com o sorriso estampado no rosto. Agora, estando parado e ofegante, sente a dor do dedão desunhado. Depois de alguma meditação, toma o pneu e resolve fazer tudo novamente, com a mesma alegria e entusiamo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-2219198742853946765?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/2219198742853946765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/09/cronica-o-pneu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2219198742853946765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2219198742853946765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/09/cronica-o-pneu.html' title='Crônica: O Pneu'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4673045433193793993</id><published>2009-07-30T18:15:00.001-03:00</published><updated>2010-02-19T20:56:23.228-03:00</updated><title type='text'>História da Matemática: Tartaglia e as Equações Algébricas.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Como já havia dito, tenho preparado texto em que trato, despretensiosamente, de equações algébricas e de polinômios. Enquanto preparava, separadamente, uma parte do texto, relativa à demonstração da fórmula de Cardano, que se aplica a um tipo de cúbica, pensava, sem intento deliberado, em escrever uma história que, desde o momento em que a ouvi, me chamou a atenção por tratar do destino de um jovem italiano que, com muito esforço, conseguiu transpor as barreiras que o separavam das luzes da ciência. O texto é adrede curto, pois, querendo não volumar ainda mais o tímido texto matemático que preparo, enxuguei, como sempre faço, os excessos e as ideias secundárias.&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Um Pouco de História: Tartaglia e as Equações Algébricas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/NicoloFontanadeBresciaTartaglia--1.jpg" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; As equações algébricas talvez sejam o tema mais importante e empolgante da Matemática no século XVI. Em tal período, muitos matemáticos, principalmente os italianos (por motivo claro: a Itália então vivia o esplendor do Renascimento), com muito fervor, lançavam-se ao estudo das equações algébricas, buscando os melhores métodos de resolução. Montavam-se verdadeiros arsenais de equações usados pelos estudiosos para competir publicamente entre si. São muitas as histórias sobre essas competições; algumas, incertas, com mais de uma versão, e outras, bastante precisas; todas, no entanto, trazem consigo a empolgação vivida na época e personagens muito curiosos. Um desses personagens é o autodidata Nicolo de Brescia (Tartaglia*), que teve infância bastante difícil pela intensa pobreza em que vivia com seus pais. Nasceu no ano de 1499, na cidade que lhe deu o sobrenome, e, desde cedo, mostrava-se uma criança muito curiosa, com a vontade de aprender que distingue esse tipo pueril. Em 1512, Brescia foi invadida violentamente pelos franceses, comandados por Gaston de Foix, e Tartaglia e seu pai, em fuga do terror que se estabelecera na cidade, como muitos dos moradores, tentaram resistir ao massacre que se dava nas ruas permanecendo dentro da catedral local, o que não lhes garantiu a segurança, pois, não respeitando o local sagrado, soldados franceses adentraram-no, destruindo o que se via pela frente e matando todos os que lá estavam, exceto o jovem Tartaglia. Seu pai foi morto e Nicolo teve o crânio fraturado e uma perfuração nada discreta do palato, a qual lhe causou forte gagueira. Desse problema fônico, vem o seu apelido Tartaglia, que, em italiano, significa tartamudo, gago. A salvação do jovem foi terem-no os soldados tido por morto devido ao severo dano capital que apresentava, enquanto os demais tinham-lhes as vidas ceifadas como se houvesse ali um monstruoso abate. A mãe de Tartaglia, que também conseguiu sobreviver, encontrou o filho na mesma situação de inconsciência em que ficara na catedral, tratando, de imediato, de retirá-lo seguro do local. Como vivia a família em extrema pobreza, a mãe não tinha suporte algum para garantir ao filho assistência médica, mas, segundo o que se conta, lembrou-se de um método duvidoso para tratar de chagas: lambê-las como fazem os cães. Contava Tartaglia, depois de salvo, que o método usado por sua mãe foi o que lhe garantiu a recuperação. O incidente, a nosso ver, foi uma prova da deliberação do destino, segundo a qual Tartaglia teria de viver para contribuir, de alguma maneira, com o desenvolvimento da ciência a que sempre revelou inclinação: a Matemática. Por verem-se-lhe as ferramentas de estudo extremamente escassas, Tartaglia, ainda criança, mas já depois do inditoso episódio por que passou e a que sobreviveu, roubou um caderno e passou a aprender a ler e escrever sozinho. Antes disso, tinha o hábito de riscar as lápides do cemitério como se fossem quadros-negros, por não ter ele recursos para a compra de papel. O mais impressionante é ter esse italiano, sozinho, aprendido, mesmo que intuitivamente, álgebra e aritmética com uma precisão assustadora (!). Posteriormente, entrou em sua vida o famoso professor da Universidade de Bolonha Scipione Del Ferro, que, impressionado com o gênio do tartamudo, informou a seu discípulo Antonio Maria Fiore a existência do jovem Nicolo. Não demorou muito para Tartaglia superar alguns matemáticos da época e revelar-se um excelente algebrista do séc. XVI. Passou a participar das disputas acaloradas que se davam sobre equações algébricas quando, por conta da descoberta da resolução da cúbica de forma x³ + px – q =0, que se credita a Del Ferro, foi desafiado por Fiore para uma competição em que cada um deveria propor trinta questões ao outro, todas envolvendo cúbicas, que deveriam ser resolvidas dentro de prazo de 40 a 50 dias. Não foi boa iniciativa de Fiore desafiá-lo, pois não sabia ele que Tartaglia descobrira, independentemente, os métodos de resolução de dois tipos de cúbicas, o que envolve equações da forma x³ + px = q, já conhecida por Fiore, e o que trata da resolução das cúbicas do tipo x³ + px² = q, até então desconhecido pelos matemáticos italianos. Bom, o resultado da disputa foi a humilhante vitória de Tartaglia por 30 a 0 (zero); todas as cúbicas propostas por Fiore, claro, eram do conhecimento do tartamudo, enquanto as propostas por Tartaglia eram todas da forma cuja resolução não era conhecida por seu adversário. O matemático derrotado tinha certo prestígio entre os cientistas de então, e a derrota que sofrera na disputa com Tartaglia foi, portanto, o que projetou este como um dos mais promissores matemáticos de sua época. É importante lembrar que as competições em que se envolviam os matemáticos serviam como termômetro, no meio científico, do que então se descobria e da competência e astúcia dos que se destacavam. É também importante lembrar que Tartaglia foi o primeiro matemático que usou a Rainha das Ciências nas técnicas de tiro de artilharia. Dedicou-se também à publicação de edições de Arquimedes e Euclides. A história que nos remete à descoberta da resolução da cúbica de Del Ferro e de Tartaglia revela uma personagem curiosa: Girolamo Cardano, mente inescrupulosa que ensinava matemática e praticava Medicina em Milão. Como se sabe, baseando-se em fontes árabes, Scipione Del Ferro havia descoberto o modo de resolver a cúbica em que falta o termo quadrático e, então, revelado o segredo a seu discípulo Antonio Maria Fiore. Como se percebeu, após a vitória de Tartaglia na disputa com Fiore, houve intensa atração dos matemáticos italianos pela nova mente que, segundo o que é registrado em obras sérias de História da Matemática, resolveu todos os problemas de Fiore em apenas duas horas (!). Um dos matemáticos que mais se impressionaram com o raciocínio de Tartaglia foi Zuanne de Tonini da Coi, que passou a corresponder-se, frequentemente, com o tartamudo. Uma das cartas de Zuanne a Tartaglia pode ser lida por meio do &lt;i&gt;link&lt;/i&gt; que se encontra no fim desta postagem. Outro que tratou de aproximar-se de Tartaglia foi Cardano, que, depois de solene juramento de segredo, conseguiu arrancar do gago a chave por meio da qual se resolve a cúbica desprovida de termo quadrático. Em 1545, em Nurembergue, foi lançado o livro &lt;i&gt;Ars Magna&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Arte Maior&lt;/i&gt;), grande tratado de Álgebra escrito por Cardano, e nele estava contida a famigerada chave de resolução confiada ao médico. Apesar de todos os protestos de Tartaglia, Ludovico Ferrari, um dos mais brilhantes discípulos de Cardano, argumentava ter seu mestre adquirido o segredo diretamente de Del Ferro, através de uma terceira personagem, e acusava Tartaglia de ter cometido plágio da mesma fonte. Como então não tinha meios de provar que confiara a Cardano o segredo da cúbica, a situação permaneceu como estava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abaixo está o &lt;em&gt;link&lt;/em&gt; que leva aos textos das cartas em que se correspondem Tartaglia, Zuanne, Zuan Antonio (livreiro que viajava frequentemente entre Veneza e Milão), Cardano e Ferrari; todas se referem ao conflito entre Cardano e Tartaglia acerca da chave de resolução da cúbica desprovida de termo quadrático.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.gap-system.org/~history/HistTopics/Tartaglia_v_Cardan.html" target="_blank"&gt;Tartaglia versus Cardan&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;___________    &lt;br /&gt;*Lê-se [&lt;em&gt;ta'talya&lt;/em&gt;].&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4673045433193793993?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4673045433193793993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/historia-da-matematica-tartaglia-e-as.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4673045433193793993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4673045433193793993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/historia-da-matematica-tartaglia-e-as.html' title='História da Matemática: Tartaglia e as Equações Algébricas.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5364128545970988757</id><published>2009-07-28T00:32:00.001-03:00</published><updated>2012-01-09T09:06:38.192-03:00</updated><title type='text'>Gramática: A dúvida da acentuação dos ditongos abertos “ei” e “oi”, a resposta, a discussão do novo VOLP e o ventilado Acordo Ortográfico.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; A partir de uma simples dúvida de um dos membros do fórum &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.soportugues.com.br/forum/" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, tentando eu esclarecer a questão, tratei novamente do assunto &lt;em&gt;Novo&lt;/em&gt; Acordo e dei um parecer sobre a nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (o famigerado VOLP), que está à venda por mais de cem reais. O assunto Reforma Ortográfica, já muito discutido na Internet, tem feito muitos doutos em língua portuguesa publicar esclarecimentos sobre o texto e as mudanças, o que causou, a princípio, um corre-corre na publicação de manuais e gramáticas atualizadas. Há também muitos aproveitadores, que se valem da &lt;em&gt;onda&lt;/em&gt; em que ingressaram muitos estudiosos, para ganhar o seu, explicando as alterações ortográficas e dirigindo odes ao novo texto e ao seu escopo de unificação ortográfica. O impressionante é o comportamento subserviente de muitos brasileiros diante da “novidade”; há muitos que acham bonito o repetido discurso da unificação, aprendem vigorosamente as mudanças e saem por aí admoestando uns aos outros com base nas novas regras — cansei de perceber um ou outro topetudo dizer por aí: “O trema não existe mais!”, “&lt;em&gt;Ideia&lt;/em&gt; perdeu o acento!”, “Escrever linguiça com trema agora é errado!” etc. Liga-se a tevê, o que hoje já não é boa atitude (ligando-se, tem-se de ter muito cuidado com o que nela é dito!), e veem-se, em uma canal de expressiva audiência, estampadas personalidades da música, do teatro, do cinema etc. dando dicas de como escrever corretamente, consoante as novas regras. Essa é uma ótima estratégia; o grosso do povo, que adora televisão, aprende rapidinho, se não, decora que é uma beleza. Não vou volumar mais este introito de postagem, porque o que mais interessa é o tópico, que está abaixo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Boa tarde!      &lt;br /&gt;Gostaria de saber por que o acento agudo foi eliminado da palavra ideia?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olá, &lt;em&gt;foristas&lt;/em&gt;. Esse assunto, já tão ventilado entre os que discutem língua portuguesa, tem recuperado uma questão controversa: por que se acentuam os paroxítonos em cuja sílaba tônica aparece um dos ditongos abertos /&lt;em&gt;ey&lt;/em&gt;/ e /&lt;em&gt;oy&lt;/em&gt;/ se de há muito não se faz isso aos paroxítonos comuns, ou seja, se a tendência natural do português, tal como a de outras língua novilatinas, é a paroxitonia? Simples: alguém, em algum momento, pensou em usar acento gráfico para distinguir timbre das vogais tônicas dos paroxítonos, fato desnecessário que não tem tradição nenhuma no idioma. Não acentuar os paroxítonos, exceto os que terminam em &lt;em&gt;-r&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-l&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-x&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-n&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-ão(s)&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-ã(s)&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-ps&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-ons&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-um&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-uns&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;-i(s)&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;-us&lt;/em&gt;, é a estratégia mais eficaz de facilitar o sistema ortográfico da língua portuguesa, porque, justamente pela paroxitonia do português, é mais simples acentuar as palavras que não são paroxítonas, de acordo com as regras que foram estabelecidas pelo formulário de 43, modificado pela lei n.º 5765 de 71. Antes dessa lei, os paroxítonos homógrafos deveriam ser distinguidos pelo emprego de acento diferencial; as palavras &lt;em&gt;acordo&lt;/em&gt; (substantivo) e &lt;em&gt;acordo&lt;/em&gt; (verbo) eram diferençadas, escrevendo-se, assim, &lt;em&gt;acôrdo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;acordo&lt;/em&gt;, respectivamente. O mesmo ocorria com &lt;em&gt;dêste&lt;/em&gt; (pron. demonstrativo) e &lt;em&gt;deste&lt;/em&gt; (verbo na 2.ª pess. do pret. perfeito), com &lt;em&gt;jôgo&lt;/em&gt; (substantivo) e &lt;em&gt;jogo&lt;/em&gt; (verbo), etc., que não são mais marcados por conta da referida lei. Essa mudança é inteligente porque, como se sabe, o motivo primeiro de empregar-se acento gráfico é a indicação de tonicidade, e não de timbre; insistir na ideia de usar acento para marcar timbre, nesses casos e em outros que descreverei, significa perturbar o sistema ortográfico, pois assim se têm duas formas de grafar homógrafos paroxítonos e, logo, dois conjuntos de palavras (significantes), ao passo que, com a eliminação desses acentos, se poderia ter apenas metade do número de vocábulos e, portanto, menos variabilidade, menos dúvidas e menos complicação. É provável que pensem que estou tratando de um assunto distante do Acordo de 90, mas não. O caso das palavras &lt;em&gt;ideia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;geleia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Coreia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;jiboia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;tipoia&lt;/em&gt; etc. é muito semelhante ao das que foram modificadas pela lei de 71, pois o acento que nelas, nas alteradas pelo &amp;quot;novo&amp;quot; Acordo, se empregava tinha por papel primeiro a indicação de timbre, e não de tonicidade. Ora, para tornar clara a desnecessidade do emprego de acento em tais ditongos, basta perceber que, em qualquer posição diferente da penúltima sílaba, a vogal tônica exigiria acento gráfico segundo as normas do formulário que vigia até o fim do ano passado e do que então vigora. Então, como é bem perceptível, não há necessidade de pertubar o sistema ortográfico com regras que nada acrescentam à acentuação gráfica. Bom, se alguém ainda quiser escrever &lt;em&gt;idéia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;jibóia&lt;/em&gt; etc., certamente não se incomodará em grafar &lt;em&gt;bôlo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;dêste&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;gôsto&lt;/em&gt; etc. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não sou de todo a favor do &amp;quot;novo&amp;quot; Acordo. Esperava que, com a publicação do novo VOLP, as coisas fossem mais bem esclarecidas. O que ocorre, no entanto, é o contrário: as coisas estão bem mais obscuras. Entenderam mal os &lt;em&gt;sentados da academia&lt;/em&gt;, a que se refere o colega [o confrade é um dos membros do fórum &lt;em&gt;Só Português&lt;/em&gt;], algumas novas normas do Acordo e prescreveram algumas grafias totalmente extravagantes. Alguém se lembra da tão famigerada noção de composição? Pois é, com a nova edição do VOLP, as palavras &lt;em&gt;pé-de-moleque&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;água-que-passarinho-não-bebe&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;maria-vai-com-as-outras&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pé-de-chinelo&lt;/em&gt; e quejandos, que sempre foram compostos hifenizados, passam a &lt;em&gt;pé de moleque&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;água que passarinho não bebe&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;maria vai com as outras&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pé de chinelo&lt;/em&gt; etc. A noção de composição nestes &amp;quot;compostos&amp;quot; do VOLP, que mais parecem locuções substantivas, se enfraquece de tal modo que não se veem mais, a não ser pelo contexto, os significados de doce feito de mandioca, fubá, coco, açúcar e amendoim, em &lt;em&gt;pé de moleque&lt;/em&gt;; de cachaça, em &lt;em&gt;água que passarinho não bebe&lt;/em&gt;; de pessoa de personalidade fraca que é facilmente influenciável pela opinião de outras, em &lt;em&gt;maria vai com as outras&lt;/em&gt;; de marginal pouco perigoso, em &lt;em&gt;pé de chinelo&lt;/em&gt;. Interpretaram os da academia que todo composto que contiver preposição(ões) ou conjunção(ões) ou for frasal, ao estilo de &lt;em&gt;maria-vai-com-as-outras&lt;/em&gt;, não deve ser hifenizado, o que foge do plano da morfologia e parte para a sintaxe, como bem disse o nosso Dr. Moreno em excelente conjunto de artigos sobre o novo VOLP. Imagine-se como se dirá a uma criança que está aprendendo português que &lt;em&gt;água que passarinho não bebe&lt;/em&gt; (sim! esse catatau sem nenhum traço-de-união) é uma palavra (!), e não uma frase. Além dessa aberração, que, como se vê, não é pequena, há diversas vacilações e incoerências, dentro do VOLP, acerca da flexão de palavras compostas (por ex., diz-se que o plural de &lt;em&gt;pinga-pinga&lt;/em&gt; é &lt;em&gt;pingas-pinga&lt;/em&gt; — cruzes!).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A quem quiser ler os ótimos artigos do Dr. Cláudio Moreno deixo os linques: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/06/02/nao-compre-o-novo-volp-8%C2%B0-de-10/" target="_blank"&gt;Não compre o novo VOLP! — 1.ª parte&lt;/a&gt;     &lt;br /&gt;&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/06/02/nao-compre-o-novo-volp-2%C2%AA-parte-9%C2%B0-de-10/" target="_blank"&gt;Não compre o novo VOLP! - 2.ª parte&lt;/a&gt;&amp;#160; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/06/26/nao-compre-o-novo-volp-3%C2%AA-parte-10%C2%BA-de-10/" target="_blank"&gt;Não compre o novo VOLP! 3.ª parte&lt;/a&gt;     &lt;br /&gt;&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/07/11/nao-compre-o-novo-volp-final/" target="_blank"&gt;Não compre o novo VOLP (final)&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Do ponto de vista político, o Acordo não tem muita razão de ser; é necessário perceber que os gastos serão bem grandes por conta desse 0,5% de mudança do &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt; tomado no Acordo, que contém aproximadamente 110.000 palavras. Imaginem quantos livros terão de ser reeditados! É lucro certo para as editoras! E o Brasil, que já tem uma estrutura educacional bem frágil, decerto terá ainda mais prejudicada a aprendizagem das gerações vindouras.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já tratei demasiadamente do assunto Acordo Ortográfico, de modo que me cansa pensar em falar novamente o que por mim já foi dito várias vezes. O escopo de esclarecer a falsa proposta de unificação, o mote maior dos &lt;em&gt;acordistas&lt;/em&gt;, é o que me dá energia para tornar a escrever sobre o assunto. Se se procurarem textos meus pela Internet afora, ou mesmo neste fórum, com certeza, ver-se-á que neles sempre afirmo que o texto do Acordo apresenta incoerências e vacilações, apesar de trazer algumas novas regras de há muito necessárias. Isso é tudo o que ora posso falar sobre o assunto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um abraço. Até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5364128545970988757?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5364128545970988757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-duvida-da-acentuacao-dos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5364128545970988757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5364128545970988757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-duvida-da-acentuacao-dos.html' title='Gramática: A dúvida da acentuação dos ditongos abertos “ei” e “oi”, a resposta, a discussão do novo VOLP e o ventilado Acordo Ortográfico.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6511351668606488030</id><published>2009-07-18T22:09:00.001-03:00</published><updated>2009-07-18T22:09:10.701-03:00</updated><title type='text'>A (não-)crônica: O simples tratar de um segundo aniversário…</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; São já dois anos em que escrevo em &lt;i&gt;O Rascunho&lt;/i&gt;, blogue que, como já dissera, foi criado despretensiosamente em uma tarde de domingo que me punha angustiado. Pela falta de Internet no dia em que se deu o segundo aniversário, escrevo três dias após, tentando mostrar o básico que é descrever, pela segunda vez, esta data comemorativa. Quanto ao problema de acesso à Internet, o que houve foi a mudança para plano telefônico que promete à família mais economia e gerou minha hesitação em conectar-me por não saber se o novo plano já estaria valendo. Não se deram muitos textos no ano corrente; houve, como causa disso, vicissitudes que em mim calam fundo. Um ou outro texto de gramática, alguns textos alheios e um texto de Matemática Elementar é o que foi feito durante este ano. É provável ainda que o volume dos textos diminua significativamente nos meses que se seguirão. Não haverá tempo, senão no domingo à noite, e ainda assim com risco de não haver tempo nesse horário, para escrever muitos textos. Seria minha meta escolher mais de 28 textos para o segundo semestre; refiro-me a textos menos desazados do que os que aqui já quedaram. Entre esses produtos, há a promessa de novo texto de Matemática Elementar, cuja preparação fora interrompida em janeiro, o qual trata de polinômios e de equações algébricas e tem escopo diferente dos que hoje estão disponíveis: tratar de alguns métodos de resolução particulares e de temas que muito contribuem com resolver problemas modelo. Há alguns dias, escrevia texto sobre os 100 anos de Patativa do Assaré, porém acabei-o perdendo por problema de energia elétrica: houve queda de energia, e o editor que então usava não salvava cópia de segurança. Depois de algum tempo, reiniciado o computador, saí atrás de qualquer arquivo de texto nas pastas temporárias que pudesse ser aquele que estava escrevendo. Em vão foi a procura, o editor não o salvara mesmo; perdi-o. Outra promessa, portanto, é um texto sobre a ave que melhor cantou a complexidade do sertanejo e de seu torrão, quer na aparente frivolidade pitoresca de algumas de suas histórias, quer na importante moral que elas revestem. Nesse texto, contarei a primeira ocasião em que vi Patativa: uma visita ao museu de Santana do Cariri, em que havia muitas pessoas se dirigindo ao velhinho, que, sentado em uma cadeira, com uma placidez contagiante, respondia a todas as perguntas, recitando algumas de suas poesias, pedidas por eles e lembradas instantaneamente pelo poeta. Há também muitas datas importantes a serem discutidas, razões de prováveis novos textos; são 40 anos de &lt;i&gt;Woodstock&lt;/i&gt;, 50 anos de &lt;i&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/i&gt;, 50 anos de Revolução Cubana, o segundo centenário de nascimento de Charles Darwin, os 150 anos da teoria da evolução etc. A partir de agosto deste ano, terei de enfrentar novo ritmo de estudo, bem mais puxado; começam as aulas da faculdade de Medicina para qual fui aprovado. Como, obviamente, o tempo livre, aquele que se destina principalmente às minhas escrevinhações, me será mais restrito, deixo claro não ser possível, a rigor, seguir a periodicidade dos domingos de texto, que era seguida em 2008. Como foi dito, os textos decerto escassearão.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6511351668606488030?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6511351668606488030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/nao-cronica-o-simples-tratar-de-um.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6511351668606488030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6511351668606488030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/nao-cronica-o-simples-tratar-de-um.html' title='A (não-)crônica: O simples tratar de um segundo aniversário…'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8220111688332452671</id><published>2009-07-12T01:59:00.001-03:00</published><updated>2009-07-12T01:59:01.657-03:00</updated><title type='text'>Gramática: As demais questões comentadas do concurso do TRE-MA (CESPE) – 2009.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/Logo-PortugusemConcursos.jpg" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Como havia prometido, trago as demais questões de português comentadas, do concurso do TRE-MA (CESPE), realizado em 21 de junho de 2009. Há questões de mais de um caderno; algumas pertencem a provas de mais de um cargo. Para que não haja tanta confusão, tomei dois cadernos que contêm todas as questões que faltavam: o caderno Z e o lambda. Seguem abaixo os &lt;i&gt;links&lt;/i&gt; dos cadernos e o comentário das questões restantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;• Provas:   &lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.cespe.unb.br/concursos/TRE%5FMA2009/arquivos/TREMA_CARGO_07_CAD_Z.pdf" target="_blank"&gt;Caderno Z&lt;/a&gt;.    &lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.cespe.unb.br/concursos/TRE%5FMA2009/arquivos/TREMA_CARGO_04_CAD_LAMBDA.pdf" target="_blank"&gt;Caderno lambda&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;• Comentário das questões restantes:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;- Caderno Z:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.ª Questão)&lt;/strong&gt; A única opção que apresenta incorreção gramatical é a bê. Rigorosamente, há dois erros: um de paralelismo sintático e outro de concordância verbal. No aposto &lt;i&gt;diferença entre o custo de captação e juro cobrado no empréstimo&lt;/i&gt;, referente à palavra inglesa &lt;i&gt;spread&lt;/i&gt;, não se deu muita importância ao paralelismo porque não se empregou o artigo definido antes de &lt;i&gt;juro&lt;/i&gt;, para que assim houvesse a simetria entre os termos coordenados. Alguns gramáticos são mais brandos quanto ao paralelismo, evitando até tratar do assunto em suas gramáticas. A incorreção mais grosseira, no entanto, é o emprego da forma &lt;i&gt;tem&lt;/i&gt;, em vez de &lt;i&gt;têm&lt;/i&gt;. O sujeito elítico é da terceira pessoa do plural; basta atentar na flexão do verbo &lt;i&gt;bastam&lt;/i&gt;, que inicia o período. Para que haja concordância, é necessário que o verbo &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; também se flexione na terceira pessoal do plural, assumindo a forma &lt;i&gt;têm&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra bê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.ª Questão)&lt;/strong&gt; Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, há erro crasso no emprego da vírgula. Vale lembrar que não se devem separar termos integrantes com vírgula. Assim, não se justifica a vírgula após o verbo &lt;i&gt;contribuir&lt;/i&gt;; a oração introduzida pela preposição &lt;i&gt;para&lt;/i&gt; é subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo. Poderiam pensar alguns que &lt;i&gt;para&lt;/i&gt; introduz oração adverbial, ideia que não é coerente porque ocorre esvaziamento do significado de tal preposição; ela apenas contribui com a transitividade indireta do verbo &lt;i&gt;contribuir&lt;/i&gt;, que, por sinal, pode reger complemento indireto introduzido por &lt;i&gt;para&lt;/i&gt; ou por &lt;i&gt;com&lt;/i&gt;. No caso, só seria possível o emprego de &lt;i&gt;para&lt;/i&gt;. Na letra bê, pecou-se por falta de vírgula. Deve-se lembrar que, quando deslocadas, as orações subordinadas adverbiais devem sempre vir separadas por vírgulas. O trecho seria mais bem escrito assim: “As mais prejudicadas, como era previsível, foram as pequenas, as médias e as microempresas”. A letra cê está impecável quanto à pontuação. A letra dê traz enunciado obscuro, com empregos injustificáveis de ponto-e-vírgula e de vírgula. Quando ocorre adjetivo ou advérbio em grau comparativo de superioridade, havendo oração subordinada adverbial como segundo membro da comparação, esta não deve ser separada por vírgula. Também não há necessidade do emprego do ponto-e-vírgula; repare-se que não existem orações coordenadas e que adjunto adverbial &lt;i&gt;por causa da concentração&lt;/i&gt; foi separado do sintagma a que pertence como determinante: a oração subordinada adverbial comparativa. Não se deve colocar vírgula antes da conjunção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, que, nesse caso, coordena os núcleos do predicativo do sujeito. Não creio ser necessária a vírgula que isola o termo na &lt;i&gt;capacidade de emprestar&lt;/i&gt;, que, visto como adjunto adverbial de situação (v. &lt;i&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/i&gt;), está em sua posição normal dentro do período. O trecho corretamente reescrito fica assim: “Nesta crise, esses bancos são menos numerosos do que já foram por causa da concentração e também os mais prejudicados na capacidade de emprestar”. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, repete-se o mau emprego de vírgula antes da conjunção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, que coordena orações de mesmo sujeito, e comete-se outra incorreção famosa: separar, com vírgula, termo integrante, que é representado, nesse caso, pela oração substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo &lt;i&gt;a aplicar dinheiro em certificados de depósito emitidos por esses bancos&lt;/i&gt;. O trecho corrigido fica assim: “O Governo identificou o problema e tomou medidas para estimular os poupadores a aplicar dinheiro em certificados de depósito emitidos por esses bancos”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra cê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.ª Questão)&lt;/strong&gt; Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, a proposta de substituição de &lt;i&gt;por ser&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;uma vez que é&lt;/i&gt;, fazendo-se os ajustes descritos na opção, pode ser adotada sem que haja corrupção dos preceitos gramaticais. A conjunção &lt;i&gt;uma vez que&lt;/i&gt; também é causal, entretanto só introduz oração desenvolvida, o que exige a mudança das formas verbais &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; para &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;tem&lt;/i&gt;. Quanto ao que se diz na letra bê, é, de fato, possível a substituição de &lt;i&gt;mas&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;porém&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;contudo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;todavia&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;no entanto&lt;/i&gt;, também conjunções adversativas. Quanto ao que se diz na letra cê, ocorre realmente a elipse da expressão &lt;i&gt;o preconceito racial&lt;/i&gt;, que funciona como sujeito, obviamente elítico. Sobre a letra dê, realmente, a crase deve-se à regência do nome transitivo &lt;i&gt;respeito&lt;/i&gt;, que exige complemento nominal introduzido pela preposição &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, e à presença de artigo feminino plural, ocorrendo assim a contração &lt;i&gt;às&lt;/i&gt;, resultante da fusão da preposição com o artigo. Sobre a letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, a locução conjuntiva &lt;i&gt;bem como&lt;/i&gt; é coordenativa aditiva, não indicando, portanto, circunstância de fim ou de qualquer outra natureza; essa locução costuma aparecer em correlação com palavras que pertencem à oração anterior, o que reforça a noção aditiva do que é tratado em uma e outra oração coordenadas. Esta opção está, portanto, errada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;4.ª Questão)&lt;/strong&gt; Questão que não oferece muita dificuldade a quem com ela depara; basta um pouco mais de atenção, o que é facilitado por leitura não muito rápida. O problema está na letra dê, bem naquela palavrinha que está flexionada no feminino, lá no finalzinho do período. Trata-se de &lt;i&gt;próxima&lt;/i&gt;, que tem como referente (determinado no sintagma) a palavra &lt;i&gt;estoque&lt;/i&gt;, de gênero masculino, com a qual deve concordar em número e em gênero.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra dê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;5.ª Questão)&lt;/strong&gt; Trata esta questão, essencialmente, de aspectos da sintaxe. Acerca do que se diz em &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, é sabido que uma das principais características do uso de vírgula, se não a mais evidente, é realizar a separação de termos coordenados, numa enumeração. A vírgula que, no texto, se pospõe ao nome &lt;i&gt;Rússia&lt;/i&gt; obedece justamente a esse princípio, separando esse substantivo de &lt;i&gt;Índia&lt;/i&gt;. Vale lembrar que, numa coordenação em que não se reitera a conjunção aditiva &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; entre cada termo coordenado, não se deve empregar vírgula entre os dois últimos termos da coordenação, pois, nesse caso, a conjunção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; exerce o papel que lhe é próprio: o de coordenar. Por exemplo: escreve-se &lt;i&gt;ao lado de Rússia, China e Índia&lt;/i&gt; em vez de &lt;i&gt;ao lado de Rússia, China, e Índia&lt;/i&gt;, forma incorreta. A opção tratada é, pois, a correta. A letra bê afirma, incorretamente, que a oração &lt;i&gt;que afligem a sociedade&lt;/i&gt; é subordinada adjetiva explicativa. Importante, perceber que a informação nela contida não é acessória, ou secundária, à determinação do substantivo &lt;i&gt;males&lt;/i&gt;; em verdade, tal oração é fundamental ao entendimento da qualidade dos referidos males, ou seja, a oração restringe a significação do substantivo, diferençando-o de outros males que existem. A oração discutida é, na realidade, adjetiva restritiva; está, pois, errada a opção bê. Veja-se atentamente o que se diz na opção cê; o emprego de dois-pontos se justifica, no caso, por motivo diverso daquele apresentado na opção. Esse sinal de pontuação é empregado para indicar que, após ele, vem um aposto; equivale, pois, a uma vírgula. O aposto a que me refiro é &lt;i&gt;burocracia e corrupção&lt;/i&gt;, que se refere a &lt;i&gt;dupla severa&lt;/i&gt;. Nada tem a ver, nesse caso, o emprego de dois-pontos com a presença de citação, que, por sinal, sequer existe no texto. Na letra dê, afirma-se que o pronome &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; é índice de indeterminação do sujeito; está errada a afirmação, porquanto, para que seja o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; índice de indeterminação, o verbo a que se prende não pode ser transitivo direto, como o é &lt;i&gt;alimentar&lt;/i&gt;, na acepção que assume no texto. Ora, o sujeito está expresso pelo relativo &lt;i&gt;que&lt;/i&gt;, referente a &lt;i&gt;duas doenças terminais de qualquer sociedade&lt;/i&gt;! Também não dá cabimento o contexto à interpretação de que o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; seja partícula apassivadora. Atente-se em que as duas doenças terminais não são alimentadas por nada, ou seja, o verbo &lt;i&gt;alimentar&lt;/i&gt; não está em voz passiva. Na realidade, uma alimenta a outra e vice-versa; ocorre aqui reciprocidade da ação. A voz verbal é recíproca, e o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; é um mero complemento direto do verbo. O que torna ainda mais clara essa noção de reciprocidade é a presença do advérbio reforçativo &lt;i&gt;multuamente&lt;/i&gt;. Pelo que foi analisado, a opção dê está errada. Atente-se no que é dito na opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, há algo interessante nesta letra, que também está errada. É importante que ao leitor lembre a prática da indeterminação de um substantivo pela omissão do artigo que se lhe empregaria. Escrever &lt;i&gt;Não somos a favor de injustiças sociais&lt;/i&gt; não equivale, a rigor, a escrever &lt;i&gt;Não somos a favor das injustiças sociais&lt;/i&gt;, visto que o artigo tem o papel distintivo da determinação. Não há, porém, incorreção gramatical ao fazer-se tal mudança. O mesmo ocorre à oração presente na última linha do editorial do periódico pernambucano, ou seja, empregar ou não o artigo definido não torna o período gramaticalmente incorreto. Está errada, portanto, esta última opção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;- Caderno lambda:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.ª Questão)&lt;/strong&gt; Questões assim, de interpretação textual, não exigem tanto; a resposta está, claro, no texto. O que se tem de fazer é depreender bem as informações nele contidas. A tática de resolução mais lógica e coerente, a meu ver, é a comparação do que é dito em cada opção com o que está presente no texto, após, obviamente, ter-se lido todo ele. Veja-se o que se diz na opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;: nela se afirma peremptoriamente que a Lei do Estágio inibiu a oferta de vagas, por terem aumentado os encargos das empresas. Em nenhuma parte do texto, foi escrito que houve, de fato, inibição da oferta de vagas; o que está escrito é que se levantaram algumas poucas vozes, à época da apresentação da Lei do Estágio, que temiam que o aumento dos encargos às empresas inibisse a oferta de vagas, fato que, em nenhum momento do texto, aparece como concretizado. A letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; está errada por tornar real o temor de algumas poucas vozes. Na letra bê, a afirmação nela contida pode ser confirmada pelo trecho final do texto, em que se diz que a Lei do Estágio “foi saudada, principalmente pelos estudantes, cansados de passar o dia em atividades banais pouco instrutivas ou de trabalharem mais de oito horas diárias, sem décimo terceiro, INSS, FGTS, férias”. Esse trecho revela, evidentemente, a insatisfação da grande maioria dos estudantes com o estágio antes da promulgação da nova lei. Está correta a opção bê. A letra cê afirma, em essência, a informação corrigida da opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, ou seja, afirma que algumas poucas vozes contrárias, à época da apresentação da nova lei, temiam que houvesse redução da oferta de vagas, ou seja, temiam “que houvesse restrição na contratação de estagiários”. Está correta a letra cê. A letra dê contém uma das informações mais evidentes do texto, presente, por sinal, no discurso do ministro do trabalho, Carlos Lupi, que afirma que o maior objetivo da nova lei é “proporcionar a milhões de jovens estudantes brasileiros os instrumentos que facilitem sua passagem do ambiente escolar para o mundo do trabalho”. Está correta a letra dê. A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; contém, semelhantemente, uma informação que está bastante clara no texto; basta recorrer ao segundo período do terceiro parágrafo, em que se diz que “entre elas [as mudanças e as normas], destacam-se a limitação da jornada diária para seis horas, ...”. É evidente, portanto, que a letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; está correta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.ª Questão)&lt;/strong&gt; Esta questão, também simples, exige de quem a resolve conhecimentos de concordância verbal, de análise sintática e de referentes semânticos dentro de um texto. A letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; afirma basicamente a regra de concordância de verbo antes de sujeito composto, que diz que o verbo concorda com o núcleo mais próximo (concordância atrativa), ficando no sigular, ou com todos os núcleos (concordância lógica), indo ao plural. Então, no texto, o emprego da forma singular &lt;i&gt;destaca-se&lt;/i&gt; não acarretaria incorreção de concordância verbal; é, portanto, igualmente correto empregar a forma singular. Está correta a letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;. A letra bê afirma que o referente semântico do sujeito elítico &lt;i&gt;ela&lt;/i&gt;, que faz concordar no feminino a locução &lt;i&gt;foi saudada&lt;/i&gt;, é &lt;i&gt;oferta de vagas&lt;/i&gt;, o que não é verdade, pois a referência se faz, em verdade, a &lt;i&gt;nova lei&lt;/i&gt;, termo que inicia o último parágrafo. Está errada a opção bê. A letra cê está correta; é fácil perceber, pela flexão verbal no feminino do particípio, que &lt;i&gt;Promulgada em setembro de 2008&lt;/i&gt; se refere a &lt;i&gt;a nova Lei do Estágio&lt;/i&gt;. Quanto ao que se afirma na letra dê, o termo &lt;i&gt;Carlos Lupi&lt;/i&gt; é, de fato, aposto explicativo, pois, tendo valor substantival, retoma intrinsecamente o significado de seu referente &lt;i&gt;ministro do trabalho&lt;/i&gt;. Vale lembrar que aposto explicativo é sempre separado por uma ou duas vírgulas, dependendo da posição do termo no período. Se estiver no meio do período, virá entre vírgulas e, se estiver no final dele, aparecerá entre uma vírgula e o ponto que encerra o período. Está, portanto, correta a informação contida na letra dê. A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, que está no mesmo nível de simplicidade da opção anterior, afirma que a oração &lt;i&gt;que estágio não é emprego&lt;/i&gt; completa o sentido do verbo &lt;i&gt;dizer&lt;/i&gt;. De fato, o referido verbo é transitivo direto e tem como complemento direto a oração subordinada supra, transposta, ou &lt;i&gt;degradada&lt;/i&gt;, para nível de substantivo (v. &lt;i&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/i&gt;), que é a classe de palavra que assume a função de termo integrante. A oração é subordinada substantiva objetiva direta e, de fato, integra a transitividade verbal de &lt;i&gt;dizer&lt;/i&gt;. Está correta a opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra bê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.ª Questão)&lt;/strong&gt; Esta é questão que, como algumas anteriores, trata de pontuação, de referentes semânticos etc. Infelizmente, as provas de concurso têm o mau hábito de elaborar série de questões muito parecidas, que, portanto, não demandam conhecimento mais amplo do candidato. Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, há a primeira discussão de morfologia; o verbo &lt;i&gt;pôr&lt;/i&gt; e seus derivados são irregulares nos seguintes tempos do indicativo: no presente, no pretérito perfeito, no imperfeito e no mais-que-perfeito. A irregularidade desses verbos transmite-se aos demais tempos que derivam do presente do indicativo e do pretérito perfeito do indicativo, que são chamados tempos primitivos. No imperfeito do indicativo, o verbo &lt;i&gt;dispor&lt;/i&gt; conjuga-se assim: &lt;i&gt;dispunha, dispunhas, dispunha, dispúnhamos, dispúnheis, dispunham&lt;/i&gt;. Em “O Brasil não dispunha”, o verbo está, obviamente, no pretérito imperfeito do indicativo, e não no presente, como se afirma na opção. Está incorreta a letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;. Na letra bê, discute-se a possibilidade de inserir vírgula entre &lt;i&gt;banais&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;pouco instrutivas&lt;/i&gt;. Este último termo é adjunto adnominal de &lt;i&gt;atividades&lt;/i&gt;, núcleo do complemento circunstancial introduzido por &lt;i&gt;em&lt;/i&gt;, e ademais é, morfologicamente, adjetivo restritivo, que não pode vir separado por vírgula(s). Como &lt;i&gt;pouco instrutivas&lt;/i&gt; não é termo meramente explicativo, o emprego de vírgula implicaria incorreção; seria ainda mais incorreto empregar, como sugere a opção, apenas uma vírgula após o adjetivo &lt;i&gt;banais&lt;/i&gt;, pois, entre os dois adjuntos determinantes de &lt;i&gt;atividades&lt;/i&gt;, não há coordenação, senão uma ordem de constituintes imediatos (v. &lt;i&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/i&gt;), que não permitem a sua separação deles por vírgula(s). Está incorreta a letra bê. A letra cê traz uma transgressão inédita (até nisso são criativos os elaboradores de prova de concurso!): &lt;i&gt;dúvidas&lt;/i&gt;, como nome transitivo, regendo complemente nominal introduzido pela expressão &lt;i&gt;no sentido em que. Tal expressão introduz, no mais das vezes, adjunto adverbial de modo, e não complemento nominal. O termo que integra o nome dúvida(s)&lt;/i&gt; é, em geral, introduzido pela preposição &lt;i&gt;de&lt;/i&gt;. Tem-se, portanto, &lt;i&gt;dúvida de algo&lt;/i&gt;, e não &lt;i&gt;dúvida em algo&lt;/i&gt; ou, ainda mais estranho e errado, &lt;i&gt;dúvida no sentido em que. A opção cê está incorreta. Na letra dê, aparece assunto bastante ventilado nesta prova, que são os referentes semânticos de termos na oração. O pronome possessivo seu&lt;/i&gt; refere-se à nova lei, e não ao ministro do trabalho Carlos Lupi. Isso é evidenciado pelo termo que antecede &lt;i&gt;seu maior objetivo&lt;/i&gt;, o predicativo &lt;i&gt;fruto de longo trabalho&lt;/i&gt;; decerto, o ministro não é o fruto de longo trabalho, mas sim a Lei do Estágio. A letra dê está incorreta. A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; trata do significado da palavra &lt;i&gt;discussão&lt;/i&gt;. Nesse caso, não significa contenda, altercação, mas sim o ato de discutir, de debater. Está correta a opção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;4.ª Questão)&lt;/strong&gt; Pontuação é outro assunto que os concursos não cansam de tratar duas, três, quatro ou mais vezes em uma mesma prova. Sobre a letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, o emprego de vírgula após a palavra &lt;i&gt;associadas&lt;/i&gt; é realmente obrigatório; vale lembrar que, quando se tem oração subordinada adverbial deslocada (seja ela reduzida ou desenvolvida), anteposta à oração principal, se faz obrigatório o uso de uma ou duas vírgulas para isolar a oração transposta. Como a oração subordinada presente no texto está no rosto do período, basta o emprego uma vírgula após a última palavra pertencente à subordinada. Seria também possível outra análise sintática: a oração reduzida de particípio pode ser classificada como adjetiva explicativa, o que também obriga o emprego de vírgula para isolá-la. Seja qual for a análise sintática, a vírgula deve obrigatoriamente aparecer após a palavras &lt;i&gt;associadas&lt;/i&gt;. A opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; está correta. Na letra bê, discute-se o emprego de vírgula que isola a oração subordinada adverbial posposta à principal, ou seja, em sua posição mais comum (ordem direta). Sabe-se que, nesse caso, é facultativo o emprego de vírgula; somente o estilo de quem escreve ou a ênfase têm poder para decidir se haverá ou não emprego de vírgula. A letra bê está correta. Em questões do tipo, espera-se que a opção decisiva seja a mais intricada e a que mais exige do candidato; ocorreu, porém, o contrário: a opção cê, a decisiva, é justo a mais simples. Acentuação é assunto que todo candidato tem de saber de cor e discutir sem pestanejar. Os vocábulos &lt;i&gt;estágio&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;diária&lt;/i&gt; são acentuados porque seguem a mesma regra: são paroxítonos terminados em ditongo crescente, também chamado equivocadamente ditongo gráfico por alguns gramáticos. O vocábulo &lt;i&gt;após&lt;/i&gt; entra na regra dos oxítonos terminados em &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;o&lt;/i&gt;, seguidos ou não de &lt;i&gt;s&lt;/i&gt; (ex.: &lt;i&gt;pó&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Feijó&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;alô&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Dedé&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;mongoió&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;bidê&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;só&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Orós&lt;/i&gt; etc.). Vale relembrar que são acentuados também os oxítonos terminados em &lt;i&gt;em&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;ens&lt;/i&gt; (ex.: &lt;i&gt;além&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;parabéns&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;aquém&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;também&lt;/i&gt; etc.) e nos ditongos orais abertos &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;ei&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;oi&lt;/i&gt;, seguidos ou não de &lt;i&gt;s&lt;/i&gt; (ex.: &lt;i&gt;céu&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;chapéu&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;coronéis&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;dói&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;lençóis&lt;/i&gt; etc.). Então, percebe-se que apenas os dois primeiros vocábulos, &lt;i&gt;estágio&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;diária&lt;/i&gt;, seguem a mesma regra de acentuação, e não os três, como foi dito na opção. Está incorreta a opção cê. A letra dê está correta porque, de fato, o verbo &lt;i&gt;provocar&lt;/i&gt; pode assumir mais de um significado; em alguns casos, pode significar dirigir provocações ou insultos, injuriar, e, em outros, pode significar gerar, ocasionar, produzir, que é o significado assumido pela palavra no texto (“... a nova Lei do Estágio ainda provoca [ocasiona, gera] dúvidas entre empresários e estudantes”). A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; também é bastante simples. A retirada do acento agudo de &lt;i&gt;dúvidas&lt;/i&gt; torna este vocábulo, materialmente, verbo flexionado na 2.ª pessoa do singular do indicativo presente, o que, obviamente, faria incoerente o trecho do texto em que aparece. Está correta a letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra cê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;5.ª Questão)&lt;/strong&gt; Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, inicialmente, já se percebe um erro: há três orações no período, e não duas, como foi dito. E as três estão ligadas apenas por relação de dependência, porque o período é composto apenas por subordinação. Existe uma oração subordinada adjetiva restritiva, determinante de &lt;i&gt;todas as coisas&lt;/i&gt;, e uma oração subordinada substantiva objetiva direta, que integra a transitividade do verbo &lt;i&gt;considera&lt;/i&gt;. A oração adjetiva é &lt;i&gt;que nos cercam&lt;/i&gt; e a objetiva direta é &lt;i&gt;que nós, ..., estejamos aqui por dádiva da criação divina&lt;/i&gt;. A oração principal é, obviamente, a que tem &lt;i&gt;considera&lt;/i&gt; por núcleo verbal do predicado verbo-nominal. Está incorreta, portanto, a opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;. A letra bê não iludirá os atentos; a última oração, que é a subordinada objetiva direta já apresentada, tem predicado verbal e apresenta como núcleo deste o verbo &lt;i&gt;estejamos&lt;/i&gt;, que (atenção!) é nocional, ou seja, não é verbo de ligação. Essa forma verbal apresenta evidente significação externa, não sendo, portanto, um mero instrumento gramatical. A significação interna, forte nos verbos de ligação, também chamados copulativos, não se apresenta do mesmo modo no verbo supra, que indica o processo verbal de &lt;i&gt;estar&lt;/i&gt; &lt;i&gt;materialmente&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;permanece no espaço que nos cerca&lt;/i&gt;, enquanto que o de ligação tem sua significação externa esvaziada, servindo apenas como elo entre o sujeito e o predicativo deste. O verbo &lt;i&gt;estejamos&lt;/i&gt;, nesse caso, é intransitivo, visto que, obviamente, a ação de estar não permite transitividade, não passando a um objeto o que (claro) não existe para tanto. Como o verbo em questão é intransitivo, não pode ele estar na voz passiva. A sua voz é ativa, e o termo introduzido pela preposição &lt;i&gt;por&lt;/i&gt; (não te enganes!) é mero adjunto adverbial de causa. Está incorreta a opção bê. Na letra cê, exagera-se. A palavra &lt;i&gt;paradoxo&lt;/i&gt; não foi empregada com o sentido de &lt;i&gt;antítese&lt;/i&gt;. Essa confusão que se faz entre as duas palavras, por sinal, não é nada recente; é possível que ocorra antítese sem haver paradoxo, também chamado de oximoro (vocábulo oxítono, e não paroxítono como querem alguns). Parodoxo é toda antítese que encerra contrassenso, ou seja, uma oposição ideal de conceitos, como, por exemplo, ocorre em “Brás Cubas, parece-me, vivia uma morte plácida” (viver a morte é um baita contrasseno). É importante que não se veja o paradoxo como um defeito de estilo por apresentar tal figura de pensamento um contrassenso ou um choque de idéias excludentes; em verdade, é recurso estilístico muito apreciado por vários escritores consagrados, clássicos ou contemporâneos. A antítese é qualquer aproximação de signos opostos, havendo ou não contrassenso; é, portanto, um conceito mais abrangente. A palavra &lt;i&gt;paradoxo&lt;/i&gt; foi empregada, no texto, em seu sentido próprio, ou seja, o de contrassenso, e não como mero contraste antitético. Está incorreta a opção cê. A letra dê poderia ser marcada sem que o candidato tivesse sequer lido as demais opções; eis uma máxima, repetida quase &lt;i&gt;ipsis litteris&lt;/i&gt; no texto. Não há dúvida de que a opção dê é a correta. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, o verbo &lt;i&gt;residir&lt;/i&gt;, na acepção de &lt;i&gt;consistir&lt;/i&gt;, é transitivo indireto e tem complemento indireto introduzido pela preposição &lt;i&gt;em&lt;/i&gt;, que, no caso, é &lt;i&gt;na relutância&lt;/i&gt;. Não tem, portanto, sentido completo o verbo em questão, exigindo objeto indireto que integre sua significação gramatical. A opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; está incorreta. Saindo um pouco do comentário desta questão, vale a pena, no entanto, discutir a transitividade do verbo &lt;i&gt;residir&lt;/i&gt; na acepção de morar, viver, fixar residência. Será que, em orações do tipo &lt;i&gt;Joaquim reside na rua onde morou sua tia&lt;/i&gt;, o verbo residir é intransitivo? É um questionamento que lanço ao leitor e com que a gramática escolar, infelizmente, se vê às voltas, não sabendo de onde tirar uma resposta coerente. Para não avolumar o texto com um assunto que não diz respeito aos comentários das questões, deixo ao leitor a tarefa de classificar o termo introduzido pela preposição &lt;i&gt;em&lt;/i&gt; e o referido verbo quanto à transitividade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra dê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;6.ª Questão)&lt;/strong&gt; Esta questão não se distancia, em grau de dificuldade, das demais. A opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; encerra erro claro, facilmente percebido quando se recorre à oração em que aparecem os verbos &lt;i&gt;detém&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;registra&lt;/i&gt;. O sujeito desses verbos é &lt;i&gt;o país&lt;/i&gt;. Não haveria justificativa alguma para acreditar que o sujeito dos dois verbos é indeterminado; basta lembrar que, para haver indeterminação do sujeito, formalmente, o verbo tem de estar na terceira pessoa do plural, não havendo referente algum, no texto, que possa ser um possível sujeito anteriormente expresso, ou, não sendo transitivo direto, tem de estar na terceira pessoa do singular, seguido da partícula &lt;i&gt;se&lt;/i&gt;, chamada índice de indeterminação do sujeito. Como não ocorre nem um desses dois casos e o sujeito está explícito no texto, não há menor possibilidade de haver indeterminação do sujeito. A opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; está, portanto, incorreta. A única opção que trata de tipologia textual, que é a bê, fá-lo de modo pobre, sem mais explorar as características do texto. Não há aspecto algum de narração no texto; ele mais se aproxima da tipologia dissertativa, tanto pela estética, quanto pelo caráter argumentativo. A escritora discute a visão estreita de algumas pessoas quanto à teoria da evolução; explicita o paradoxo segundo o qual, nos Estados Unidos, embora haja tanta expressividade científica, 50% (!) dos estadunidenses acreditam que existem por mero critério religioso, ou seja, descreditam completamente a importância de Darwin para a história de nossa espécie. Está claro, portanto, que não existem aspectos de narração no texto. A opção bê está, portanto, equivocada. A letra cê está evidentemente correta; para confirmar o que nela é dito, basta recorrer à linha 14 do texto. A letra dê traz uma informação absurda. Nela se afirma que a forma plural da terceira pessoa do verbo &lt;i&gt;deter&lt;/i&gt;, no indicativo presente, é &lt;i&gt;detem&lt;/i&gt; (!). Isso mesmo! Sem acento algum! Do modo como o vocábulo está escrito na opção, ele passaria a ser paroxítono (!). Ora, é evidente que isso não existe nem aqui nem na lua! A forma plural correta é &lt;i&gt;detêm&lt;/i&gt;, lembrando que o circunflexo tem o papel de esclarecer qual é a pessoa gramatical do verbo, e não apenas o de indicar a tonicidade do vocábulo. Isso se faz para evitar obscuridade gramatical. A letra dê está evidentemente errada. Sobre o que se afirma na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, o esclarecimento vem com a análise do trecho presente no texto. O termo &lt;i&gt;sem precedentes&lt;/i&gt; é determinante de &lt;i&gt;grau de conhecimento&lt;/i&gt;, com o qual forma sintagma locucional (v. &lt;i&gt;Dicionário de Língüística e Gramática&lt;/i&gt;, de Joaquim Mattoso Câmara Jr.). Está errada a letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra cê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;7.ª Questão)&lt;/strong&gt; Eis mais uma questão parecida. Nela se discutem aspectos da pontuação, da acentuação gráfica, da semântica etc. Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, afirma-se corretamente que o acento no vocábulo &lt;i&gt;país&lt;/i&gt; é obrigatório. A acentuação de &lt;i&gt;país&lt;/i&gt; entra na regra do hiato, segundo a qual se acentuam o &lt;i&gt;i&lt;/i&gt; ou o &lt;i&gt;u&lt;/i&gt; tônicos, sozinhos na sílaba a que pertencem ou seguidos de &lt;i&gt;s&lt;/i&gt;, que formam hiato com a vogal da sílaba anterior (ex.: &lt;i&gt;juízes&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;raízes&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;baú&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;saída&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;destruído&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;saía&lt;/i&gt; [verbo] etc.); existe a exceção que se aplica quando a sílaba posterior à que possui o &lt;i&gt;i&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;u&lt;/i&gt; tônicos é iniciada por &lt;i&gt;nh&lt;/i&gt; (ex.: &lt;i&gt;rainha&lt;/i&gt;). A opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; está, portanto, correta. Na letra bê, a expressão &lt;i&gt;O país&lt;/i&gt; refere-se a &lt;i&gt;os Estados Unidos da América&lt;/i&gt;, e não ao Brasil. Na letra cê, a discussão semântica está equivocada. As palavras &lt;i&gt;resistência&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;oposição&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;aversão&lt;/i&gt; são sinônimos de &lt;i&gt;relutância&lt;/i&gt;, e não antônimos, como foi dito na opção. A letra cê está errada. Quanto ao que se afirma na letra dê, para responder corretamente, basta lembrar que período não é encerrado a gosto de quem o escreve. Encerra-se o período quando uma parte da informação é concluída e há necessidade de, em outro período, introduzir outra dentro de um mesmo assunto. A ideia do primeiro período é a apelação, ou seja, é atrair a atenção do leitor para o que será dito. Logo após, é sensível a pausa que se segue ao fim do período, o que indica que não é possível o emprego de vírgula, que equivale, em princípio, a pausa mais curta que a do ponto. O período seguinte introduz novas informações, que estão dentro do mesmo assunto. Por tudo isso, a informação contida na letra dê não está correta. A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; afirma que o período em que se destacam as qualidades dos Estados Unidos como potência científica antecipa o que é dito na adversão que se dá no período ulterior. O caráter adversativo dá-se apenas quando se lê o período em que se afirma que metade dos estadunidenses não acredita na teoria da evolução. Não é, portanto, correto afirmar que ocorre antecipação. A letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; está errada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;8.ª Questão)&lt;/strong&gt; É importante perceber que a questão pede apenas a análise ortográfica das palavras; não é necessário analisar a correção das estruturas sintáticas. No item I, grafou-se mal a palavra &lt;i&gt;ancioso&lt;/i&gt;. Nela se empregou &lt;i&gt;c&lt;/i&gt; em vez de &lt;i&gt;s&lt;/i&gt;. Para atentar no erro, basta lembrar que essa palavra é formada por derivação sufixal. O sufixo &lt;i&gt;-oso&lt;/i&gt; forma adjetivos a partir de substantivos (ex.: &lt;i&gt;jeitoso&lt;/i&gt; [jeit(o) + -oso], &lt;i&gt;gostoso&lt;/i&gt; [gost(o) + -oso], &lt;i&gt;manhoso&lt;/i&gt; [manh(a) + -oso] etc.); o substantivo de que se derivou o adjetivo &lt;i&gt;ansioso&lt;/i&gt; é, obviamente, &lt;i&gt;ânsia&lt;/i&gt;, o que indica a presença de &lt;i&gt;s&lt;/i&gt;, e não &lt;i&gt;c&lt;/i&gt;, na adjetivo derivado. No item II, ocorre um erro muito grosseiro, que se deve à má pronúncia das palavras, ou seja, à corrupção da ortoépia. Esse tipo de erro, a má pronúncia, é um barbarismo chamado cacoépia. Daí provém a cacografia &lt;i&gt;indentidade&lt;/i&gt;, presente no item. No item III, não existem transgressões ortográficas, mas sim uma transgressão grosseira de sintaxe de pontuação (a segunda vírgula não existe) No item IV, também não existem cacografias, ou seja, transgressões ortográficas. Então, quanto à grafia das palavas, os dois únicos itens corretos são o III e o IV.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8220111688332452671?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8220111688332452671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-as-demais-questoes-comentadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8220111688332452671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8220111688332452671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-as-demais-questoes-comentadas.html' title='Gramática: As demais questões comentadas do concurso do TRE-MA (CESPE) – 2009.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6736304791561659474</id><published>2009-07-07T00:52:00.001-03:00</published><updated>2009-07-07T00:53:36.437-03:00</updated><title type='text'>Poesia: O Corvo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/Corvo.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Edgar Allan Poe&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(Tradução pessoana)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,   &lt;br /&gt;Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,    &lt;br /&gt;E já quase adormecia, ouvi o que parecia    &lt;br /&gt;O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.    &lt;br /&gt;&amp;quot;Uma visita&amp;quot;, eu me disse, &amp;quot;está batendo a meus umbrais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É só isto, e nada mais.&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,   &lt;br /&gt;E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.    &lt;br /&gt;Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada    &lt;br /&gt;P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -    &lt;br /&gt;Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas sem nome aqui jamais! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo   &lt;br /&gt;Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!    &lt;br /&gt;Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,    &lt;br /&gt;&amp;quot;É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;    &lt;br /&gt;Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É só isto, e nada mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,   &lt;br /&gt;&amp;quot;Senhor&amp;quot;, eu disse, &amp;quot;ou senhora, decerto me desculpais;    &lt;br /&gt;Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,    &lt;br /&gt;Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,    &lt;br /&gt;Que mal ouvi...&amp;quot; E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Noite, noite e nada mais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,   &lt;br /&gt;Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.    &lt;br /&gt;Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,    &lt;br /&gt;E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -    &lt;br /&gt;Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso só e nada mais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,   &lt;br /&gt;Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.    &lt;br /&gt;&amp;quot;Por certo&amp;quot;, disse eu, &amp;quot;aquela bulha é na minha janela.    &lt;br /&gt;Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.&amp;quot;    &lt;br /&gt;Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;É o vento, e nada mais.&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,   &lt;br /&gt;Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.    &lt;br /&gt;Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,    &lt;br /&gt;Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,    &lt;br /&gt;Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi, pousou, e nada mais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura   &lt;br /&gt;Com o solene decoro de seus ares rituais.    &lt;br /&gt;&amp;quot;Tens o aspecto tosquiado&amp;quot;, disse eu, &amp;quot;mas de nobre e ousado,    &lt;br /&gt;Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!    &lt;br /&gt;Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,   &lt;br /&gt;Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.    &lt;br /&gt;Mas deve ser concedido que ninguém terá havido    &lt;br /&gt;Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,    &lt;br /&gt;Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com o nome &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,   &lt;br /&gt;Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.    &lt;br /&gt;Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento    &lt;br /&gt;Perdido, murmurei lento, &amp;quot;Amigo, sonhos - mortais    &lt;br /&gt;Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A alma súbito movida por frase tão bem cabida,   &lt;br /&gt;&amp;quot;Por certo&amp;quot;, disse eu, &amp;quot;são estas vozes usuais,    &lt;br /&gt;Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono    &lt;br /&gt;Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,    &lt;br /&gt;E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Era este &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,   &lt;br /&gt;Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;    &lt;br /&gt;E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira    &lt;br /&gt;Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,    &lt;br /&gt;Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com aquele &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo   &lt;br /&gt;À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,    &lt;br /&gt;Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando    &lt;br /&gt;No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,    &lt;br /&gt;Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Reclinar-se-á nunca mais! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso   &lt;br /&gt;Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.    &lt;br /&gt;&amp;quot;Maldito!&amp;quot;, a mim disse, &amp;quot;deu-te Deus, por anjos concedeu-te    &lt;br /&gt;O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,    &lt;br /&gt;O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Profeta&amp;quot;, disse eu, &amp;quot;profeta - ou demônio ou ave preta!   &lt;br /&gt;Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,    &lt;br /&gt;A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,    &lt;br /&gt;A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais    &lt;br /&gt;Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Profeta&amp;quot;, disse eu, &amp;quot;profeta - ou demônio ou ave preta!   &lt;br /&gt;Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.    &lt;br /&gt;Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida    &lt;br /&gt;Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,    &lt;br /&gt;Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!&amp;quot;, eu disse. &amp;quot;Parte!   &lt;br /&gt;Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!    &lt;br /&gt;Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!    &lt;br /&gt;Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!    &lt;br /&gt;Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse o corvo, &amp;quot;Nunca mais&amp;quot;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda   &lt;br /&gt;No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.    &lt;br /&gt;Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,    &lt;br /&gt;E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais, &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Libertar-se-á... nunca mais!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: Sítio sobre Fernando Pessoa, mantido por Rodrigo de Almeida Siqueira. Endereço: &lt;a title="http://www.insite.com.br/art/pessoa/" href="http://www.insite.com.br/art/pessoa/"&gt;http://www.insite.com.br/art/pessoa/&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6736304791561659474?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6736304791561659474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/poesia-o-corvo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6736304791561659474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6736304791561659474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/poesia-o-corvo.html' title='Poesia: O Corvo.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5622405158041897919</id><published>2009-07-07T00:20:00.001-03:00</published><updated>2009-07-07T00:20:56.486-03:00</updated><title type='text'>Conto: A Resposta.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A Resposta&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lêdo Ivo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu nome era Serafim Costa. Mas nome de quem, ou de que? Na cidade pequena , decerto a sua figura deveria ter se cruzado, muitas vezes, com a do menino fardado, de camisa branca e curtas calças azuis extraídas das velhas casimiras paternas. Ele, o comerciante abastado, talvez comendador, não conhecia o garoto. E este jamais poderia ligar o nome à pessoa. Assim, Serafim Costa era apenas um nome — a belíssima sonoridade de um estilhaço de mitologia, uma flor aérea que, em vez de pétalas, possuía sílabas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ele morava no Farol, exatamente onde o bonde fazia a última curva. Os muros brancos, que cercavam o quarteirão, semi-escondiam a casa, também branca, além do jardim que aparecia entre as grades, e em cujos canteiros florejavam espessuras e certas musguentas flores amarelas, e um imenso besouro zoava. A casa era um palacete de dois andares, crivado de sacadas e cegas janelas, e que parecia desabitada. Possivelmente essa incorrigível falsária, a Memória, a pintou, sem tir-te nem guar-te, com a sua branca tinta adúltera, substituindo a verdade nativa, feita de alvorentes azulejos pintalgados de azul, por alguma caprichosa arquitetura rococó. De qualquer modo, de outro lado do muro reto, sem dúvida encimado por afiados cacos de garrafas para impedir o salto dos ladrões, a gente via as copas das mangueiras, cajueiros, palmeiras e outras árvores sob as quais alguns cães esperavam, impacientes, que a rotina bocejante do dia se esfarelasse para que eles pudessem latir, na noite raiada de estrelas, como que lembrando a Serafim Costa — que interromperia por meio minuto o seu sono tranqüilo e patriarcal — as suas presenças vigilantes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;— Aqui mora Serafim Costa devia ter-me dito meu pai, num daqueles crepúsculos em que, de bonde, voltávamos para casa; ele com a sua velha pasta que inexplicavelmente não o acompanhou ao túmulo (o que talvez não o fizesse ser de pronto reconhecido no Paraíso), e nós ainda guardando nos ouvidos o bulício vesperal do instante em que, aberta a porta do grupo escolar, as crianças escoavam para a praça e se perdiam nas escurentas ruas tortuosas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O palacete branco vulgava riqueza, luxo, secreto esplendor. Além das portas fechadas, das presumíveis estatuetas de mármore, do aroma das dálias, do fino palor dos azulejos, das mudas venezianas, havia decerto um universo de opulência, que a nossa fantasia de meninos pobres mal podia imaginar. A tarde transcurecia; o portão fechado validava-se como o brasão de uma existência que, terminados os diálogos inevitáveis de seu ofício de grande comerciante sempre atarefado e vigilante, suspendia qualquer tráfico com as mesquinharias diurnas, igual a um navio que, após todo o baixo ritual da estiva, readquire a sua dignidade perdida sulcando o mar sem amarras. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Era o palácio de Serafim Costa. E o nome, a magia desse nome que ocupou toda a minha infância, e era o preâmbulo mágico das encantações, demorava-se em mim, solfejando-se no ar eternamente perfumado pelo Oceano. Meu pai, então guarda-livros de um armazém de tecidos, conhecia Serafim Costa, e nos mostrava a sua residência. &amp;quot;Aqui mora Serafim Costa.&amp;quot; Não nos nomeava uma forma definida de casa (sobrado, bangalô, palacete); e certo aquela moradia, uma das mais luxuosas da pequena cidade, refugia às denominações irreversíveis. Ignoro se Serafim Costa era alagoano ou um dos muitos imigrantes portugueses que, estabelecidos em Maceió, enriqueceram em tecidos ou em secos e molhados e terminaram comendadores — mas em seu palacete, na exuberância do jardim equatorial, no chão assombrado de árvores enlanguescidas pelo mormaço, havia algo que era a fusão improfundável dos mais faustosos elementos nativos com uma substância remota e avoengueira, como que a reprodução de antiga planta deixada do outro lado do mar e tacitamente reconstruída pela poupança e ambição do imigrante afortunado. Por isso, meu pai dizia aqui, querendo assim significar tudo o que era o império de Serafim Costa: as grades do jardim, os sinuosos canteiros colmeados de folhas e flores, os calangros e insetos, a água espatifada de uma fonte, os familiares que não apareciam às janelas, talvez para não confundir a visão de todos os que, como eu, o imaginavam reinando solitário em sua mansão, sem quinhoar ostensivamente com ninguém o resultado, de sua vida vitoriosa, feita de zelo e siso. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Embora eu não tivesse conhecido Serafim Costa, tornou-se-me familiar aos olhos um dos empregados de seu armazém. Era um velho corcunda, de fiapos brancos na cabeça calva, e devoto. Alguns anos depois, quando já tínhamos deixado de morar no sítio e passáramos a habitar numa rua do centro da cidade, estávamos todos, no sótão, assistindo à passagem de uma procissão que enchia a monotonia da tarde de domingo. Súbito, identifiquei na multidão o corcunda velho e devoto, e exclamei: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;— Olhe o Serafim Costa! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A exclamação fez espécie a meu pai, que se virou para mim, surpreendido com a notícia. Seu ar era mais do que de dúvida — decerto eu dissera uma heresia, que reclamava pronta corrigenda ou a aura de uma prova irretocável. Com o dedo, apontei o velho corcunda que, de casimira preta na tarde de sol fugidiço, vencia, na aglomeração, os paralelepípedos da rua. Meu pai reconheceu o empregado de Serafim Costa e exclamou, de bom rosto: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;— Não é o Serafim Costa — e achou engraçado que eu confundisse o empregado humilde e devoto com o poderoso e mitológico patrão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E assim ele ficou sendo, para mim, sempre e eternamente, um nome, inatingível figura do ar. Muitas vezes, passeando sozinho pelo sítio ou junto ao mar lampejante, eu repetia esse nome, despetalava-o na brisa como se ele fosse um malmequer, juntava de novo as pétalas das sílabas que cantavam mesmo momentaneamente esquartejadas. Serafim Costa! dizia eu bem alto para que os costados dos navios pudessem devolver-me, em forma de eco, essa primeira lição de poesia, essa infindável soletração do absoluto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muitos anos depois, desintegrada a infância, e já envolto numa névoa de estrangeiro, voltei à curva do bonde. Era ali que morava Serafim Costa — o portão fechado era sinal de que ele estava lá dentro, movendo-se possivelmente entre frutas maduras, gatos sonolentos e bojudas porcelanas azuis. Trinta anos se tinham passado desde os dias em que o bonde, na volta da escola, nos fazia ver a misteriosa morada, o universo branco e verde estriado de agudas grades negras e manchas róseas. O invisível Serafim Costa já deveria estar morando, e de há muito, em outra alvacenta morada... Mas parei diante do portão cerrado, espiei o jardim silencioso, os vasos de azulejos, as escadarias de mármore, as altas janelas que pareciam sotéias. E chamei: Serafim Costa! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Chamei a quem, a que? E ocorreu o milagre. O nome ficou suspenso no jardim onde se ocultava uma cobra papa-ovo, depois voou pelos ares, como um pássaro; chocou-se contra os costados dos cargueiros que, no destempo hirto, desembarcavam em Maceió os caixotes das mercadorias encomendadas, do outro lado do Oceano, pelo valimento comercial de Serafim Costa; e, metamorfoseado em eco, voltou de novo aos meus ouvidos, já agora na soberba hierarquia de um nome que não precisa mais de figura ou de anedota; e se tornou para sempre algo sonoro e puro, deslumbrante e enxuto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, assim, obtive a resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: releituras.com)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5622405158041897919?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5622405158041897919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/conto-resposta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5622405158041897919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5622405158041897919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/conto-resposta.html' title='Conto: A Resposta.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-110073886558392833</id><published>2009-07-06T22:59:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T00:56:59.036-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Prova comentada do concurso do TRE-MA (CESPE) – 2009.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/Logo-PortugusemConcursos.jpg" align="right" /&gt;&amp;#160;&amp;#160; Recentemente, tive contato com o caderno de questões V do concurso do TRE-MA (CESPE) através de amigo meu, que me pedira que o olhasse. Não sabendo que havia mais questões de Língua Portuguesa nos demais cadernos, acabei comentando somente o caderno supra. Pensava que mudava somente a ordem das questões; não atentara, no entanto, que, obviamente, para cada cargo, haveria diferentes exigências. Prometo, entretanto, que, assim que tiver contato com as questões de português restantes, comentá-las-ei, postando aqui o que escrever sobre elas. Seguem abaixo o endereço que leva à prova e os comentários das questões do caderno de questões V.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;• Prova: &lt;a href="http://www.cespe.unb.br/concursos/TRE%5FMA2009/arquivos/TREMA_CARGO_05_CAD_V.pdf" target="_blank"&gt;Caderno de questões V (23/06/09)&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;• Prova comentada:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.ª Questão)&lt;/strong&gt; Na opção &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, o pronome &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; é partícula integrante do verbo pronominal &lt;i&gt;tornar-se&lt;/i&gt;; como verbo de ligação, &lt;i&gt;tornar&lt;/i&gt; é pronominal, mas, como verbo transobjetivo, aquele que exige complemento direto e predicativo deste, ele não é pronominal. Portanto, o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; não exerce função de predicativo do sujeito; tal palavra não exerce função sintática, é mera partícula integrante. Na letra bê, o verbo &lt;i&gt;verificar&lt;/i&gt; está na voz passiva sintética (ou pronominal), de modo que a oração seguinte, transposta por &lt;i&gt;que&lt;/i&gt; para nível de substantivo, é sujeito paciente. Na letra cê, o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; é partícula integrante do verbo &lt;i&gt;cingir-se&lt;/i&gt;, que, nesse caso, é usado figuradamente, ou seja, não é usado com sua acepção primitiva de &lt;i&gt;abraçar&lt;/i&gt;; não é, portanto, objeto indireto. Na letra dê, a palavra &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; é, de fato, índice de voz passiva; o sujeito paciente é &lt;i&gt;as propostas de mudanças que a ele dizem respeito&lt;/i&gt;. É possível passar o verbo à forma analítica (perifrástica) e perceber melhor que se trata de voz passiva. Atente-se na mudança: &amp;quot;Por isso, inquestionavelmente, as propostas de mudanças que a eles dizem respeito são consideradas reformas eleitorais&amp;quot;. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, ocorre mais um caso de partícula integrante, que é também chamada de pronome fossilizado por alguns gramáticos mais presos à tradição; não é o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt;, neste caso, índice de indeterminação do sujeito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra dê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.ª Questão)&lt;/strong&gt; Nesta questão, o solecismo (transgressão sintática) de concordância está bem explícito. Ele pertence justo à primeira opção. O interessante é perceber que, apesar de o escritor da &lt;i&gt;Folha&lt;/i&gt; ter tido esmero louvável com a colocação dos termos na oração e com a sintaxe de regência, pecou feio quando não fez concordar o verbo &lt;i&gt;constituir&lt;/i&gt; com o referente semântico do relativo &lt;i&gt;que&lt;/i&gt;, que é &lt;i&gt;partidos&lt;/i&gt;. O vacilo está, então, em &amp;quot;partidos que constitui&amp;quot;, que deveria ter sido escrito &amp;quot;partidos que constituem&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.ª Questão)&lt;/strong&gt; Eis a primeira questão de Semântica e de Hermenêutica. Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, a informação de que a palavra &lt;i&gt;anêmica&lt;/i&gt; foi empregada em sentido conotativo está correta; para perceber isso, é necessário que se saiba que o significado da palavra não é o de origem, aquele que, chamado denotativo, não permite mais de uma interpretação. A conotação representa os matizes semânticos que uma palavra pode assumir, ou seja, representa a possibilidade de uma palavra, por distanciamento do seu significado próprio, assumir valores semânticos diferentes, que tornam o discurso mais rico e expressivo. Na letra bê, está correto afirmar que o Governo monárquico foi, de fato, centralizado, o que o tornou próximo a uma autocracia; D. Pedro I, amparado pelo Poder Moderador, esfera política a que se subordinavam todas as outras, conseguiu impor controle sobre as províncias através de indicações próprias. No texto do &lt;i&gt;Correio Braziliense&lt;/i&gt;, por sinal o primeiro jornal do Brasil inteiramente livre de censura, essas informações são confirmadas pelos seguintes trechos: &amp;quot;Consolidou a unidade nacional, mantendo as províncias administradas por presidentes de livre escolha do imperador&amp;quot; e &amp;quot;Chefe supremo da nação e investido do Poder Moderador, a ele incumbia o dever de velar pela manutenção da independência, do equilíbrio e da harmonia dos demais poderes&amp;quot;. Na letra cê, está clara a incorreção quando se afirma que havia, na Constituição da Revolução de 30, solidez e que tal carta possuia credibilidade junto ao povo. No texto, têm-se os trechos que provam a falsidade desta opção: &amp;quot;... o Brasil passou a viver clima de instabilidade, refletido na vulnerabilidade daquela que deveria ser a lei mais conhecida, respeitada, amada e defendida pelo povo&amp;quot;. Na letra dê, está correto afirmar que a Constituição de 88 não é concisa, o que é provado, no texto, pelo adjetivo &lt;i&gt;prolixa&lt;/i&gt;, determinante no sintagma &lt;i&gt;A prolixa Constituição&lt;/i&gt;. Prolixo é aquilo que não é conciso, ou seja, que é demasiado estendido. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, para identificar tal opção como correta, é suficiente recorrer a este trecho do texto: &amp;quot;A de 67, redigida por determinação do presidente Castello Branco, foi estrangulada pela Emenda n.º 1 da Junta Militar&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra cê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;4.ª Questão)&lt;/strong&gt; Eu, particularmente, vejo, no texto da questão, muitas deficiências sobre as quais a correção da Sintaxe tem de agir. Almir Pazzianotto Pinto preocupa-se em seguir corretamente as sintaxes de colocação, de regência e de concordância, mas peca quando, várias vezes, não atenta na corrupção do paralelismo sintático; o escritor coordena oração com palavra duas ou três vezes e não se preocupa em manter a clareza do longo enunciado enumerativo através do bom uso da pontuação. Deficiências à parte, seguem as opções comentadas. Quanto ao que é dito na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, empregaram-se vírgulas na linha 17 não porque os termos destacados na opção são apostos, mas sim porque são eles termos coordenados. Aliás, eles são núcleos de adjuntos adnominais, e não apostos, como foi dito. Quanto ao que se diz na letra bê, não há fundamento algum na substituição do relativo &lt;i&gt;cujo&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;o qual&lt;/i&gt;. O pronome &lt;i&gt;cujo&lt;/i&gt; só se emprega quando há necessidade de referência a termo antecedente através de consequente que estabelece com aquele relação de posse. Atente-se nestes exemplos: &amp;quot;Joaquim, de cuja bicicleta falamos, não pensa em outra coisa senão em pedalar&amp;quot;, &amp;quot;O documento, cuja autenticação não fora comprovada, perdeu totalmente a validade&amp;quot;. Note-se a relação de pertença que se estabelece entre Joaquim e a bicicleta (a bicicleta de Joaquim) e entre o documento e a autenticação (a autenticação do documento). O relativo &lt;i&gt;o qual&lt;/i&gt; equivale a &lt;i&gt;que&lt;/i&gt;, mas tem empregos especiais, diferentes dos deste último. Quanto à letra cê, sabe-se que &lt;i&gt;tão logo&lt;/i&gt; é locução conjuntiva sinônima de &lt;i&gt;assim que&lt;/i&gt;, de modo que não há prejuízo de correção gramatical quando se substitui uma forma por outra. Na letra dê, exemplifica-se o processo dêitico realizado pelos pronomes. Essa classe de palavras tem por função substituir nomes ou mesmo orações inteiras que foram ou serão apresentadas ao leitor. A dêixis é o processo linguístico de apresentar ou definir mostrando. Em &amp;quot;o integram&amp;quot; o pronome oblíquo átono &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; retoma (anáfora) o antecedente &lt;i&gt;Pacto Republicano&lt;/i&gt;. A opção dê está correta. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, afirma-se que &lt;i&gt;declarar&lt;/i&gt; é transitivo indireto, o que não é verdade; tal verbo requer complemento direto, que, no texto, é representado por série de orações e palavras coordenadas. A coordenação de termos de formas distintas corrompe o que é chamado de paralelismo sintático ou de simetria de coordenação. O escritor não atentou nesse detalhe e cometeu esse erro de estilo, que torna o texto, às vezes, pouco claro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra dê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;5.ª Questão)&lt;/strong&gt; Texto muito bem escrito, este de Frei Betto. Sem a perífrase enfadonha de que se valem muitos quando tratam desse assunto, Frei Betto soube contestar visão a que tantos, inconscientemente, se acostumaram. Aquiescer, nesses casos, é um crime cuja gravidade todos deveriam enxergar. Comentários à parte, vamos às opções. Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, diz-se que a crase indicada pela contração &lt;i&gt;à&lt;/i&gt; se deve à regência da forma verbal &lt;i&gt;devemos&lt;/i&gt;, o que não é correto, pois tal forma verbal não tem significação externa, senão é mero verbo auxiliar. A crase deve-se à locução verbal &lt;i&gt;devemos ir&lt;/i&gt;, e não propriamente ao verbo &lt;i&gt;devemos&lt;/i&gt;. Essa opção é uma pegadinha muito bem feita pela CESPE; os apressadinhos, que geralmente são desatentos, teimam em errar marcando, com todo a filáucia de sujeito entendido, opções como esta. Quanto ao que se afirma na opção bê, o emprego de primeira pessoa do singular, o que caracteriza pessoalidade textual, confere ao que é escrito subjetividade e aproximação de quem escreve ao tema abordado, ou seja, trata-se justo do contrário do que foi afirmado na opção; portanto, está ela errada. Quanto à letra cê, o advérbio de modo a que se refere o escritor é &lt;i&gt;aparentemente&lt;/i&gt;, e não &lt;i&gt;óbvia&lt;/i&gt;. Mesmo o leitor descuidado, que não tenha encontrado o referido advérbio de modo, poderia notar que esta opção está errada, porque a forma &lt;i&gt;óbvia&lt;/i&gt; só é advérbio numa única circunstância: quando é forma reduzida de advérbio em &lt;i&gt;-mente&lt;/i&gt; e está coordenada antes de outro advérbio de mesma terminação (ex.: &amp;quot;Joaquim Damasceno falou obvia e claramente que preferiria lutar a ser escravo.&amp;quot;). Como este não é o caso do &lt;i&gt;óbvia&lt;/i&gt; que aparece no texto de Frei Betto, só se pode concluir que &lt;i&gt;óbvia&lt;/i&gt; é adjetivo, sua classificação original. Esta opção está, portanto, errada. A letra dê é meio frustrante para quem tem conhecimento gramatical um pouco mais sofisticado; pensei que, pela tendência que vinha assumindo a questão, a opção correta apresentasse desafio ao candidato, mas, infelizmente, ela é excessivamente simples. É de conhecimento de quase todo o mundo que já tenha lido, mesmo com pouca atenção, gramática qualquer que &lt;i&gt;porém&lt;/i&gt; apresenta sinonímia com &lt;i&gt;entretanto&lt;/i&gt;. Esta é, portanto, a opção correta. Na letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;, aparece o caso em que há distinção entre as expressões &lt;i&gt;cerca de&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;acerca de&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;a cerca de&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;há cerca de&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Cerca de&lt;/i&gt; é usado quando se quer dizer &lt;i&gt;aproximadamente&lt;/i&gt;. Ex.: &amp;quot;Cerca de 90% dos parlamentares foram contra a medida que passaria a impedir que seus parentes viajassem de avião, deliberadamente, à custa de dinheiro público&amp;quot;. &lt;i&gt;Acerca de&lt;/i&gt; é locução prepositiva que equivale a &lt;i&gt;sobre&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;a respeito de&lt;/i&gt; etc. Ex.: &amp;quot;Acerca da celeuma em que se envolveram dois ministros do Supremo, o Presidente não quis ser profundo em seu comentário à mídia televisiva&amp;quot;. &lt;i&gt;A cerca de&lt;/i&gt; é expressão geralmente usada quando se delimita medida aproximada de tempo ou de espaço, e introduz, no mais das vezes, adjunto adverbial. Ex.: &amp;quot;A casa de Manuelito fica a cerca de 200 metros&amp;quot;, &amp;quot;Daqui a cerca de duas horas, iremos à festa de aniversário de tia Esmeraldina&amp;quot;. &lt;i&gt;Há cerca de&lt;/i&gt; é expressão que indica tempo decorrido de cuja duração não se tem certeza e equivale à expressão &lt;i&gt;há aproximadamente&lt;/i&gt;. Ex.: &amp;quot;Há cerca de dois meses, a família Silva comprou uma casa no bairro José de Alencar&amp;quot;. Pelo que se conclui dessa distinção, a opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; está errada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra dê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;6.ª Questão)&lt;/strong&gt; Outro texto muito bem escrito por Frei Betto. A questão trata de pontuação. Vamos às opções. No que se refere à letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, é importante saber quando e para que empregar ponto-e-vírgula. Esse sinal de pontuação gera muita polêmica desmedida e sem razão; para os que não têm segurança ao empregá-lo, ele é de somenos importância. O uso do ponto-e-vírgula nao é o bicho-papão que pintam por aí. Existe uma regra primeira que diz que só se usa esse sinal para separar orações coordenadas, e nunca orações que são apenas subordinadas. As particularidades vão, então, aparecendo: o ponto-e-vírgula é usado para separar termos coordenados muito extensos e para, consequentemente, evitar confusão e carência de inteligibilidade; o referido sinal também é usado para separar as alíneas de uma lei e os considerandos que constituem o preâmbulo de decreto, de portaria, de acórdão etc.; também se usa ponto-e-vírgula para separar várias orações coordenadas que possuem, em seu interior, termos separados por vírgulas; o sinal é empregado para separar elementos de uma enumeração qualquer; e, por fim, emprega-se ponto-e-vírgular para separar orações coordenadas que constituem uma distribuição. Na letra &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;, ocorre erro quando se afirma que o ponto-e-vírgula separa orações tão-só subordinadas; no texto, esse sinal está separando termos coordenados que não são sequer todos oracionais. Quanto à opção bê, houve, de fato, elipse de &lt;i&gt;teve como paradigma&lt;/i&gt;; esse recurso é indicado pelo emprego de vírgula, embora não seja necessário que sempre se use vírgula para indicar esse tipo de elipse. Quanto ao que se afirma na letra cê, o emprego de vírgula justifica-se pela coordenação de termos, que, nesse caso, são predicativos do sujeito, e não apostos. Na letra dê, afirma-se que a oração separada por vírgula é adjetiva restritiva, o que não é verdade; a oração subordinada é, em verdade, adjetiva explicativa, ou seja, traz informação extra sobre o termo &lt;i&gt;crise&lt;/i&gt;, a qual pode ser omitida sem grande prejuízo de entendimento. A letra dê está, portanto, errada. A opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; é totalmente absurda; não há, no período em que se encontra a expressão &lt;i&gt;desigualdade social&lt;/i&gt;, sequer uma oração reduzida de gerúndio, que, por sinal, não é, por si só, critério peremptório para o emprego de vírgula.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra bê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;7.ª Questão)&lt;/strong&gt; É comum, em provas de concurso, dar ao candidato o papel momentâneo de revisor textual, o que é ótima estratégia para racionalizar a escrita e aprimorar a percepção de quem escreve. O único trecho que está gramaticalmente correto e apropriado para compor um documento oficial é o da opção &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;. Os demais, além de possuírem muitas transgressões gramaticais, pecam pela inadequação vocabular, ou seja, pelo emprego de palavras e expressões que não podem pertencer a um documento oficial. São indícios de inadequação vocabular: &lt;i&gt;rapidinho&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;matutando&lt;/i&gt; etc. Há solecismos de pontuação nos trechos das letras bê e cê. Há flexão equivocada de infinitivo na letra cê. Na letra dê, há erros de regência verbal e de colocação pronominal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gabarito: letra &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-110073886558392833?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/110073886558392833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-prova-comentada-do-concurso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/110073886558392833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/110073886558392833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/07/gramatica-prova-comentada-do-concurso.html' title='Gramática: Prova comentada do concurso do TRE-MA (CESPE) – 2009.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5853877161367827905</id><published>2009-06-03T23:02:00.001-03:00</published><updated>2009-06-04T16:50:42.099-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Relembrando a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Questão muito ventilada, a diferença entre esses dois termos ainda tem sido alvo de dúvidas. Já escrevera texto&amp;nbsp;em que tratei da distinção, sem que, no entanto,&amp;nbsp;nele&amp;nbsp;houvesse&amp;nbsp;muitos exemplos. Ora tento aclarar novamente o assunto&amp;nbsp;por mais ocorrências, que foram extraídas de questões de concursos. No fórum &lt;a href="http://www.soportugues.com.br/forum/" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt;, surgiu de novo a dúvida, e desta fez-se o texto que segue.  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;  &lt;p&gt;Estou angustiada. Teoricamente sei a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal, mas quando o meu professor passa os exercícios, não consigo identificá-los.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;  &lt;p&gt;1) Sobre adjunto adnominal as questões são essas: &lt;br&gt;Identificar os adjuntos adnominais dos termos grifados: &lt;br&gt;a)Os meus dois ótimos &lt;strong&gt;relógios&lt;/strong&gt; de ouro são valiosíssimos; &lt;br&gt;b)As &lt;strong&gt;notícias&lt;/strong&gt; do jornal informam diariamente a &lt;strong&gt;população&lt;/strong&gt;; &lt;br&gt;c)Sua &lt;strong&gt;atitude&lt;/strong&gt; de herói salvou o &lt;strong&gt;garoto&lt;/strong&gt; da enchente; &lt;br&gt;d)O &lt;strong&gt;sindicato&lt;/strong&gt; dos patrões ainda não se manifestou sobre a greve dos operários; &lt;br&gt;e)Pareciam fortíssimos os &lt;strong&gt;animais&lt;/strong&gt; por que eram puxadas as &lt;strong&gt;cargas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;2)Analisar os adjuntos adnominais e os complementos nominais entre os termos destacados: &lt;br&gt;a) As notícias &lt;strong&gt;das revistas&lt;/strong&gt; são ultrapassadas; &lt;br&gt;b) As notícias &lt;strong&gt;da inflação&lt;/strong&gt; deixam as pessoas aflitas; &lt;br&gt;c) As necessidades &lt;strong&gt;do homem&lt;/strong&gt; são muitas; &lt;br&gt;d) A necessidade &lt;strong&gt;de dinheiro&lt;/strong&gt; entristece o homem; &lt;br&gt;e) O preparo &lt;strong&gt;dos atletas&lt;/strong&gt; exige muito sacrifício;&lt;br&gt;f) O preparo &lt;strong&gt;do discurso&lt;/strong&gt; foi demorado; &lt;br&gt;g) A invenção &lt;strong&gt;da bomba atômica&lt;/strong&gt; foi danosa &lt;strong&gt;para a humanidade&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu acho que o que me causa a confusão é a formulação da pergunta do professor, mas de qualquer forma, aguardo essa ajuda de vocês. Um abraço.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;  &lt;p&gt;Olá, ***. Na primeira questão, pede-se que se indentifiquem os adjuntos adnominais determinantes dos substantivos destacados em negrito. Então, Observa:  &lt;p&gt;a) Em &lt;em&gt;Os meus dois ótimos relógios de ouro são valiosíssimos&lt;/em&gt;, são adjuntos adnominais de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;relógios&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; todos os adjetivos, locuções adjetivas, pronomes adjetivos, artigos e numerais que se ligarem ao sintagma nominal como determinantes do núcleo &lt;em&gt;relógios&lt;/em&gt;. São, portanto, adjuntos os termos &lt;em&gt;os&lt;/em&gt; (artigo), &lt;em&gt;meus&lt;/em&gt; (pronome adjetivo), &lt;em&gt;dois&lt;/em&gt; (numeral), &lt;em&gt;ótimos&lt;/em&gt; (adjetivo) e &lt;em&gt;de ouro&lt;/em&gt; (loc. adjetiva).  &lt;p&gt;b) Procedendo da mesma maneira, têm-se como adjuntos de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;notícias&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;as&lt;/em&gt; (artigo) e &lt;em&gt;do jornal&lt;/em&gt; (loc. adjetiva) e de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;população&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;, o artigo &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;.  &lt;p&gt;c) Os adjuntos adnominais de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;atitude&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; são &lt;em&gt;sua&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;de herói&lt;/em&gt;, e o de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;garoto&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; é apenas o artigo &lt;em&gt;o&lt;/em&gt;. É importante notar que &lt;em&gt;da enchente&lt;/em&gt; é termo integrante que completa, através de preposição, a transitividade do núcleo verbal &lt;em&gt;salvou&lt;/em&gt;, ou seja, é objeto indireto.  &lt;p&gt;d) Os adjuntos de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;sindicato&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; são &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; (artigo) e &lt;em&gt;dos patrões&lt;/em&gt; (loc. adjetiva).  &lt;p&gt;e) Os adjuntos adnominais de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;animais&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; são &lt;em&gt;os &lt;/em&gt;(artigo) e &lt;em&gt;por que eram puxadas as cargas&lt;/em&gt; (oração subordinada, ou &lt;em&gt;degradada&lt;/em&gt;, transposta, pelo relativo &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;, a adjetivo); o adjunto de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;cargas&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; é o artigo &lt;em&gt;as&lt;/em&gt;.  &lt;p&gt;Na segunda questão reside, provavelmente, a dúvida que te angustia: a distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal. É necessário, antes de explicar as diferenças entre esses dois termos, que, se a palavra a que se refere o termo for adjetivo ou advérbio, ele será sempre complemento nominal. No entanto, se a palavra a que se refere o termo for substantivo, têm-se de diferençar duas situações: o substantivo é concreto ou é abstrato. Se ele for concreto, o termo que a ele se refere será sempre adjunto adnominal; se for abstrato, o termo terá de passar por análise mais acurada, que se apresenta a seguir. Como eu já tinha escrito em outro tópico, o complemento nominal é sempre termo integrante de nome transitivo e comporta-se, em análise lógica, como se fosse complemento do verbo de que deriva o substantivo abstrato (derivação regressiva), obviamente se tal nome for deverbal. Seguindo, com intento didático, tal análise lógica, tem-se, no caso do adjunto adnominal, que esse termo é sempre unidade subjetiva do substantivo abstrato a que se refere, ou seja, em desenvolvimento lógico de oração elucidativa do fato, o nome transposto a adjetivo (adjunto adnominal) através do emprego de preposição, geralmente &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;, funciona como sujeito da ação verbal contida no lexema do substantivo deverbal. Toda essa teoria é mais bem explicada através de exemplos. Notem-se, portanto:  &lt;p&gt;1.º) O esclarecimento &lt;em&gt;do fato&lt;/em&gt; satisfez a todos que, na cena do crime, estavam.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Esclarecimento&lt;/em&gt; é substantivo abstrato e deverbal; a ação contida no lexema desse nome revela que essa palavra representa um processo. Valendo-se da oração elucidativa, que serve de apoio didático, pode-se notar que &lt;em&gt;fato&lt;/em&gt; seria complemento do processo verbal indicado pelo lexema &lt;em&gt;esclarec-&lt;/em&gt; e, dentro da referida oração, seria complemento direto do verbo. Note-se: esclarecimento &lt;em&gt;do fato&lt;/em&gt; = esclarecer &lt;em&gt;o fato&lt;/em&gt;. A oração elucidativa pode, portanto, ser &lt;em&gt;Esclarecer o fato satisfez a todos que, na cena do crime, estavam&lt;/em&gt;. Como foram possíveis a conversão mostrada e o reconhecimento do sentido passivo do núcleo substantivo do termo introduzido pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;, é correto afirmar que tal termo é complemento nominal.  &lt;p&gt;2.º) A redação &lt;em&gt;do estudante&lt;/em&gt; foi premiada no concurso realizado pela escola.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Redação&lt;/em&gt;, nesse caso, é substantivo concreto; note-se que tal palavra não representa propriamente o processo verbal de redigir, mas o produto material dele. Tão-só pela conclusão de que o substantivo é concreto, pode-se afirmar que o termo introduzido pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; é adjunto adnominal. A preposição serve, em princípio, como índice de função: tranpõe o substantivo &lt;em&gt;estudante&lt;/em&gt; para a classe de adjetivo, formando uma só unidade determinante &lt;em&gt;do estudante&lt;/em&gt; (loc. adjetiva), que tem valor adjetival e pertence ao sintagma nominal &lt;em&gt;A redação do estudante&lt;/em&gt;.  &lt;p&gt;3.º) O medo &lt;em&gt;da professora&lt;/em&gt; não pode haver durante o processo de ensino e aprendizagem.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Medo&lt;/em&gt;, na frase supra, é substantivo abstrato, mas não é deverbal. O enunciado é, no entanto, ambíguo, pois o núcleo substantivo do termo introduzido pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; pode ter comportamento subjetivo ou objetivo em relação ao processo verbal de temer. Note-se que, quando o substantivo abstrato não é deverbal, é necessário, por questões didáticas, recorrer a um verbo de significado próximo ao revelado pela ação verbal do substantivo (medo → temer). Nesse caso, é possível construir a oração elucidativa para se enteder o comportamento do núcleo substantivo no processo verbal. Note-se: O medo &lt;em&gt;da professora&lt;/em&gt; = &lt;em&gt;A professora&lt;/em&gt; teme; O medo &lt;em&gt;da professora&lt;/em&gt; = Alguém teme &lt;em&gt;a professora&lt;/em&gt;. Com as orações elucidativas, é possível entender melhor: &lt;em&gt;A professora não pode temer durante o processo de ensino e aprendizagem&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;A professora não pode ser temida durante o processo de ensino e aprendizagem&lt;/em&gt;. No primeiro caso, em que o substantivo núcleo do termo introduzido por preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; equivale a uma unidade subjetiva, tal termo funciona como adjunto adnominal; no segundo, em que o núcleo do termo equivale a uma unidade objetiva, tem-se complemento nominal.  &lt;p&gt;Valendo-se desse recurso didático, é possível responder aos itens da segunda questão.  &lt;p&gt;a) As notícias &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;das revistas&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; são ultrapassadas.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Revistas&lt;/em&gt; é unidade subjetiva: &lt;em&gt;As revistas noticiam&lt;/em&gt;. Portanto, &lt;em&gt;das revistas&lt;/em&gt; é adjunto adnominal.  &lt;p&gt;b) As notícias &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;da inflação&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; deixam as pessoas aflitas.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Inflação&lt;/em&gt; é unidade objetiva, ou seja, tem sentido passivo e, portanto, sofre a ação verbal de &lt;em&gt;noticiar&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;A inflação é noticiada&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Noticiam a inflação&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;da inflação&lt;/em&gt; é, pois, complemento nominal.  &lt;p&gt;c) As necessidades &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;do homem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; são muitas.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Homem&lt;/em&gt; é unidade subjetiva, ou seja, tem sentido ativo e, portanto, pratica a ação verbal de &lt;em&gt;necessitar&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;O homem necessita&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;do homem&lt;/em&gt; é, pois, adjunto adnominal.  &lt;p&gt;d) A necessidade &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;de dinheiro&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; entristece o homem.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Dinheiro&lt;/em&gt; é unidade objetiva, ou seja, tem sentido passivo e, portanto, sofre a ação verbal de &lt;em&gt;necessitar&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;Dinheiro é necessitado&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Necessitam de dinheiro&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;de dinheiro&lt;/em&gt; é, pois, complemento nominal.  &lt;p&gt;e) O preparo &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;dos atletas&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; exige muito sacrifício.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Atletas&lt;/em&gt; é unidade subjetiva, ou seja, tem sentido ativo e, portanto, pratica a ação verbal de &lt;em&gt;preparar-se&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;Os atletas preparam-se&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;dos atletas&lt;/em&gt; é, pois, adjunto adnominal.  &lt;p&gt;f) O preparo &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;do discurso&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; foi demorado.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Discurso&lt;/em&gt; é unidade objetiva, ou seja, tem sentido passivo e, portanto, sofre a ação verbal de &lt;em&gt;preparar&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;O discurso é preparado&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Alguém prepara o discurso&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;do discurso&lt;/em&gt; é, pois, complemento nominal.  &lt;p&gt;g) A invenção &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;da bomba atômica&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; foi danosa para a humanidade.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Bomba&lt;/em&gt; é unidade objetiva, ou seja, tem sentido passivo e, portanto, sofre a ação verbal de &lt;em&gt;inventar&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;A bomba atômica é inventada&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Alguém inventou a bomba atômica&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;da bomba atômica&lt;/em&gt; é, portanto, complemento nominal. O termo &lt;em&gt;para a humanidade&lt;/em&gt; também é complemento nominal, por uma razão, no entanto, bem mais simples: integra o sentido de adjetivo.  &lt;p&gt;Observação: Além do recurso que, em casos de substantivo abstrato, contribui com o reconhecimento de adjunto adnominal e de complemento nominal, é possível ainda verificar se o núcleo substantivo do termo introduzido por preposição apresenta vínculo de posse em relação ao substantivo determinado do sintagma nominal. Se houver tal vínculo, o termo é adjunto adnominal. Essa é, no entanto, uma condição suficiente para o reconhecimento do adjunto adnominal, e não necessária, pois pode haver adjunto adnominal sem que haja relação de posse. Esse vínculo de pertença é estabelecido nas frases dos itens &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;c&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;e&lt;/em&gt;; os termos referidos que nelas aparecem são, portanto, todos adjuntos adnominais.  &lt;p&gt;Bom, isso é tudo o que ora te posso dizer sobre as diferenças entre adjunto adnominal e complemento nominal, ***. Caso queiras mais informações, acessa este &lt;em&gt;link&lt;/em&gt; que leva a uma postagem em meu blogue e traz texto que trata mais acuradamente do assunto: &lt;a href="http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/gramtica-diferena-entre-adjunto.html" target="_blank"&gt;Diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal&lt;/a&gt;. Espero que tenhas entendido bem o assunto. Um abraço, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5853877161367827905?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5853877161367827905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/06/gramatica-relembrando-diferenca-entre.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5853877161367827905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5853877161367827905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/06/gramatica-relembrando-diferenca-entre.html' title='Gramática: Relembrando a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4879214782603180732</id><published>2009-04-03T16:40:00.001-03:00</published><updated>2009-04-03T16:42:54.176-03:00</updated><title type='text'>Gramática: Emprego do infinitivo flexionado e do não-flexionado.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px; display: inline" align="right" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" /&gt; Recentemente, surgiu, no fórum &lt;a href="http://www.soportugues.com.br/forum/" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt;, uma das questões mais ventiladas da Gramática: o emprego do infinitivo. De há muito, os falantes hesitam em flexionar ou não essa forma nominal. Há, na literatura, muitos casos de vacilação e tantos outros em que, por conta do estilo do escritor, se corrompem algumas &lt;em&gt;normas&lt;/em&gt;. No tópico, listei algumas recomendações que dirigem o emprego e se baseiam nas abonações literárias de autores consagrados. Antes, gostaria de aclarar o motivo de minha ausência neste blogue (foram dois meses sem nenhuma postagem): não tive ânimo para escrever por conta do baixo moral causado por fatos recentes e tristes. Abaixo segue a pergunta do &lt;em&gt;forista&lt;/em&gt; e a minha resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;No contexto em que ocorre, o emprego da flexão de plural em &amp;quot;serem&amp;quot; (R.15) é opcional segundo as regras gramaticais, podendo, portanto, a forma &amp;quot;serem&amp;quot; ser substituída pelo singular correspondente: ser &lt;/em&gt;[referência a texto presente em questão de prova do concurso do TRT 9.ª Região, executado pelo CESPE/UnB em 2007]&lt;em&gt;. Alguém pode me ajudar com isso?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Olá, ***. Antes de tratar da questão, é importante saber que empregar ou não o infinitivo flexionado é uma das questões mais delicadas da Língua Portuguesa. É certo que não existem regras precisas para esse assunto, mas podem-se discutir orientações de uso segundo o modo como escrevem os bons escritores. Os recursos do estilo e a ênfase, muitas vezes, corrompem, com razão, essas orientações, o que torna ainda mais sensível a instabilidade de fatos linguísticos relacionados ao emprego do infinitivo. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1.º) Casos em que não se flexiona o infinitivo:&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;a) Quando constitui locução verbal, situação em que obviamente aparece como verbo principal. Exs.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Os homens não costumam &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;perdoar&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; por virtude, senão por fraqueza. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Os tabaréus parecem &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;desconhecer&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; o manejo de arma de guerra.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="justify"&gt;Observações:&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; 1.ª) É importante atentar nas duas possíveis construções com o verbo &lt;em&gt;parecer&lt;/em&gt;. Pode haver locução verbal em que &lt;em&gt;parecer&lt;/em&gt; é o auxiliar, ou período composto em que &lt;em&gt;parecer&lt;/em&gt;, ora flexionado, é verbo intransitivo, núcleo do predicado da oração subjetiva. Note-se:&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;em&gt;Os tabaréus parece desconhecerem o manejo de arma de guerra&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Análise sintática: &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Período composto por subordinação. &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;Sujeito (oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo): &lt;em&gt;Os tabaréus desconhecerem o manejo de arma de guerra&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;Predicado (verbal): &lt;em&gt;parece&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;É possível o desenvolvimento, que esclarece ainda mais o fato linguístico:&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;em&gt;Parece que os tabaréus desconhecem o manejo de arma de guerra&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; 2.ª) Quando o verbo auxiliar se encontra distante do principal, geralmente por ter-se metido outro termo entre os verbos da conjugação perifrástica (hipérbato), pode haver flexão do infinitivo para que o sujeito fique claro. Note-se:&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; &amp;quot;&lt;em&gt;Possas&lt;/em&gt; tu, descendente maldito       &lt;br /&gt;De uma tribo de nobres guerreiros,       &lt;br /&gt;Implorando cruéis forasteiros,       &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seres&lt;/em&gt; presa de vis Aimorés&amp;quot; (Gonçalves Dias, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Evanildo Bechara. &lt;em&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/em&gt;. 38.ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007, pág. 284.) &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;... dentro dos mesmos limites atuais &lt;em&gt;podem&lt;/em&gt; as cristandades &lt;em&gt;nascerem&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;anularem-se&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;crescerem&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;diminuírem&lt;/em&gt; em certos pontos desses vastos territórios&amp;quot; (Alexandre Herculano, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Evanildo Bechara, &lt;em&gt;op. cit.&lt;/em&gt;, pág. 284.)&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;b) Quando é núcleo de complemento nominal de adjetivo e tem sentido passivo. Exs.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A jovem cozinheira escolheu mal os pratos que prepararia; eram todos difíceis de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;fazer&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Aqueles problemas eram possíveis de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;resolver&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;c) Quando não se refere a nenhum sujeito, ou seja, quando é impessoal. Ex.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;Ler&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; é comum, raro é &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;refletir&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;d) Quando equivale a imperativo. Ex.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;Marchar&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;! &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;marchar&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;!&amp;quot; bradou o coronel com sua voz gutural. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;e) Quando faz parte das orações infinitivo-latinas, assim chamadas pela Gramática tradicional. Consoante a tradição, elas são parte de período composto por subordinação: são as substantivas objetivas que têm por sujeito pronome oblíquo átono, fato linguístico único em português. Na oração principal, o núcleo do predicado verbal é verbo causativo explícito (&lt;em&gt;mandar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;deixar&lt;/em&gt;) ou sensitivo (&lt;em&gt;ver&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ouvir&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sentir&lt;/em&gt; etc.).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="justify"&gt;Observação: É incomum que o verbo acompanhado de oblíquo átono tenha por complemento uma oração, e não o próprio pronome. A sintaxe moderna não aceita essa análise, o que ainda não foi seguido pela gramática escolar. A análise que julgo mais acertada é a ensinada por Evanildo Bechara em sua &lt;em&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/em&gt;. Segundo o gramático, o que se entende por oração infinitivo-latina é, em verdade, oração subordinada substantiva predicativa (&lt;em&gt;oração transposta a substantivo&lt;/em&gt;, como prefere o autor), e o complemento do verbo da oração principal é, de fato, o pronome oblíquo. Tal interpretação é bem mais coerente e de há muito ventilada, principalmente por ocorrer o mesmo quando o predicativo do objeto não é oracional. Notem-se estes exemplos:&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; • Os alunos viram a professora muito tristonha.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Sujeito: &lt;em&gt;os alunos&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicado verbo-nominal: &lt;em&gt;viram a professora muito tristonha&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Objeto direto: &lt;em&gt;a professora&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicativo do objeto: &lt;em&gt;muito tristonha&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;• Os alunos viram a professora chegar chorosa à sala de aula.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Sujeito: &lt;em&gt;os alunos&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicado verbo-nominal: &lt;em&gt;viram a professora chegar chorosa à sala de aula&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Objeto direto: &lt;em&gt;a professora&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicativo do objeto (oracional): &lt;em&gt;chegar chorosa à sala de aula&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;• Os alunos viram-na chegar à sala de aula.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Sujeito: &lt;em&gt;os alunos&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicado verbo-nominal: &lt;em&gt;viram-na chegar à sala de aula&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Objeto direto: &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; (oblíquo assimilado)       &lt;br /&gt;Predicativo do objeto (oracional): &lt;em&gt;chegar chorosa à sala de aula&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;• Os alunos viram-na chegando à sala de aula.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt; Sujeito: &lt;em&gt;os alunos&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Predicado verbo-nominal: &lt;em&gt;viram-na chegar à sala de aula&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;Objeto direto: &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; (oblíquo assimilado)       &lt;br /&gt;Predicativo do objeto (oracional): &lt;em&gt;chegando à sala de aula&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;As denominações supra não são as seguidas na referida obra. A analogia entre essas construções faz-me aceitar bem a não-existência das infinitivo-latinas; o fato, estranho à Gramática, de um pronome oblíquo funcionar como sujeito já me trazia certa desconfiança disso. Note-se que tanto o infinitivo quanto o gerúndio podem ser núcleo verbal da oração predicativa.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="justify"&gt;f) Quando há período composto por subordinação em que a subordinada reduzida tem o mesmo sujeito da principal. Ex.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Sabemos &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;estar&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; (e não &lt;em&gt;estarmos&lt;/em&gt;) cansados, mas continuamos trabalhando. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="justify"&gt; Observação: Para realçar o agente, pode-se, mais raro, flexionar o infinitivo, tal como se pode efetuar a flexão quando a subordinada se encontra distante da principal.&lt;/p&gt;    &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;2.º) Casos em que se flexiona o infinitivo:&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;a) Quando há sujeito explícito. Ex.:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;... um dos vizinhos disse-lhe &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;serem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; as autoridades do Cachoeiro.&amp;quot; (Graça Aranha. &lt;em&gt;Obra Completa&lt;/em&gt;, Rio de Janeiro, MEC — Instituto Nacional do Livro, 1969) &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;b) Quando se quer revelar o sujeito elítico através de desinência verbal. Ex.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Caros confrades, peço &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;ajudardes&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;-me a administrar esta cidade que tanto estimo. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;c) Quando indica indeterminação do sujeito, o que exige do infinitivo a flexão na 3.ª pessoa do plural. Ex.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Joaquim, soube &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;roubarem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;-te, dia a dia, as jóias da casa, aquelas tua doces meninas. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;d) Quando, por força do estilo, se quer dar ênfase à frase, mesmo que se corrompam algumas &lt;em&gt;regras&lt;/em&gt; já ensinadas. Exs.: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;Quem te deu, pois, o direito de &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;correres&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; à morte certa?&amp;quot; (Alexandre Herculano, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Celso F. Cunha. &lt;em&gt;Gramática da Língua Portuguesa&lt;/em&gt;. 11.ª ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986, pág. 460.)&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, a &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;quebrarem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;espicaçarem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;, a &lt;font color="#50a244"&gt;&lt;em&gt;torturarem&lt;/em&gt;&lt;/font&gt; [grifo nosso] a pedra, pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impássivel gigante.&amp;quot; (Aluísio Azevedo, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Celso F. Cunha, &lt;em&gt;op. cit.&lt;/em&gt;, pág. 460). &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Observação final&lt;/em&gt;: Note-se o que diz Said Ali: &amp;quot;a escolha da forma infinitiva depende de cogitarmos somente da ação ou do intuito ou necessidade de pormos em evidência o agente do verbo&amp;quot; (M. Said Ali. &lt;em&gt;Gramática Secundária da Língua Portuguesa&lt;/em&gt;. 4.ª ed. São Paulo: Melhoramentos, pág. 246). O infinitivo flexionado pede-nos maior atenção ao agente do processo verbal, enquanto o não-flexionado faz-nos atentar mais na ação verbal propriamente dita. É necessária a flexão do infinitivo sempre que o emprego da forma não marcada tornar a frase obscura ou ambígua, mesmo que isso exija a corrupção de algumas &lt;em&gt;regras&lt;/em&gt;. Notem-se estes empregos estilísticos da forma flexionada: &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;As crianças são acalentadas por &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;dormirem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;, e os homens enganados para &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;sossegarem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&amp;quot;. (Marquês de Maricá) &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;É permitido aos versistas &lt;em&gt;&lt;font color="#50a244"&gt;poetarem&lt;/font&gt;&lt;/em&gt; em prosa&amp;quot; (Camilo Castelo Branco, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Evanildo Bechara. &lt;em&gt;Moderna Gramática Portuguesa&lt;/em&gt;. 38.ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007, pág. 286.) &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Bom, ***. Essa é a minha tentativa de tornar sintético esse tema tão intrincado da Gramática. O assunto, como já dissera, é um dos mais delicados da Língua Portuguesa, e, portanto, tentei não deixar um tanto vagas algumas recomendações de emprego. Isso é tudo. Um abraço, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4879214782603180732?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4879214782603180732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/04/gramatica-emprego-do-infinitivo.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4879214782603180732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4879214782603180732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/04/gramatica-emprego-do-infinitivo.html' title='Gramática: Emprego do infinitivo flexionado e do não-flexionado.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5304795119081662731</id><published>2009-01-05T21:44:00.001-03:00</published><updated>2009-01-05T21:44:58.297-03:00</updated><title type='text'>Matemática Elementar: Introdução ao Estudo de Sistemas Lineares.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" height="137" alt="Sistema de Equa&amp;ccedil;&amp;otilde;es Lineares" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/Matematica Elementar/sistema2.jpg" width="262" align="right"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sabendo que, na Internet, são tão poucos os textos que bem tratam do estudo de sistemas lineares, escrevi, há cerca de vinte dias, sobre tal assunto, visando ao completo tratamento, malgrado a minha pouca experiência na elaboração de textos de matemática elementar. Tive o particular interesse por esse assunto porque ainda é abordado muito timidamente pelos livros-texto brasileiros, que, muitas vezes, cometem erros conceituais (!) quando definem métodos de resolução e de julgamento de sistemas. Inicialmente, o texto surgiu a partir de um pedido de esclarecimento de questão, feito por membro de um dos mais completos fóruns de matemática elementar (&lt;i&gt;TutorBrasil.com.br&lt;/i&gt;), e, notando a confusão gerada quanto ao emprego equivocado da Regra de Cramer na discussão de sistemas, resolvi introduzir, no texto que preparava, conceitos mais precisos de discussão (Teorema de Rouché-Capelli, Teorema de Kronecker etc.). Após a conclusão e a publicação do texto, foi sugerida parceria com o mantenedor do referido fórum, o prof. Caju, através da qual poderia colaborar com o &lt;i&gt;TutorBrasil.com.br&lt;/i&gt;, disponibilizando os futuros textos produzidos por mim. Aos que, como eu, têm interesse em matemática elementar ou são apenas curiosos, sugiro que acessem o fórum,&amp;nbsp;em que&amp;nbsp;há muitas questões de matemática, física e química; a sugestão também é feita aos que prestarão vestibular e têm de resolver muitas questões. Abaixo estão a ligação que permite o &lt;i&gt;download&lt;/i&gt; e a que leva ao sítio &lt;i&gt;TutorBrasil.com.br&lt;/i&gt;. &lt;ul&gt; &lt;li&gt;&lt;a href="http://www.tutorbrasil.com.br/forum/gustavo_hsal/Introducao_ao_Estudo_de_Sistemas_Lineares_-_Gustavo_Henrique_S._A._Luna.pdf" target="_blank"&gt;Introdução ao Estudo de Sistemas Lineares - Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/a&gt;&lt;/li&gt; &lt;li&gt;&lt;a href="http://tutorbrasil.com.br/" target="_blank"&gt;TutorBrasil.com.br&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5304795119081662731?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5304795119081662731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/01/matemtica-elementar-introduo-ao-estudo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5304795119081662731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5304795119081662731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2009/01/matemtica-elementar-introduo-ao-estudo.html' title='Matemática Elementar: Introdução ao Estudo de Sistemas Lineares.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-6541371187089339941</id><published>2008-12-27T03:32:00.001-03:00</published><updated>2008-12-27T03:32:11.954-03:00</updated><title type='text'>Gramática: regência e significação.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://www.soportugues.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Há exatos dois meses, no fórum &lt;a href="http://www.soportugues.com.br/forum/" target="_blank"&gt;Só Português&lt;/a&gt; (anteriormente chamado SOLP),&amp;nbsp;foi perguntado a mim se haveria alguma regra prática&amp;nbsp;para indentificar se um verbo é intransitivo ou transitivo (direto, indireto ou direto e indireto). É muito comum que se pergunte isso, visto que, infelizmente, algumas gramáticas brasileiras não realizam eficientemente uma relação clara entre a regência de um verbo e sua significação. Trato de um esclarecimento maior dessa dependência; o que há nas gramáticas (com a necessária ressalva de duas ou três&amp;nbsp;notáveis gramáticas)&amp;nbsp;é tão-só uma lista expositiva de regências e de acepções. Esse pragmatismo impede, muitas vezes, o entendimento da flexibilidade da regência verbal quanto ao contexto em que se insere, induzindo o estudante que tão-só consumiu essa lista&amp;nbsp;a equívocos. Segue, então, o tópico em que aparece a pergunta do &lt;em&gt;forista&lt;/em&gt;:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;"Existe uma regra pré-fixada [&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;]&amp;nbsp;para identificarmos quando o verbo é intransitivo?"&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Olá, ***. Não existe regra que nos ajude a concluir se, fora da oração, certo verbo é ou não intransitivo. Todo verbo pode aparecer como intransitivo em uma oração. Quando nos deparamos com frase oracional, podemos identificar se um verbo é ou não intransitivo ao procurarmos por seus possíveis complementos. Atenta no seguinte texto:  &lt;p&gt;Por não gostar de mamões, Joaquim comprou uma penca de bananas; em casa, não olhou sequer para ela, acabou-se esquecendo de comê-la. O olvido fora embora, entretanto, quando a fome apertou. O menino, então, lembrou-se das frutas, mas, quando as buscou, viu-as podres, escuras e malcheirosas. Apertou uma delas e notou quão mole estava. Corajosamente, gostou-a, fechando a cara por conta do forte amargor. Sua mãe, em dura reprimenda, disse-lhe que ele não mais compraria. A mulher passou, então, a comprar as frutas que o menino lhe pedia e a alertá-lo para que ele comesse.  &lt;p&gt;Notemos, inicialmente, que ocorre, no texto acima, a repetição de alguns verbos (gostar, comprar, comer, apertar etc.). Repeti-os com o intuito de trabalhar as regências de cada um deles. Em "por não gostar de mamões", percebemos que a ação do verbo &lt;em&gt;gostar&lt;/em&gt; transita de Joaquim aos mamões através da preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;. Na outra aparição desse verbo, a transitividade é direta, sem a presença de preposição, pois, nesse caso, a acepção do verbo é a de &lt;em&gt;provar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;experimentar pelo paladar&lt;/em&gt;. Outro verbo que apresenta, no texto, regências distintas é &lt;em&gt;apertar&lt;/em&gt;. Nota que, em "quando a fome apertou", o verbo é intransitivo, ou seja, a ação verbal está contida, não transita e, portanto, não apresenta complementos. Em outra ocasião, na oração "Apertou uma delas e notou quão mole estava", esse verbo aparece como transitivo direto. No texto, o mesmo ocorre com os verbos &lt;em&gt;comprar&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;comer&lt;/em&gt;, o que evidencia a minha afirmação primeira de que todo verbo pode limitar sua transitividade, ou seja, pode aparecer como intransitivo. A partir do texto, podemos também concluir que a regência de dado verbo depende de sua acepção. Posso citar o verbo &lt;em&gt;assistir&lt;/em&gt; como exemplo dessa última afirmação, o qual, no sentido de &lt;em&gt;prestar assistência&lt;/em&gt;, é transitivo direto e, nas acepções de &lt;em&gt;presenciar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;acompanhar visualmente&lt;/em&gt;, e de &lt;em&gt;caber&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;competir&lt;/em&gt;, é transitivo indireto. Gostaria de esclarecer ainda que, no caso do verbo &lt;em&gt;comer&lt;/em&gt; em sua última aparição no texto, apesar de haver um complemento no campo das idéias ou subentendido (&lt;em&gt;frutas&lt;/em&gt;), a transitividade só é revelada pela presença ou não de complemento escrito, o que o faz, portanto, intransitivo.  &lt;p&gt;Isso é tudo o que, por ora, tenho a te dizer sobre o assunto, ***. Um abraço, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-6541371187089339941?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/6541371187089339941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/12/gramtica-regncia-e-significao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6541371187089339941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/6541371187089339941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/12/gramtica-regncia-e-significao.html' title='Gramática: regência e significação.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1249662947668786315</id><published>2008-09-12T01:13:00.002-03:00</published><updated>2008-09-19T01:49:24.793-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O copo inglês cheio d'água.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O copo inglês cheio d'água&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna &lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eis a noite parda, a inquietude cinza da madrugada; a aurora tarda a surgir triunfante, enquanto cá fico a admirar o volume límpido contido em copo inglês. Que posso eu diante de tanta tranqüilidade, o mais cruel dos oximoros? A noite não me permite o sono, apesar de toda a quietude. Na cama, modelando figuras ideais no forro do quarto, sentia sede, sim, demasiada sede. Levantei-me, então, decidido a encarar a madrugada, fruir de toda a paz que me é concedida pelo silêncio das horas dos cães ululantes, que, como os homens, também devem sofrer de mal congênere aos que tanto atormentam a humanidade. Na rua deserta, aquele canino inquieto, latindo em direção ao nada, é o reflexo do homem contemporâneo, que teme a tudo antes de conhecer o inimigo e é insatisfeito por natureza; as insatisfações dos dois são torpes e idênticas, o incômodo de não ter o que não pode ser possuído torna-os cegos; latem, pois, ao nada, que é o reflexo do que são ou do que, inutilmente, desejam ser. O breu da sala instiga-me, então, lembrando-me do cão, a imaginar quão triste é a escuridão e quão ricos somos por desfrutarmos de luz, que logo a deixo insurgir-se com descomunal ferocidade através de um estalo, em minha mente e no interruptor. A luz veio-me como indicativo de que sinto sede, idêntica à que me pôs de pé e induziu-me à trajetória do quarto à cozinha, mas muito mais reveladora, sede especial, que é o verdadeiro indício de quanto está em minhas mãos, que são apenas duas, enquanto há milhares espalmadas no chão, ajudando seus corpos desprovidos de forças a se reerguerem, porem-se de pé para, enfim, enxergarem tudo o que está, de fato, diante dos olhos, ou, para muitos, acima da cabeça. Tomo o copo que primeiro me aparece, um tipo inglês, dos que são enchidos de cachaça nos mais recônditos bares da cidade; noto, porém, que nunca houvera semelhante copo em casa, o que não me encorajou a perguntar a ninguém a origem de tal objeto, visto que, em tal horário, todos dormem e só eu teimo em enfrentar a madrugada. Cai presto a água, e o copo inglês vai, sutilmente, deixando-se preencher pelo líquido, que, em tal instante, é o sinal de que ainda sinto sede. Jaz quieto, então, o copo na mesa, e eu já não sei, de fato, o que me leva fitá-lo com tanta insistência. Que é de minha sede? Ainda a sinto, mas não consigo principiar atitude de consumir toda aquela água. Não sei se realmente merece ser bebida por mim; seria de todo significante se pudesse abeberar aos outros que dormem saciados de esperança nas praças, calçadas etc; que as mãos, então, os sustentem, visto que somos, todos os que têm duas, e somente duas, mãos vastas, os responsáveis, indiretamente, por todos os flagelos de história secular. A luz, tendo-me atingido severamente os olhos cansados de toda a neurastenia egoísta, foi, para mim, a explicação em voz maternal que me atingiu docemente as têmporas e penetrou-me os ouvidos, livrando-me do limbo cruel que não me permitia atentar nas mais simples posses, que são deveras verdadeiros abismos que me separam dos que sofrem o castigo programado, a dor plantada no peito que ainda bate em sons destoantes, mas muito mais sinceros que os produzidos pelos corações fajutos dos verdadeiros criminosos: os neurastênicos cujo maior conflito existencial é a escolha de um novo aparelho celular.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Horas antes da água que continuo a fitar, houve, em meu bairro, comício, muito barulho, gritos e enganosa exaltação. Muitos dos que lá estavam desfiguravam, sem atentar na atitude nefasta, o símbolo do líder, que, para eles, naquele momento, seria o ser verdadeiramente polido, sem máculas, e comprometido com o povo. A liderança, infelizmente, ganhou matizes obscuros através de discurso fervoroso; alguns, que não queriam gritos, perceberam a proporção da algazarra e partiram, outros, cujos olhos brilhavam esperançosos, mas pouco observadores, permaneciam a assistir ao candidato de voz bravia. Havia lá muitas mãos, que aplaudiam sem sequer nunca ter entrado em contato com as outras, sujas, espalmadas no chão; a indiferença que lhes é própria está no mutismo e na cegueira, posto que os pés que forte pisam o chão sejam indício de que pisar é realmente o seu forte. A paisagem, para os pseudo-românticos do séc. XXI, é ideal, olvidada de todas as chagas sociais e erigida consoante progresso mendaz, em que progredir é promover o crescente somatório de concreto nas paredes, que, pelo que eu saiba, não alimenta as bocas mudas, senão contribui com a distorção; o abismo torna a crescer.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Creio ser sempre necessário, nas mesas de todos os citadinos, um copo inglês cheio d'água. Que a luz atinja-lhes as têmporas e livre-os do limbo que promove o abismo. Quando torno a encarar o copo parco, ele parece debochar de minha falta de atitude; quão difícil é consumi-lo de todo, em movimento presto e brusco, como se sofresse de susto tão-somente incoativo. A catarse paralisa-me, o torpor toma-me como a um viciado, sem, entretanto, livrar-me do pensamento: as mãos calejadas, pequenas, abertas, escorando-se, gritantes, sujas, &lt;em&gt;espalmadas no chão&lt;/em&gt;... Subitamente, bato o joelho no suporte da mesa, e então o copo se abala, a circunferência da base entra a girar em movimento hipnótico, periódico e pertubador; a ameaça a toda aquela perfeição líquida se fez rápida e deixou-me extremamente apreensivo. Não poderia toda a revelação esvair-se tão brusca e fortemente como uma explosão. Girou, girou e girou, mas não tombou; a água, entretanto, permaneceu em movimento aguerrido. Veio a conclusão pungente e viperina de que o copo com água é o conjunto mais frágil do mundo, o que me exigiu uma digestão lenta, repleta de decepção e de tristeza tirana. O apaziguar do pensamento e os olhos úmidos agora permitiam-me sentir a dor no joelho, que, para mim, foi a mais saborosa dor de que já provei, visto que a soube medir com precisão; ela, de fato, não era uma dor, senão o alerta de que melhorei das cismas provocadas por um copo inglês cheio d'água. Pude, enfim, respirar profundamente e ter preciso norte. A seriedade de todo o susto revelado pelas mãos que desejam mais o copo do que eu foi logo preenchida por risos sonantes, de contentamento plácido e sopitado. Tomei rápido o copo nas mãos e bebi-o com a mais feroz velocidade, para finalmente notar que eu não estava com sede... Marcara o encontro com o copo inglês cheio d'água, mas desde o quarto não sentira sequer um pingo de sede. Essa experiência e a apreensão de todo o valor contido em pouco objeto cristalizaram-se em minha mente, uma ferida escusa fora sanada de todo e revelara-me quão grandes são as minhas mãos, que são duas, e somente duas. Levantei-me da cadeira em que estava, agora produto de catarse, que me removeu máculas fortes, e dirigi-me à parede que contém o interruptor, sem saber, contudo, se seria realmente o cessar da luz o que viria após o estalo. O estalo veio, mas a luz não se apagou... A aurora não mais se mostraria tão triunfante, visto que, em mente vítima de um copo inglês cheio d'água, a idéia de que ela se mostraria assim não seria válida para todos. O sono, então, chegou, e fui ao quarto para dormir com a certeza de que há muitas &lt;em&gt;mãos espalmadas no chão&lt;/em&gt; e de que possuo &lt;em&gt;duas, e somente duas&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1249662947668786315?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1249662947668786315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/09/crnica-o-copo-ingls-cheio-d.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1249662947668786315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1249662947668786315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/09/crnica-o-copo-ingls-cheio-d.html' title='Crônica: O copo inglês cheio d&amp;#39;água.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-4583036989353818549</id><published>2008-08-31T23:35:00.000-03:00</published><updated>2008-09-01T00:22:19.584-03:00</updated><title type='text'>Conto: Zecapinto</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Zecapinto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Caio Porfírio Carneiro&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Zecapinto criava pinto. Criava um pinto, que morreu. Criou outro. Que morreu. E outro ele criou. Morreu. Tantos criava, tantos morriam. Um suceder de pintos criados, mal criados, e um rosário de pintos mortos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então pensou, pensou, mão no queixo, e concluiu que em vez de pinto o certo seria criar cabra. Criou a primeira e ela não morreu. Criou a segunda, a terceira, a seqüência numérica transformou se em aprisco. A multiplicação tornou se geométrica quando, por engano, comprou um bode, que cresceu e, crescido, não saía de cima das cabras.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cabra a dar com pau. Então Zecapinto, que passou a ser chamado de Zecacabra, tomou uma resolução: vendeu todo o lote. Saíram berrando, estrada afora, o bode escanchado em cima de uma delas.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Zecacabra ficou só com seus cismares. Olhava o nascer do sol, o pôr do sol. Lembrou se dos pintos frágeis e chorou. Lembrou se das cabras e voltou a chorar.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Valeu se do amigo Ariosto:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – O que faço da vida?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A resposta veio seca e pronta:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Case se.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Levantou a cabeça, um susto e um espanto:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Com quem?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Com uma mulher.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro susto e outro espanto:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Onde vou encontrar?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Procure.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Zecacabra, que passou a ser conhecido por Zecassó, pôs o apurado da venda das cabras no bolso, fechou a casa e mandou se pelo mundo, uma única pergunta quando avistava uma mulher, quer casar comigo? Sempre uma única resposta, não. Nenhuma mulher o queria. Velha, gorda, alta, baixa, aleijada, barriguda, negra, branca, magra, todas lhe balançavam a cabeça na pronta negativa.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ficou tão conhecido com o seu pregão que passaram a chamá lo de Zecacasacomigo. E ele sempre alucinado, à procura da outra metade. Chegou a abrir o sorriso de esperança quando viu a bela saia vermelha:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Quer casar comigo?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A voz áspera veio em reprimenda:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Me respeite. Sou bispo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então Zecacasacomigo desistiu de vez. Voltou para o lar abandonado, roto, cansado, desanimado da vida e de tudo. Abriu a casa, escancarou as janelas, estirou se na rede e dormiu dias e dias.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acordou com a voz meiga e doce chamando o de muito longe.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que veio vindo, veio vindo. Quando abriu os olhos viu a beleza de moça ao lado, mão segurando o punho da rede, o colar de pérolas dos dentes abrindo o mais belo sorriso dos últimos tempos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vim para ficar.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A surpresa enorme transformou se em desejo e decisão.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rapidamente puxou a para a rede. Não perguntou de onde ela veio. Foi todo um dia e uma noite de aí meu Deus, eu morro, quero mais, ais e uis sem fim.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando suspiraram, o vento soprava forte e ela o chamou de Zecameu. E ele a chamou de Mulherminha. Só então o cenho franziu:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – De onde você veio?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela mal abriu os olhos, como se sonhasse:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – De muito longe.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Fica mesmo comigo?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Sou sua.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E dele ficou sendo. Zecameu, mais conhecido por Zecadela, criou alma nova. Plantou e colheu. Assoviava e ria. O jardim enfeitava se de flores, o pomar pejou se de frutos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Até aquela manhã orvalhada. Zecadela, que ia com disposição ao trabalho, voltou do meio do caminho para beijá la mais uma vez. Encontrou a pronta para sair, dedos ágeis dando retoques na pequena trouxa.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vou te deixar, Zecaera.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como um raio que o fulminasse:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Zeca o que?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Zecaera, porque já não és meu.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sentou se, desarvorado:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; '– Para onde vais, Mulherminha?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela, resoluta, dava ligeiro nó no matulão:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vou me embora pra Pasárgada. Lá sou amiga do rei.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E se foi. A perplexidade dele transformou se em ódio:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vá! Vá seguir o seu fado, ó mulher!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desandou, desabou nos calcanhares, como sentindo cólicas, e a explosão de choro levou o ao desespero, mãos trêmulas a correr os cabelos. Assim ficou até escurecer e o vento entrou livre porta adentro.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Levantou se, espantou as sombras com a luz do candeeiro, fechou portas e janelas, sentou se à cabeceira da mesa, olhos neutros no vaso de flores murchas, trocadas diariamente por ela.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pouco dormiu.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pela manhã a resolução estava tomada. Barbeou-se, banhou se, vestiu a melhor roupa, e valendo se do velho Ford do velhíssimo vigário da vila foi para a grande cidade. Passeou ao léu no meio do trânsito. Parou frente à vitrina e ficou a admirar os vestidos vaporosos, que cairiam bem no corpo dela. E a viu no reflexo do espelho da vitrina. Rodou nos calcanhares, palpitando.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era outra, linda como ela. Ali parada, meio riso de simpatia.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sorriu largo para ela. Ela riu para ele.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Oi.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A resposta dela ampliava a meiguice:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Oi.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aproximou se, ajeitou a gravata, alisou o cabelo. Ela continuava sorrindo, um sorriso tímido que o encantava e lhe tirava as palavras. Pôs a mão no quadril. Desfez a posição. Apoiou se num pé, no outro. Pigarreou. E surpreendeu se com o próprio convite:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vamos ao cinema?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A resposta veio no sorriso mais tímido ainda:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Vamos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pegou-a pela mão e ela apertou lhe os dedos. O frenesi desceu lhe pela espinha. Andaram, desviando do povo, algumas quadras. Ele procurava iniciar conversa, desesperadamente.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando encontrou as palavras, sofreu de decepção:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Não chove há quinze dias.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela olhava o, media o, rabo do olho. Ele se sentia examinado e sufocava se no paletó e na gravata. O desastre foi maior ainda:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – O Ford do vigário da vila está batendo biela.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chegasse em casa se esbofetearia. O cinema, ali perto, foi a salvação.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Cá estamos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aliviou se intimamente pelas palavras salvadoras. Comprou os ingressos sem ler o cartaz. Conseguiram, no quase escuro, filme começado, duas poltronas isoladas. Poucas cabeças.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele olhava a tela, via as figuras e não via o filme. Passou, muito lentamente, o braço sobre o encosto da cadeira dela e dela sentiu a mão leve pousar lhe na coxa. Disfarçou o extremeção com pigarro alto, seguido de psius de cadeiras diversas. A mão foi subindo e ele, surpresa crescente, petrificava se. A voz dela veio acariciante, hálito morno:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Meu preço é alto.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não compreendeu. Encarou a na penumbra e ela o olhava, sorrindo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Que preço?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Pela metida.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Pelo o quê?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Depois não vamos meter gostoso? Cobro caro. E você paga o hotel.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a mão chegava lá. Ela apertou a trouxa encolhida:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Na cama dou um jeito nele.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desabou de vez. Escorregou na poltrona. O pensamento, num lance, voou para ela, tão linda, sempre a cuidar do jardim, do pomar, das flores no jarro sobre a mesa.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Soltou sem pensar:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Você é uma puta.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A mão largou a trouxa, a voz cortou áspera:&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Me respeite, seu veado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vontade súbita de chorar levou o a levantar se e sair tropeçando poltronas.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na rua, desnorteado, olhou e olhou e não encontrou rumo a tomar. A buzina de um carro, seguida do palavrão, encaminhou o à esquina. De lá, pernas bambas, para o jardim da praça.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esparramou se no banco, uma aflição indefinível a atropelar se em soluços que não vinham.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aos olhos chegaram imagens do pomar com frutos podres no chão, do jardim em abandono, das flores mortas no vaso.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mais impulso que decisão, levantou se e tomou o rumo de casa. Paletó no braço, laço frouxo na gravata, sapatos na mão, feria se nos pedregulhos da estrada, sufocava ao sol de espelho. Descansou à sombra da árvore copada. E cochilou.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Despertou ao ouvir muitos pios. Perto da cerca vários pintos em torno da galinha que ciscava. Olhou para os lados, lá se foi de quatro, e mais que ligeiro pegou um deles. E caminhou depressa, paletó entrouxado ao sovaco, sapatos presos aos cadarços pendurados ao ombro, piar aflito do pinto no bolso.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Avistou a casa, sozinha ao escurecer. O vulto passou ao largo, sentido contrário.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Quem vai lá?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Zecapinto!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seguiram se à resposta uma leveza interior e uma santa alegria.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abriu a porta assoviando, acendeu o candeeiro, jogou longe, pela janela, o vaso com flores murchas. Pôs o pintinho sobre a mesa, e ele mal piava, asfixiado como viera no bolso sacolejante.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Olhou-o cheio de pena e esperança. Pena por saber, pela experiência, que ele não viveira muito. Esperança de que o próximo, que adquiriria logo cedo, sobrevivesse. Do contrário outro viria, e outro, mais outro...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cruzou os braços sobre a mesa, ouvindo ao longe o piar muito tênue do pintinho, ali próximo à sua cabeça bambeada.&lt;br&gt;Dormiu feliz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(fonte: Jornal do Conto - &lt;a title="http://www.revista.agulha.nom.br/cporfirio5.html" href="http://www.revista.agulha.nom.br/cporfirio5.html"&gt;www.revista.agulha.nom.br/cporfirio5.html&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-4583036989353818549?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/4583036989353818549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/09/conto-zecapinto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4583036989353818549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/4583036989353818549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/09/conto-zecapinto.html' title='Conto: Zecapinto'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8366722822783855648</id><published>2008-07-15T19:32:00.001-03:00</published><updated>2008-12-17T03:08:46.766-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Há um ano...</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há um ano, à tarde de um domingo tranqüilo, tão calmo que me punha angustiado, resolvi criar este blogue. Como sabe o visitante que leu a postagem inaugural, a minha história com blogues sempre mostrou-se um total desazo por conta dos problemas que me surgiam quando tentava publicar textos: a ferramenta&amp;nbsp;perra de formatação que alguns maus servidores forneciam e a pouca estabilidade do contato entre servidor e blogueiro. O salvador-da-pátria foi um aplicativo de edição que ainda me auxilia bastante; tratei de descrevê-lo naqueloutra postagem, posto que aqui ficarão apenas os outros 364 dias; a falta de arrojo da inauguração morreu por lá mesmo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escrevi pouco, mas o texto, seguindo outro rumo, tornou-se agora o que aparenta ser, visto que é de todo dinâmico: uma&amp;nbsp;obra sem prazo de conclusão. O momento da crônica e da poesia é decerto o que mais perdurou em meus textos, aqueles realmente próprios do momento que vivia, pois muitos outros, senão a maioria dos que por mim foram escritos nesse primeiro ano findo, foram as &lt;em&gt;encomendas&lt;/em&gt; semanais das aulas de redação. Outros tantos, &lt;em&gt;encomendados&lt;/em&gt;, convergiram com o escopo de minha escrita natural, e alguns desses acabaram parando neste blogue. Há textos meus que temo publicar, posto que me instiguem ao forte desejo de vê-los quedados aqui; desses textos atrevidos, ousei publicar um em que tratava do nonagésimo aniversário de uma grande revolução que delineou o rumo da história do séc. XX; a resposta, presta, foi a perda de meu diretório de hospedagem em um servidor europeu. Pensei ter sido o fato um problema interno ao sistema de cadastros do servidor ou talvez um tremendo caos no banco de dados de meu diretório, tão catastrófico que me causou a perda de todo o meu cadastro; posto que os servidores gratuitos de hospedagem apresentem problemas comuns de operação, a segunda hipótese era deveras insólita. Custou-me pouco&amp;nbsp;saber o motivo do ocorrido, pois recebi mensagem eletrônica do servidor, que me informava o que eu já tinha em mente e que o leitor agudo decerto já percebera.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mudei, por tudo que fora feito, para este servidor, que espero ser definitivo. No que concerne às novas ferramentas fornecidas, tive estima apenas àquelas mais pragmáticas, que tratam tão-só da organização dos textos e das ligações externas; a mudança do visual (&lt;em&gt;template&lt;/em&gt;) foi mera conseqüência da harmonia e da estabilidade que o blogue já estava assumindo. O contador foi culpa de minha curiosidade pouco importante de ter noção do ritmo das visitas, obviamente. Pode ter estranhado o leitor atento, ou nem tanto, que o esqueleto deste blogue carece de um sumário legítimo, tão necessário quanto aquele impresso que auxilia o início de leitura. Espero, entretanto, ter maior número de textos para, finalmente, preparar divisão em categorias. Tenho, atualmente, a formatação, tanto dos textos quanto dos outros componentes do blogue, como forte&amp;nbsp;adjutório à estabilidade dos escritos, dos &lt;em&gt;rascunhos&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como se pode notar, não publico somente textos de minha autoria, senão todos os que me motivam a publicação, de modo que a fonte e o crédito são prioridades. Desses textos, que assumem posto muito mais elevado quando comparados com meus desazados &lt;em&gt;rascunhos&lt;/em&gt;, destaco o poema &lt;em&gt;Amor Platônico&lt;/em&gt; de meu amigo Robson, rapaz que detém habilidade natural, deveras espontânea,&amp;nbsp;para a&amp;nbsp;cor dos versos; a rima entrega-se presto ao controle desse poeta cantador e ele, com assustadora criatividade, sabe ordernar os versos com bastante esmero. Apesar de todo esse domínio da rima, publiquei o referido poema, que é branco e não deixa a desejar àqueloutros a que dirigi encômios que não julgo exagerados. Os outros textos são bastante vários, alguns tratam de descobertas da ciência, outros são crônicas e poesias&amp;nbsp;de autores cujos estilos admiro. Na abertura deste ano,&amp;nbsp;compus alguns&amp;nbsp;versos livres, caquéticos e engraçados, uns&amp;nbsp;versos bugios; não vieram, portanto, ao blogue. Eles são frutos, às vezes, do cansaço e surgem de supetão; muitas vezes, assustam-me, de modo que não os queria assim, ou seja, são quase autônomos. A maioria deles é fruto de uma madruga tediosa. A criação também é um tipo de resistência, não àquilo que me é externo, senão às minhas condições no exato momento em que escrevo. Ultimamente, tenho-me mostrado inábil e, por conseqüência, inerme aos acontecimentos, tenho criado muito pouco, o que é, de fato, ir à guerra despreparado. Sinto-me, por vezes, vilão de uma condição que me impus; devê-lo-ia reverter em papéis escritos. Tenho-me posto&amp;nbsp;sob a&amp;nbsp;teoria, quase como espécie de títere,&amp;nbsp;através do qual ela controla-me&amp;nbsp;o ânimo. Outro entrave é a sistematização da escrita, que já fora tema de outra crônica minha, um texto mais consciente que este. Quem diria que, para representar o primeiro ano do blogue, viria este desazo que escrevo quase&amp;nbsp;imerso&amp;nbsp;em sono? Quem não me deixa dormir é o bom Duke Ellington e sua orquestra, no festival de Newport em 1956. E o histórico solo do saxofonista Paul Gonsalves em &lt;em&gt;Diminuendo And Crescendo In Blue&lt;/em&gt;, de fato, mantém-me atento à tela do computador.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No final do ano passado, talvez em novembro, passei a escrever em um fórum de Língua Portuguesa. Surgiam as dúvidas de fonologia, ortografia, sintaxe, etc., e eu tratava de colaborar, ajudando os confrades. Acompanhei o desenvolver do fórum, que começara tímido, com poucos membros e sem muitos tópicos. Hoje, há 144 tópicos, 440 mensagens e&amp;nbsp;1.065 membros,&amp;nbsp;o que é quantia razoável para um fórum que entrou em funcionamento em&amp;nbsp;abril de 2007. Das 440 mensagens, escrevi até agora 130 mensagens, das quais algumas tomaram volume de tópico e vieram parar neste blogue. Destinarei, quando estiverem montadas as categorias deste sítio, espaço para as questões gramaticais; algumas me forçavam a tratar por completo de alguns assuntos de sintaxe, como foi o caso do tópico sobre a palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;, visto que é forçoso, sim, concluir toda a explanação. Necessário também é ser claro, bem explícito,&amp;nbsp;em relação a algumas questões. Tanto exijo isso de mim, que Giorgio, amigo e um dos mais ativos &lt;em&gt;foristas&lt;/em&gt; do SOLP, perguntou-me como tenho paciência para a explicação demasiada, apurada, que tampa os buracos e permite que haja total apreensão do assunto por parte do &lt;em&gt;forista&lt;/em&gt; que possuía a dúvida. Ora, não costumo responder com um sorriso amargo daquele tipo prestadio que&amp;nbsp;tão-só responde às dúvidas, pois, se as respostas lá estão escritas, têm de ser bons registros, para que no futuro, se o fórum se mantiver de pé, sirvam como fonte para dúvidas comuns. Do fórum a este blogue, as respostas mais volumadas chegavam em boas quantias. O resguardo do&amp;nbsp;anonimato dos que tinham a dúvida é&amp;nbsp;atitude que ainda priorizo, visto que alguns receiam&amp;nbsp;aparentar tê-las. Dúvidas são dúvidas, todos temos; a anonímia, entretanto, é mantida. Todos os tópicos&amp;nbsp;gramaticais deste blogue trazem, e continuarão a fazê-lo, a marca do fórum &lt;a href="http://solp.com.br/forum/" target="_blank"&gt;SOLP&lt;/a&gt;; são textos meus que estão registrados em tal instrumento de comunicação entre internautas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto à música, expressão vivaz do espírito humano, a qual&amp;nbsp;tanto estimo, penso em publicar antigas resenhas minhas, revisadas e completadas. Antigamente, não sei se já falei sobre isso aqui no &lt;em&gt;Rascunho&lt;/em&gt;, possuía um blogue inteiramente dedicado ao roque, no qual resenhava álbuns de bandas de progressivo, &lt;em&gt;hard rock&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;metal&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;blues-rock&lt;/em&gt; etc. Cheguei a escrever sobre os álbuns &lt;em&gt;Heavy Horses&lt;/em&gt;, da banda inglesa &lt;em&gt;Jethro Tull&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Rotters' Club&lt;/em&gt;, da também inglesa, da Cantuária (&lt;em&gt;Canterbury&lt;/em&gt;),&amp;nbsp;&lt;em&gt;Hatfield and The North&lt;/em&gt; (por sinal, o cenário progressivo da&amp;nbsp;Cantuária é riquíssimo); &lt;em&gt;Tons of Sobs&lt;/em&gt;, da &lt;em&gt;Free&lt;/em&gt;, entre outros discos. Se eu decidir, realmente, publicar resenhas de álbuns e de bandas, serei mais amplo, tratando de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;jazz&lt;/em&gt; (estilo que ainda pouco conheço) e do já ventilado &lt;em&gt;rock 'n' roll&lt;/em&gt;. Penso em tratar das boas&amp;nbsp;bandas progressivas da Itália, jóias dessa vertente do roque, as quais só passei a conhecer no início de 2006. Este blogue completa, enfim,&amp;nbsp;um ano composto de momentos frutíferos e de outros tão quietos, preguiçosos, que ensombravam um mês, que urgia ser preenchido por rascunhos quaisquer, ainda que caquéticos, em total desazo. Escrever, em parte, é isto: o paradoxo de refletir sem registrar, ou registrar de tal modo que a reflexão ganhe outras formas pelo leitor. O silêncio em música é demasiado semelhante à pura reflexão referida, quieta, sem o registro presto, na escrita. A introspecção, as tentativas de pensar diverso o que merece ser escrito, já nos vale&amp;nbsp;como intervalo entre o ínicio da resistência, da criação, e o estourar da caneta, nervosa, sobre o papel. É, sim, essa mesma importância de resistir a si e ao que será escrito, esse&amp;nbsp;intervalo de instropecção,&amp;nbsp;que também define o silêncio forçoso na música: espécie de necessidade da composição, ora apaziguante, ora angustiante; causa, justamente, na escrita, a ânsia pelo manchar do papel. De fato, ninguém conhece de todo o silêncio, posto que ele é a pura sugestão inserida ao que é composto; todos, entretanto, têm a falar sobre o mutismo que aparentemente não nos diz nada. O silêncio, tal como o intervalo de reflexão na escrita, nunca será fruto de meras ilações; o estouro da conclusão, vã dedução, sozinho, não leva à escrita. Ele, o silêncio,&amp;nbsp;certamente,&amp;nbsp;diz-nos tudo, traça-nos o itinerário que devemos seguir a fim de começarmos a escrita. Quando, então, estamos na iminência do registro, as idéias já estão cá nos bolsos, insurgentes, e querem-se antecipar umas às outras no papel com imensa fúria. O texto do primeiro aniversário, que é escrito em um domingo, apesar de o dia que marca o primeiro ano findo do blogue ser esta terça-feira,&amp;nbsp;começa e termina em mesmo ar, dominado pela mesma angústia&amp;nbsp;motivada por tarde de domingo semelhante em tudo àqueloutra que me deu motivos para criar este blogue. Texto semelhante a visita desjeitosa que não sabe como se despedir do dono da casa, este não sabe edificar o bom desfecho, que deixa boa aparência ao texto. Um remate presto é o que quero depois de tão pouco falar sobre um ano de &lt;em&gt;O Rascunho&lt;/em&gt;, um registro pouco e imarcescível de mim: simplesmente, fim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8366722822783855648?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8366722822783855648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/07/crnica-h-um-ano.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8366722822783855648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8366722822783855648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/07/crnica-h-um-ano.html' title='Crônica: Há um ano...'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-5742627431329459175</id><published>2008-06-30T03:40:00.001-03:00</published><updated>2008-06-30T03:42:57.433-03:00</updated><title type='text'>Sugestão musical: Machiavel - Jester (EIM 1976)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="margin: 0px 5px 0px 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/mac2.jpg" align="left"&gt; Machiavel&lt;/em&gt; foi banda belga de progressivo sinfônico, que se mostrou bastante sólida, complexa e melódica. &lt;em&gt;Jester&lt;/em&gt; foi o segundo álbum do grupo e um de seus clássicos lançamentos. A música é exuberante e atmosférica, com muitas demonstrações de bom uso de guitarra e de teclado (sintetizadores, &lt;em&gt;Mellotron&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;moog&lt;/em&gt; e piano elétrico); a banda soa muito comum ao &lt;em&gt;rock&lt;/em&gt; progressivo sinfônico europeu do final da década de setenta. A principal influência da banda parece ser &lt;em&gt;Genesis&lt;/em&gt;, banda britânica de mesmo gênero; &lt;em&gt;Machiavel&lt;/em&gt;, entretanto, incorporou também, nas&amp;nbsp;porções mais cativantes das canções desse álbum,&amp;nbsp;muitas características do piano elétrico aos moldes da &lt;em&gt;Supertramp&lt;/em&gt;, outra banda britânica. Por alguma razão estranha, eles puseram a única faixa mais fraca no rosto do álbum, como faixa inicial. &lt;em&gt;Wisdom&lt;/em&gt; é espécie de faixa inestante e soa, em parte, como algumas bandas tediosas do chamado &lt;em&gt;neo-progressivo&lt;/em&gt;. Não te assustes, porém, com o fato de haver forte desazo inicial, visto que o restante do álbum revela excelentes canções. A faixa título mostra-nos muito bem todas as faces da banda, trazendo passagens instrumentais belas, sinfônicas e melódicas que permanecem associadas às porções cantadas em rara simbiose musical, que decerto é aderida à memória presto e forte logo na primeira audição. &lt;em&gt;Sparkling Jaw&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;In the Reign of Queen Pollution&lt;/em&gt; são outros exemplos dessa combinação, enquanto &lt;em&gt;Mr. Street Fair&lt;/em&gt; é faixa mais puramente sinfônica. Tirante o desazo inicial, a faixa &lt;em&gt;Wisdom&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Jester&lt;/em&gt; é álbum maiúsculo e recomendado a todos os fãs de progressivo sinfônico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Faixas:  &lt;p&gt;1. &lt;em&gt;Wisdom&lt;/em&gt; (6min)&lt;br&gt;2. &lt;em&gt;Sparkling jaw&lt;/em&gt; (7min)&lt;br&gt;3. &lt;em&gt;Moments&lt;/em&gt; (3min17s)&lt;br&gt;4. &lt;em&gt;In the reign of queen pollution&lt;/em&gt; (6min56s)&lt;br&gt;5. &lt;em&gt;The jester&lt;/em&gt; (5min20s)&lt;br&gt;6. &lt;em&gt;Mister street fair&lt;/em&gt; (7min55s)&lt;br&gt;7. &lt;em&gt;Rock, sea, and tree&lt;/em&gt; (9min52s)&lt;br&gt;8. &lt;em&gt;The birds are gone&lt;/em&gt; (1min49s)&lt;br&gt;9. &lt;em&gt;I'm nowhere&lt;/em&gt; (2min22s) &lt;p&gt;(fonte: &lt;a href="http://www.vintageprog.com"&gt;vintageprog.com&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-5742627431329459175?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/5742627431329459175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/sugesto-musical-machiavel-jester-eim.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5742627431329459175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/5742627431329459175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/sugesto-musical-machiavel-jester-eim.html' title='Sugestão musical: Machiavel - Jester (EIM 1976)'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1889375847638976224</id><published>2008-06-09T01:21:00.001-03:00</published><updated>2008-06-09T01:21:49.571-03:00</updated><title type='text'>Gramática: questão de concurso.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://solp.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Eis&amp;nbsp;uma das questões de concurso mais interessantes que já apareceram no &lt;a href="http://www.solp.com.br/forum" target="_blank"&gt;fórum SOLP&lt;/a&gt;. Ela trata puramente da análise da correção de trechos extraídos de um edital de licitação. O que mais me atraiu nessa questão foi a sutileza do deslize cometido numa das opções, que representa, obviamente, aquela que deveria ser marcada. Cá está o tópico em que ela apareceu:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Marque o trecho com &lt;u&gt;erro&lt;/u&gt; de natureza sintática.  &lt;p&gt;a) Poderão participar da licitação pública regulada por este Edital pessoas físicas ou jurídicas, associadas ou não, domiciliadas ou estabelecidas em qualquer parte do território nacional, exceto os diretores, membros efetivos e suplentes da Comissão de Licitação.  &lt;p&gt;b) Em se tratando de participação em Licitação Pública para aquisição de imóvel unifamiliar, o(a) licitante deverá comprovar, no ato da assinatura da Escritura, que não possui nem possuiu, nos últimos 12 (doze) meses, imóvel de uso residencial no Distrito Federal.  &lt;p&gt;c) À Terracap é reservado o direito de não efetivar a venda, na hipótese do não-cumprimento de quaisquer das providências indicadas neste Edital, sem prejuízo das demais medidas aqui previstas.  &lt;p&gt;d) Fica a Diretoria Colegiada da Terracap autorizada a alterar a data da licitação, revogá-la no todo ou em parte, excluir itens em qualquer fase do procedimento licitatório, em data anterior à homologação do resultado, sem que caiba ao(s) licitante(s) ressarcimento ou indenização de qualquer espécie.  &lt;p&gt;e) O licitante interessado, antes de preencher sua proposta de compra, deverá inspecionar o lote de seu interesse, para inteirar-se das condições e do estado em que se encontram, podendo recorrer à Terracap para obter informações mais detalhadas e precisas.  &lt;p&gt;(&lt;em&gt;Edital nº 04/2004, Licitação Terracap, com adaptações&lt;/em&gt;) &lt;p&gt;Olá, ***. Agradeço-te, antes de tudo, a excelente questão que nos trouxeste. Ela exige de quem a revisa a máxima atenção a fim de que possa notar o pequeno deslize de concordância na &lt;strong&gt;opção e&lt;/strong&gt;. Repara que há a forma verbal &lt;em&gt;se encontram&lt;/em&gt; flexionada de modo incorreto, visto que o referente sintático é a palavra &lt;em&gt;lote&lt;/em&gt;. O verbo deveria ficar, pois, no singular. Nota também que a palavra &lt;em&gt;se&lt;/em&gt;, próxima ao referido verbo, não é parte integrante dele, mas sim uma partícula apassivadora; o verbo não é pronominal, é transitivo direto. A palavra &lt;em&gt;lote&lt;/em&gt; seria, então, o sujeito paciente implícito na oração. Ex.: (...) em que o lote é encontrado (em que se encontra). O trecho totalmente corrigido ficaria assim:  &lt;p&gt;"O licitante interessado, antes de preencher sua proposta de compra, deverá inspecionar o lote de seu interesse, para inteirar-se das condições e do estado em que se &lt;strong&gt;encontra&lt;/strong&gt;, podendo recorrer à Terracap para obter informações mais detalhadas e precisas."  &lt;p&gt;Um abraço, ***, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1889375847638976224?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1889375847638976224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/gramtica-questo-de-concurso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1889375847638976224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1889375847638976224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/gramtica-questo-de-concurso.html' title='Gramática: questão de concurso.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2422720926728892764</id><published>2008-06-01T22:42:00.000-03:00</published><updated>2008-06-01T22:43:00.050-03:00</updated><title type='text'>O prato amargo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na sociedade hodierna, há notável&amp;nbsp;apatia dos sentidos dos homens, visto que eles não têm tempo suficiente para praticá-los; a máquina que os governa exige resposta presta e exata: não há&amp;nbsp;o que sentir. Os princípios de humanidade, ou suas atitudes moribundas, remanescentes, são subjugadas todos os dias pela concorrência entre os homens que comem o pão de cada dia e não notam que consomem muito mais que isso; a escatologia humana é o prato consumido sem sal e os que se servem não sentem o sabor amargo da comida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os conceitos que regem o homem do novo século são outros e os princípios do homem natural, pintado por filósofos da Ilustração, são projetos demasiadamente utópicos, cujo escopo tem-se distanciado da realidade gerida pelo capital. O homem, hoje, é vítima de si mesmo e o seu lema é o individualismo. De toda essa conjuntura social, o que mais me assusta é a dormência da sociedade diante dessa situação programada, mecânica, em que o homem mais parece uma peça de jogo de xadrez. Posto que os princípios naturais do ser humano não se mostrem com a devida freqüência nos dias de hoje, a situação não se limita à morosidade social e, pior, há, em verdade, uma inversão de conceitos: o bizarro, por exemplo, não mais choca o indivíduo acostumado a cenas de depravação humana e olvidado do conceito de beleza.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A violência, sob as suas diversas faces, aparece-nos diariamente na televisão, no trajeto dos que vão trabalhar e até no mundo bem pintado, sem máculas, das crianças que são vítimas de sua inocência. A corrupção, não só a sua versão mais ventilada, que é a política, senão em sentido amplo, colabora, quando bem calada, com a banalização da violência, tornando o incidente escatológico um fato corriqueiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O cenário de uma sociedade corrompida é o fruto mais devastador de causas que nos remetem à origem da dominação entre os homens, um traço obscuro da nossa história cuja determinação não é pontual e está longe de ser clara. A análise superficial da sociedade em que vivemos ilude os muitos que tomam o bonde para seguir o jogo cujo fim é determinado antes mesmo&amp;nbsp;de a partida começar e, junto à cacotanásia diária&amp;nbsp;que passa despercebida aos olhos de tantos, representa o contraste dos extremos de uma só paisagem: a exaustão da humanidade e de seus princípios.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-2422720926728892764?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/2422720926728892764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/o-prato-amargo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2422720926728892764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2422720926728892764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/06/o-prato-amargo.html' title='O prato amargo.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1244067950115522813</id><published>2008-05-19T03:14:00.001-03:00</published><updated>2008-05-19T03:17:05.588-03:00</updated><title type='text'>Gramática: a palavra "que".</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://solp.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Perguntaram, por fim, a distinção entre as classificações da palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;assunto interessante e que nos permite uma viagem de extenso itinerário à morfologia e à sintaxe. Tentei responder concisamente, o que foi inútil, posto que tal assunto&amp;nbsp;nos&amp;nbsp;exige a paciência de apreciar a versatilidade de um vocábulo formalmente&amp;nbsp;tão pequeno, mas que se mostra imenso na frase, guiando-nos por diversos caminhos e mostrando-nos alguns segredos da língua, pontos turísticos que são as&amp;nbsp;formas vívidas de expressão de tal palavrinha. Eis então a minha resposta: &lt;p&gt;Olá, ***. A distinção entre as&amp;nbsp;várias classificações que o &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; pode assumir na oração torna-se clara quando observamos as palavras e a pontuação a ele associadas. Ele pode ser:  &lt;p&gt;1.º - &lt;u&gt;&lt;strong&gt;Substantivo&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;  &lt;p&gt;Nesse caso, ele geralmente vem precedido de artigo e, por ser vocábulo monossílabo tônico, é sempre acentuado. Ex.:  &lt;p&gt;"Meu bem-querer tem um &lt;strong&gt;quê&lt;/strong&gt; de pecado..." (Djavan)&lt;br&gt;Ela nos mostrou um &lt;strong&gt;quê&lt;/strong&gt; de insatisfação.&lt;br&gt;Encontre todos os &lt;strong&gt;quês&lt;/strong&gt; do texto.  &lt;p&gt;2.º - &lt;u&gt;&lt;strong&gt;Interjeição&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;  &lt;p&gt;Como toda interjeição, exprime sentimento e representa uma frase implícita. Sempre leva acento gráfico, pelo mesmo motivo do substantivo homônimo. Ex.:  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quê&lt;/strong&gt;! Não acredito que eles fizeram isso!  &lt;p&gt;3.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Advérbio de intensidade&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Modifica o adjetivo ou outro advérbio, equivalendo à palavra &lt;em&gt;quão&lt;/em&gt;. Ex.:  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; bom revê-lo, Joaquim!&lt;br&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; bonita é aquela moça!  &lt;p&gt;4.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Pronome adjetivo&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Sempre acompanha o substantivo. Ex.:  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; casa compraste recentemente? (pronome adjetivo interrogativo)&lt;br&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; idéia de jerico! (pronome adjetivo exclamativo)&lt;br&gt;Não sei &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; livro devo comprar. (pronome adjetivo indefinido)  &lt;p&gt;5.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Pronome substantivo&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Assume o lugar do substantivo na frase e, se vier em final desta, será proferido tonicamente, levando acento pelo mesmo motivo do substantivo e da interjeição.  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; te fez mal ontem à noite? (pronome substantivo interrogativo)&lt;br&gt;Joana me disse não sei o &lt;strong&gt;quê&lt;/strong&gt;. (pronome substantivo indefinido)  &lt;p&gt;6.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Pronome relativo&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Substitui substantivo ou pronome substantivo, exercendo diversas funções sintáticas. Pode-se construir, à parte, uma oração elucidativa dessa substituição; por exemplo, em "A árvore que dava muitos frutos sucumbiu", pode-se notar que o &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; exerce função de sujeito da oração adjetiva restritiva &lt;em&gt;que dava muitos frutos&lt;/em&gt; e, à parte, por motivo de melhor compreensão de que o substantivo &lt;em&gt;árvore&lt;/em&gt; é substituído pelo &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;, poderíamos escrever a seguinte oração: A árvore dava muitos frutos. Ex.:  &lt;p&gt;A pitombeira &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; está perto da praça municipal dá muitos frutos. (&lt;em&gt;que&lt;/em&gt; = sujeito de &lt;em&gt;está&lt;/em&gt;)&lt;br&gt;"O melhor retrato de cada um é aquilo &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; escreve." (&lt;em&gt;que&lt;/em&gt; = objeto direto de &lt;em&gt;escreve&lt;/em&gt;)&lt;br&gt;Luiz Gonzaga é o nordestino de &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; sou fã. (&lt;em&gt;de que&lt;/em&gt; = complemento nominal do substantivo predicativo &lt;em&gt;fã&lt;/em&gt;)  &lt;p&gt;Obs.: O relativo &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; também aparece determinando o pronome substantivo demonstrativo neutro &lt;em&gt;o&lt;/em&gt;, quando este funciona como aposto na oração. Ex.: Choveu muito, o &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; não é bom para a corrida automobilística. (o demonstrativo vicário &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; funciona como aposto e poderia ser substituído por substantivo como &lt;em&gt;fato&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;coisa&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; funciona como sujeito da oração adjetiva ulterior)  &lt;p&gt;7.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Conjunção coordenativa&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Liga orações que são independentes sintaticamente. É importante notar o fato de que, algumas vezes, a palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; vem após vírgula, não possui referente substantivo anafórico nem se enquadra em nenhuma das outras classificações supracitadas; o que é indício prático de que se trata de uma conjunção coordenativa adversativa, explicativa ou alternativa correlativa. Ex.:  &lt;p&gt;"Culpe-os, &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; não a mim!" (&lt;em&gt;que&lt;/em&gt; = &lt;em&gt;mas&lt;/em&gt;; portanto, adversativa)&lt;br&gt;Chupa esse picolé, &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; ele é de uva. (&lt;em&gt;que&lt;/em&gt; = &lt;em&gt;pois&lt;/em&gt;; é, portanto, explicativa)&lt;br&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; chova, &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; faça sol, casarei amanhã, dia 30 de fevereiro. (&lt;em&gt;que... que&lt;/em&gt; = &lt;em&gt;ou... ou&lt;/em&gt;; conjunção coordenativa alternativa correlativa)  &lt;p&gt;8.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Conjunção subordinativa&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Liga orações que são dependentes sintaticamente. Ex.:  &lt;p&gt;O importante é &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; consegui um bom emprego e tenho saúde. (conjunção subordinativa integrante)&lt;br&gt;Dizem &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; um jogador de futebol famoso se deu mal com travestis.&lt;br&gt;Agora &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; nos vamos casar, cai este pé-d'água! (conjunção subordinativa temporal)&lt;br&gt;Falou tanto, &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; parecia ter tomado água de chocalho. (conjunção subordinativa consecutiva)&lt;br&gt;Vou cuspir no chão e espero &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; você volte antes de o cuspe secar. (conjunção subordinativa integrante)&lt;br&gt;Samarica parteira gritava mais &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; a parturiente. (conjunção subordinativa comparativa).  &lt;p&gt;9.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Palavra expletiva ou de realce&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Pode ser removida da oração sem prejuízo algum da mensagem. Ex.:  &lt;p&gt;Quase &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; quebrei a perna quando praticava "Le Parkour".&lt;br&gt;Nunca &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; eu praticaria algo que colocasse minha saúde em risco.&lt;br&gt;Que felizes &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; eram aqueles dois na flor da mocidade.&lt;br&gt;Obviamente &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; não tentei a asneira de escalar o muro para pegar jambo; não pularia, portanto, sem motivo algum.  &lt;p&gt;Atenção à locução expletiva &lt;em&gt;é que&lt;/em&gt;, quando aparece em conjunto antes do verbo principal da oração. Essa locução é diferente da também expletiva locução do tipo &lt;em&gt;verbo ser + sujeito + que + verbo principal&lt;/em&gt; (&lt;strong&gt;sou eu que pratico&lt;/strong&gt; judô todos os dias = eu pratico judô todos os dias). Apesar de ambas serem expletivas, podendo ser retiradas da oração, elas enfatizam a ação do verbo principal, conferindo-lhe mais destaque. Ex.:  &lt;p&gt;Eu &lt;strong&gt;é que&lt;/strong&gt; não pratico as estripulias de meu sobrinho: ficar escalando tudo o que vê.&lt;br&gt;&lt;strong&gt;Foram nossos pais que enfrentaram&lt;/strong&gt; a viperina ditadura militar: 21 anos de sofrimento, medo e governança inepta.&lt;br&gt;Joaquim &lt;strong&gt;é que&lt;/strong&gt; não temia cara feia, enfrentou o valetão dizendo que a gravata de bolinhas amarelas era horrível.  &lt;p&gt;10.º - &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Preposição&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p&gt;Pode ser substituída pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;.  &lt;p&gt;Primeiro &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; tudo é preciso muito estudo para ser aprovado no vestibular.  &lt;p&gt;A palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; também aparece como preposição na locução verbal &lt;em&gt;ter + que + verbo no infinitivo&lt;/em&gt;. Questão polêmica é a distinção entre &lt;em&gt;ter que&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;ter de&lt;/em&gt;. Já li em algumas apostilas uma distinção sem fundamento algum, que afirmava que &lt;em&gt;ter de&lt;/em&gt; distingue-se da outra expressão por indicar obrigação, o que, segundo essas apostilas, &lt;em&gt;ter que&lt;/em&gt; não faria. Outros autores são mais maleáveis e afirmam que não há distinção alguma, podendo-se usar tanto uma quanto outra. A distinção mais interessante e que considero mais coerente e acertada foi escrita pelo célebre prof. Paulo Hernandes. Ele diz que a Gramática tradicional afirma que em &lt;em&gt;ter que&lt;/em&gt;, além da idéia de obrigatoriedade, há, em verdade, um pronome relativo representado pela palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; e a idéia subentendida do pronome indefinido &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt;, o próprio escrito realmente (tenho muito que estudar) ou omitido por conta de ele ser facilmente reconhecido como referente no contexto. Ele afirma que a Gramática tradicional recomenda ainda que, se o &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; não tem antecedente com o qual se relacionar, não é apropriado o uso de tal palavra e ela deve, portanto, ser substituída pela preposição &lt;em&gt;de&lt;/em&gt;. Para saberes mais, consulta a página do professor: &lt;a href="http://www.paulohernandes.pro.br/dicas/001/dica114.html#anc" target="_blank"&gt;dica n.º 114&lt;/a&gt;. &lt;p&gt;Isso é tudo que posso falar sobre as diversas classificações da palavra &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;. Um abraço, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1244067950115522813?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1244067950115522813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/05/gramtica-palavra.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1244067950115522813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1244067950115522813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/05/gramtica-palavra.html' title='Gramática: a palavra &amp;quot;que&amp;quot;.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-7792718899032844858</id><published>2008-05-19T02:35:00.001-03:00</published><updated>2010-07-31T03:33:27.464-03:00</updated><title type='text'>"Contículo": Saiu do milharal ou da cabeça?</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;   &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="150" align="right" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="150"&gt;&lt;img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/BolodeMilho.jpg" /&gt; &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="150"&gt;           &lt;p align="right"&gt;fonte da fotografia: &lt;a href="http://masterkitchen.com.br" target="_blank"&gt;masterkitchen.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p&gt;Saiu dali, do milharal, a delícia que lhe constrói a carreira. O menino corre como quem foge de bicho bruto, leva um tombo daqueles e bate a cara no calçamento. Oito pontos na testa! Preço de pouco juízo e de muita vontade de comer aquele manzape da mamãe. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Presenciou toda a cena outro moleque ainda mais desajuizado, que soltou a gargalhada mais daninha por conta da queda do esfaimado. Ah! Infeliz! Assustou-se, porém, quando o menino levantou a face ensangüentada. O gaiato que mangara do tombo ficou branco como burro que foge e entrou espavorido na casa dos pais do menino gritando que o pobre danado estava morrendo, perdendo muito sangue (ah! &amp;quot;fi' d'uma égua exagerado!&amp;quot;) &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pronto! Levaram o abestalhado para o hospital. Foi bufando, porquanto não comera sequer a menor das fatias daquele manzape cheiroso. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-7792718899032844858?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/7792718899032844858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/05/saiu-do-milharal-ou-da-cabea.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7792718899032844858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7792718899032844858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/05/saiu-do-milharal-ou-da-cabea.html' title='&amp;quot;Contículo&amp;quot;: Saiu do milharal ou da cabeça?'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_BolodeMilho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8190223354890897881</id><published>2008-04-28T02:56:00.001-03:00</published><updated>2010-07-31T03:46:51.379-03:00</updated><title type='text'>Poesia: algumas poesias de Augusto dos Anjos.</title><content type='html'>&amp;#160; &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="473" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="242"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/AA2.jpg" align="left" border="0" /&gt; &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="229"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;VERSOS ÍNTIMOS &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Vês! Ninguém assistiu ao formidável            &lt;br /&gt;Enterro de tua última quimera.             &lt;br /&gt;Somente a Ingratidão -- esta pantera --Foi tua companheira inseparável! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Acostuma-te à lama que te espera!           &lt;br /&gt;O Homem, que, nesta terra miserável,&amp;#160; &lt;br /&gt;Mora, entre feras, sente invevitável             &lt;br /&gt;Necessidade de também ser fera. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Toma um fósforo. Acende teu cigarro!            &lt;br /&gt;o beijo, amigo, é a véspera do escarro,             &lt;br /&gt;A mão que afaga é a mesma que apedreja. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Se a alguém causa inda pena a tua chaga,            &lt;br /&gt;Apedreja essa mão vil que te afaga,&amp;#160; &lt;br /&gt;Escarra nessa boca que te beija!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="476" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A DANÇA DA PSIQUE&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O POETA DO HEDIONDO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;A dança dos encéfalos acesos            &lt;br /&gt;Começa. A carne é fogo, A alma arde, A espaços             &lt;br /&gt;As cabeças, as mãos, os pés e os braços             &lt;br /&gt;Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;É então que a vaga dos instintos presos            &lt;br /&gt;-- Mãe de esterilidades e cansaços --             &lt;br /&gt;Atira os pensamentos mais devassos             &lt;br /&gt;Contra os ossos cranianos indefesos. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Subitamente a cerebral coréia            &lt;br /&gt;Pára. O cosmos sintético da Idéia             &lt;br /&gt;Surge. Emoções extraordinárias sinto. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Arranco do meu crânio as nebulosas            &lt;br /&gt;E acho um feixe de forças prodigiosas             &lt;br /&gt;Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Sofro aceleradíssimas pancadas            &lt;br /&gt;No coração. Ataca-me a existência             &lt;br /&gt;A mortificadora coalescência             &lt;br /&gt;Das desgraças humanas congregadas! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Em alucinatórias cavalgadas,            &lt;br /&gt;Eu sinto, então, sondando-me a consciência            &lt;br /&gt;A ultra-inquisitorial clarividência             &lt;br /&gt;De todas as neuronas acordadas! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Quanto me dói no cérebro esta sonda!            &lt;br /&gt;Ah! Certamente eu sou a mais hedionda             &lt;br /&gt;Generalização do Desconforto... &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Eu sou aquele que ficou sozinho            &lt;br /&gt;Cantando sobre os ossos do caminho             &lt;br /&gt;A poesia de tudo quanto é morto!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;MINHA FINALIDADE&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;VÍTIMA DO DUALISMO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Turbilhão teleolófico incoercível,            &lt;br /&gt;Que força alguma inibitória acalma,             &lt;br /&gt;Levou-me o crânio e pôs-lhe dentro a palma             &lt;br /&gt;Dos que amam apreender o Inapreensível! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Predeterminação imprescriptivel            &lt;br /&gt;Oriunda da infra-astral Substância calma             &lt;br /&gt;Plasmou, aparelhou, talhou minha alma             &lt;br /&gt;Para cantar de preferência o Horrível! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Na canonização emocionante,            &lt;br /&gt;Da dor humana, sou maior que Dante,             &lt;br /&gt;-- A águia dos latifúndios florentinos! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Sistematizo, suluçando, o Inferno...            &lt;br /&gt;E trago em mim, num sincronismo eterno             &lt;br /&gt;A fórmula de todos os destinos!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Ser miserável dentre os miseráveis            &lt;br /&gt;-- Carrego em minhas células sombrias             &lt;br /&gt;Antagonismos irreconciliáveis             &lt;br /&gt;E as mais opostas idiosincrasias! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Muito mais cedo do que o imagináveis            &lt;br /&gt;Eis-vos, minha alma, enfim, dada às bravias             &lt;br /&gt;Cóleras dos dualismos implacáveis             &lt;br /&gt;E à gula negra das antinomias! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Psique biforme, o Céu e o Inferno absorvo...            &lt;br /&gt;Criação a um tempo escura e cor-de-rosa,             &lt;br /&gt;Feita dos mais variáveis elementos, &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Ceva-se em minha carne, como um corvo,            &lt;br /&gt;A simultaneidade ultramonstruosa             &lt;br /&gt;De todos os contrastes famulentos!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A UM EPILÉPTICO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;IDEALISMO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Perguntarás quem sou?! -- ao suor que te unta,            &lt;br /&gt;À dor que os queixos te arrebenta, aos trismos             &lt;br /&gt;Da epilepsia horrenda, e nos abismos             &lt;br /&gt;Ninguém responderá tua pergunta! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Reclamada por negros magnetismos            &lt;br /&gt;Tua cabeça há de cair, defunta             &lt;br /&gt;Na aterradora operação conjunta             &lt;br /&gt;Da tarefa animal dos organismos! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Mas após o antropófago alambique            &lt;br /&gt;Em que é mister todo o teu corpo fique             &lt;br /&gt;Reduzido a excreções de sânie e lodo, &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Como a luz que arde, virgem, num monturo,            &lt;br /&gt;Tu hás de entrar completamente puro             &lt;br /&gt;Para a circulação do Grande Todo!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!            &lt;br /&gt;O amor da Humanidade é uma mentira.             &lt;br /&gt;É. E é por isso que na minha lira             &lt;br /&gt;De amores fúteis poucas vezes falo. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!            &lt;br /&gt;Quando, se o amor quea Humanidade inspira             &lt;br /&gt;É o amor do sibarita e da hetaíra,             &lt;br /&gt;De Messalina e de Sardanapalo?! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Pois é mister que, para o amor sagrado,            &lt;br /&gt;O mundo fique imaterializado             &lt;br /&gt;-- Alavanca desviada do seu futuro -- &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;E haja só amizade verdadeira            &lt;br /&gt;Duma caveira para outra caveira,             &lt;br /&gt;Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;VANDALISMO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;BUDISMO MODERNO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Meu coração tem catedrais imensas,            &lt;br /&gt;Templos de priscas e longínquas datas,             &lt;br /&gt;Onde um nume de amor, em serenatas,             &lt;br /&gt;Canta a aleluia virginal das crenças. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Na ogiva fúlgida e nas colunatas            &lt;br /&gt;Vertem lustrais irradiações intensas             &lt;br /&gt;Cintilações de lâmpadas suspensas             &lt;br /&gt;E as ametistas e os florões e as pratas. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Com os velhos Templários medievais            &lt;br /&gt;Entrei um dia nessas catedrais             &lt;br /&gt;E nesses templos claros e risonhos... &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;E erguendo os gládios e brandindo as hastas,            &lt;br /&gt;No desespero dos iconoclastas             &lt;br /&gt;Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Tome, Dr., esta tesoura, e...corte            &lt;br /&gt;Minha singularíssima pessoa.             &lt;br /&gt;Que importa a mim que a bicharia roa             &lt;br /&gt;Todo o meu coração, depois da morte?! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Ah! Um urubu pousou na minha sorte!            &lt;br /&gt;Também, das diatomáceas da lagoa             &lt;br /&gt;A criptógama cápsula se esbroa             &lt;br /&gt;Ao contato de bronca destra forte! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Dissolva-se, portanto, minha vida            &lt;br /&gt;Igualmente a uma célula caída             &lt;br /&gt;Na aberração de um óvulo infecundo; &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Mas o agregado abstrato das saudades            &lt;br /&gt;Fique batendo nas perpétuas grades             &lt;br /&gt;Do último verso que eu fizer no mundo!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;PECADORA&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A IDÉIA&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Tinha no olhar cetíneo, aveludado,           &lt;br /&gt;A chama cruel que arrasta os corações,            &lt;br /&gt;Os seios rijos eram dois brasões            &lt;br /&gt;Onde fulgia o simb’lo do Pecado. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Bela, divina, o porte emoldurado           &lt;br /&gt;No mármore sublime dos contornos,            &lt;br /&gt;Os seios brancos, palpitantes, mornos,            &lt;br /&gt;Dançavam-lhe no colo perfumado. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;No entanto, esta mulher de grã beleza,           &lt;br /&gt;Moldada pela mão da Natureza,            &lt;br /&gt;Tornou-se a pecadora vil. Do fado, &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Do destino fatal, presa, morria           &lt;br /&gt;Uma noute entre as vascas da agonia            &lt;br /&gt;Tendo no corpo o verme do pecado!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;De onde ela vem?! De que matéria bruta            &lt;br /&gt;Vem essa luz que sobre as nebulosas             &lt;br /&gt;Cai de incógnitas criptas misteriosas             &lt;br /&gt;Como as estalactites duma gruta?! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Vem da psicogenética e alta luta            &lt;br /&gt;Do feixe de moléculas nervosas,             &lt;br /&gt;Que, em desintegrações maravilhosas,             &lt;br /&gt;Delibera, e depois, quer e executa! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Vem do encéfalo absconso que a constringe,            &lt;br /&gt;Chega em seguida às cordas da laringe,             &lt;br /&gt;Tísica, tênue, mínima, raquítica... &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Quebra a força centrípeta que a amarra,            &lt;br /&gt;Mas, de repente, e quase morta, esbarra             &lt;br /&gt;No molambo da língua paralítica!&lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O MORCEGO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;PSICOLOGIA DE UM VENCIDO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="232"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.            &lt;br /&gt;Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:             &lt;br /&gt;Na bruta ardência orgânica dasede,             &lt;br /&gt;Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;“Vou mandar levantar outra parede...”            &lt;br /&gt;-- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho             &lt;br /&gt;E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,             &lt;br /&gt;Circularmente sobre a minha rede! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Pego de um pau. Esforços faço. Chego            &lt;br /&gt;A tocá-lo. Minh’alma se concentra.             &lt;br /&gt;Que ventre produziu tão feio parto?! &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;A Consciência Humana é este morcego!            &lt;br /&gt;Por mais que a gente faça, à noite ele entra             &lt;br /&gt;Imperceptivelmente em nosso quarto!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="243"&gt;         &lt;p align="center"&gt;Eu, filho do carbono e do amoníaco,            &lt;br /&gt;Monstro de escuridão e rutilância,             &lt;br /&gt;Sofro, desde a epigênese da infância,             &lt;br /&gt;A influência má dos signos do zodíaco. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Produndissimamente hipocondríaco,            &lt;br /&gt;Este ambiente me causa repugnância...             &lt;br /&gt;Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia             &lt;br /&gt;Que se escapa da boca de um cardíaco. &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Já o verme -- este operário das ruínas --            &lt;br /&gt;Que o sangue podre das carnificinas             &lt;br /&gt;Come, e à vida em geral declara guerra, &lt;/p&gt;          &lt;p align="center"&gt;Anda a espreitar meus olhos para roê-los,            &lt;br /&gt;E há de deixar-me apenas os cabelos,             &lt;br /&gt;Na frialdade inorgânica da terra!&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;p&gt;(fonte: poesias extraídas do livro &amp;quot;Eu e outras poesias&amp;quot;, 42.ª ed., Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1998.)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8190223354890897881?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8190223354890897881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/poesia-algumas-poesias-de-augusto-dos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8190223354890897881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8190223354890897881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/poesia-algumas-poesias-de-augusto-dos.html' title='Poesia: algumas poesias de Augusto dos Anjos.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_AA2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-1421637948834119516</id><published>2008-04-28T01:54:00.001-03:00</published><updated>2010-07-31T03:59:20.802-03:00</updated><title type='text'>Faces, a expressão da alma</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Faces, a expressão da alma      &lt;br /&gt;Resultados recentes mostram como nosso cérebro reconhece rostos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;  &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="237" align="right" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="235"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-left: 0px; margin-right: 0px; border-bottom: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/69803a.jpg" align="right" border="0" /&gt; &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="235"&gt;         &lt;p align="right"&gt;&lt;font size="1"&gt;Quadro do pintor surrealista belga René Magritte (1898-1967): &lt;em&gt;Retrato de Edward James (a reprodução proibida).&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;p&gt;O jornalista aposentado Masao Kasai (nome fictício) acordou de manhã, olhou-se no espelho e não se reconheceu refletido. Quem era aquela pessoa? Não identificou a própria face, embora a visse claramente e percebesse que se tratava de um homem oriental, com cerca de 70 anos, dotado de traços que julgava familiares. Andou pela casa e notou que tudo estava normal – todos os objetos em seus lugares. Pensou disciplinadamente no dia anterior e constatou que podia se lembrar de tudo. Aí ouviu a voz de sua mulher no quarto, foi até ela, mas ao encontrá-la... não reconheceu o rosto que estava à sua frente. Algo estava errado. Decidiu procurar um hospital. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De fato, os médicos do Hospital Tenri, em Nara (Japão), constataram que Masao havia sofrido um derrame durante a noite, perdendo a capacidade de reconhecer faces familiares, mas sem apresentar outro sintoma cognitivo digno de nota. Casos semelhantes de prosopagnosia já eram conhecidos da neurologia, e essa condição foi imortalizada por Oliver Sacks em O homem que confundiu sua mulher com um chapéu . Mas o infortúnio de Masao, relatado em 2001 pelos neurologistas Y. Wada e T. Yamamoto, apresentou uma característica importante que acabou se tornando útil para decifrar de que modo somos capazes de reconhecer tão pronta e facilmente, pela face, as pessoas próximas e as pessoas famosas. É que a hemorragia cerebral que atingiu Masao praticamente restringiu-se a um setor específico do córtex cerebral chamado área fusiforme, e limitou-se ao lado direito do cérebro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa região do córtex cerebral já havia sido estudada há mais de 30 anos em macacos, pioneiramente, pelo brasileiro Carlos Eduardo Rocha-Miranda, que nessa época fazia parte de um grupo de neurocientistas da Universidade Harvard, nos EUA. O grupo havia conseguido identificar neurônios isolados nessa região da parte inferior do córtex cerebral, ativados por estímulos complexos como mãos e faces. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Rocha-Miranda conta, aliás, que tudo ocorreu por acaso, quando um dos pesquisadores passou pela frente do macaco e inadvertidamente ativou um desses neurônios. Passou de novo, e o neurônio sinalizou outra vez. Várias tentativas foram feitas até que o grupo descobriu que o alvo da preferência daquele neurônio em particular era a mão que passava pelo campo visual do animal. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mãos, faces, objetos complexos – então temos neurônios assim tão especializados? Haveria algum neurônio em nosso cérebro capaz de reconhecer especificamente nosso próprio rosto, o de nossa avó? A discussão que se seguiu a esse trabalho foi intensa, pois era difícil aceitar que poucas células nervosas – chamadas neurônios gnósticos , os “neurônios do conhecimento” – fossem capazes de tamanha especialização. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os códigos da percepção&lt;/strong&gt;    &lt;br /&gt;A representação de objetos complexos no cérebro – não apenas faces – pode empregar códigos ditos esparsos , quando todo o objeto é codificado por poucos neurônios (um só, no limite); ou códigos populacionais , quando um grande número de neurônios contribui para o reconhecimento do objeto. E ainda: esparsos ou populacionais, esses códigos podem estar agregados em um mesmo setor do cérebro, ou então distribuídos por uma extensa região. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ambos os códigos têm sido repetidamente descobertos no cérebro dos animais, inclusive o homem: neurônios específicos para o canto da espécie, nos canários, são um exemplo de código esparso bem conhecido. Já o comando dos movimentos precisamente direcionados que os macacos conseguem realizar depende da combinação de muitos neurônios motores ativos, o que é um exemplo de código populacional. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No caso da percepção de faces, os neurônios especializados foram identificados por diversos pesquisadores, sendo assim bem aceitos como uma realidade. Faltava saber duas coisas importantes. Estariam esses neurônios espalhados pelo córtex, ou concentrados em regiões pequenas? O código era esparso ou populacional? A questão é importante, porque neurônios agregados interagem mais facilmente, já que as distâncias são curtas. Neurônios afastados requerem conexões de longa distância, o que necessariamente implica maior lentidão no processamento. &lt;/p&gt;  &lt;div align="left"&gt;   &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="237" align="right" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="235"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-left: 0px; margin-right: 0px; border-bottom: 0px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/69803b.jpg" align="right" border="0" /&gt; &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="235"&gt;           &lt;p align="right"&gt;&lt;font size="1"&gt;Acima: Imagem de ressonância magnética funcional do cérebro de um macaco, em corte. Os focos amarelos são regiões ativadas por faces, e a linha vermelha representa o microeletródio que captou a atividade neuronal. O gráfico de baixo mostra a atividade neuronal média em resposta a faces e outros estímulos. Os rostos são os únicos estímulos eficazes. Adaptado de Tsao e colaboradores (2006).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p&gt;O acidente vascular de Masao Kasai indicou que seria verdadeira a hipótese de existirem poucos neurônios (código esparso), mas concentrados em uma pequena região (distribuição restrita), mas a prova só veio há alguns meses, com o trabalho realizado pela equipe de Doris Tsao, da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O grupo utilizou macacos para os experimentos. Primeiro levaram os animais à máquina de ressonância magnética funcional, que permitiu localizar precisamente as regiões ativas quando eles viam faces de outros macacos, ou mesmo de seres humanos. Descobriram três focos em uma região do lobo temporal, o mesmo que havia sido danificado no cérebro do jornalista japonês. A seguir empregaram microeletródios para captar a atividade de neurônios individuais em um desses focos, e o que encontraram foi surpreendente: praticamente todos os neurônios do foco (97%!) respondiam seletivamente a rostos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um dado adicional foi relevante no trabalho do grupo americano: a maioria dos neurônios respondia a muitas faces diferentes, muito raramente a uma ou duas apenas. Isso pode significar que não há neurônios isolados especializados na cara da vovó ou da mamãe, e que o reconhecimento desses rostos familiares pode ser obtido pela coordenação das respostas de conjuntos de neurônios especializados em faces. Justamente isso – a cooperação entre os neurônios seletivos a rostos – seria mais eficiente com uma distribuição agregada, que foi exatamente o que os pesquisadores encontraram. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;René Magritte, o pintor surrealista belga que tão criativamente representou a nossa percepção das faces, intuiu a importância dessa habilidade: no rosto está a nossa alma, isto é, nossa expressão, nossa emoção, nossa comunicação. Não é para menos que o cérebro dos primatas dispõe de uma área exclusiva para seu reconhecimento. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;SUGESTÕES PARA LEITURA&lt;/strong&gt;    &lt;br /&gt;C.G. Gross, C.E. Rocha-Miranda e D. Bender (1972) Visual properties of neurons in inferotemporal cortex of the macaque. &lt;em&gt;Journal of Neurophysiology&lt;/em&gt; , vol. 35, pp. 96-111.     &lt;br /&gt;O. Sacks (1999) &lt;em&gt;O homem que confundiu a sua mulher com um chapéu&lt;/em&gt; . São Paulo: Companhia das Letras.     &lt;br /&gt;Y. Wada e T. Yamamoto (2001) Selective impairment of face recognition due to a haematoma restricted to the right fusiform and lateral occipital region. &lt;em&gt;Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry&lt;/em&gt; , vol. 71, pp. 254-257.     &lt;br /&gt;L. Reddy e N. Kanwischer (2006) Coding of visual objects in the ventral stream. &lt;em&gt;Current Opinion in Neurobiology&lt;/em&gt; , vol. 16, pp. 408-414.     &lt;br /&gt;D.Y. Tsao e colaboradores (2006) A cortical region consisting entirely of face-selective cells. &lt;em&gt;Science&lt;/em&gt; , vol. 311, pp. 670-674. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Roberto Lent      &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Professor de Neurociência     &lt;br /&gt;Instituto de Ciências Biomédicas     &lt;br /&gt;Universidade Federal do Rio de Janeiro     &lt;br /&gt;27/04/2007 &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(fonte: &lt;a href="http://cienciahoje.uol.com.br/69803" target="_blank"&gt;cienciahoje.uol.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-1421637948834119516?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/1421637948834119516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/faces-expresso-da-alma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1421637948834119516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/1421637948834119516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/faces-expresso-da-alma.html' title='Faces, a expressão da alma'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/O Rascunho/th_69803a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-3617057628836589136</id><published>2008-04-28T00:38:00.001-03:00</published><updated>2008-04-28T00:38:06.434-03:00</updated><title type='text'>Gramática: o verbo fazer, unipessoal ou impessoal?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://solp.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Há uma figurinha repetida no &lt;a href="http://solp.com.br/forum" target="_blank"&gt;fórum SOLP&lt;/a&gt;: a questão que trata do verbo &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt; em orações que dão idéia de tempo. Trato, explicitamente, de expor o que pensam alguns acerca da possível &lt;em&gt;unipessoalidade&lt;/em&gt; de tal verbo, sempre relevando o que pensa a maioria dos gramáticos sobre tal caso. Foram duas dúvidas bastante pertinentes que me fizeram escrever sobre a coerente, apesar de bastante incomum nesse caso, &lt;em&gt;unipessoalidade&lt;/em&gt;. Cá estão&amp;nbsp;as&amp;nbsp; perguntas e as respostas:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Faz duas horas que espero por você&lt;/em&gt;&lt;br&gt;Alguém poderia me ajudar? Qual seria a função sintática de&amp;nbsp;&lt;em&gt;que espero por você&lt;/em&gt;? &lt;p&gt;Olá, ***. Essa tua pergunta é bem pertinente, porque ela ainda gera um pouco de polêmica. Eu disse, certa vez, neste fórum que, em orações nas quais aparece o verbo &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt;, em acepção de tempo decorrido, o sujeito seria considerado unipessoal por alguns gramáticos, em vez de impessoal. Ex.: Faz dez anos que deixei de beber (suj.: que deixei de beber). Esse raciocínio, apesar de coerente, é um pouco radical, pois a maioria dos bons gramáticos consideram que haja, em verdade, uma oração sem sujeito e que o verbo seja, portanto, impessoal. Tomando como mais apropriado o que dizem esses bons gramáticos, a oração &lt;em&gt;que espero por você&lt;/em&gt; de tua citação seria tão-só a oração principal do período composto por subordinação. Outro detalhe que devo salientar é que o verbo &lt;em&gt;esperar&lt;/em&gt;, em acepção de estar à espera de alguém ou de algo, não é transitivo indireto, e sim direto. A tua frase seria, portanto, melhor escrita assim: Faz duas horas que espero você. Desse modo, o termo &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; seria o objeto direto do verbo &lt;em&gt;esperar&lt;/em&gt;. Isso é tudo que tenho a dizer. Um abraço, e até outros tópicos. &lt;p&gt;Em outro tópico, foi melhor explicado o caso em que o verbo &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt;, em acepção de tempo decorrido, pode ser visto como unipessoal, mesmo que, torno a lembrar, seja encarado como impessoal por grande parte dos gramáticos. Apesar de a questão do referido&amp;nbsp;tópico ser outra, nele acabo explicando a interpretação da &lt;em&gt;unipessoalidade&lt;/em&gt; de tal verbo. Cá está o tópico a que me refiro: &lt;p&gt;Olá, ***. Vou-te explicar melhor a flexão verbal quando ocorre sujeito oracional. Antes de tudo, verbo unipessoal é aquele que, tendo sujeito, só se usa nas terceiras pessoas, do singular e do plural. Exemplo claro da &lt;em&gt;unipessoalidade&lt;/em&gt; verbal são os verbos onomatopaicos: grunir, miar, latir, etc. O verbo também é unipessoal quando ocorre sujeito oracional. Ex.: Convém que voltemos cedo (suj.: que voltemos cedo). Alguns gramáticos consideram o verbo &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt;, referindo-se a tempo, como unipessoal; outros o consideram impessoal. Em provas de concursos e vestibulares, deve-se considerá-lo impessoal, apesar de tal discussão. É importante apenas que se note a justificativa daqueles que o vêem unipessoal: eles afirmam que a oração principal do período tem como sujeito a oração subordinada substantiva introduzida, como é de nosso conhecimento, por conjunção integrante &lt;em&gt;que&lt;/em&gt;. Ex.: Faz dez anos que Juninho comprou sua bicicleta. (verbo unipessoal: faz; sujeito oracional: que Juninho comprou sua bicicleta). Há equivalência elucidativa com a oração assim reconstruída, substituindo o sujeito oracional pelo pronome substantivo demonstrativo neutro isso: Faz dez anos isso. O gramático que afirma categoricamente a unipessoalidade do verbo fazer é Sacconi, considerado por muitos como radical, por não concordar com algumas posições da NGB. Vejamos o que afirma em uma nota de observação contida em sua gramática &lt;em&gt;Nossa Gramática - Teoria e Prática&lt;/em&gt;: &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;1) Consideramos unipessoal, e não impessoal, o verbo fazer seguido da oração iniciada pela conjunção que, a nosso ver integrante. A NGB não trata dos verbos unipessoais, considerando todos os verbos só usados nas terceiras pessoas como impessoais, incorrendo num equívoco imperdoável. &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;Na frase Faz dez anos que deixei de fumar, a oração iniciada pelo conectivo é substituível pelo pronome substantivo isso, o que comprova seu valor substantivo: &lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;Faz dez anos que deixei de fumar = Faz dez anos isso.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Perguntou também o caro &lt;em&gt;forista&lt;/em&gt;: &lt;p&gt;Pergunto, a ordem direta poderia ser escrita assim:&lt;br&gt;"Distinguir os passageiros casuais dos chamados 'ratos de metrô' é muito fácil"? &lt;p&gt;Quanto à ordem direta que me sugeriste, ela está correta, apesar de a ordem inversa (predicado nominal + suj. oracional) apresentar melhor valor enfático do predicativo do sujeito. ***, espero ter-te ajudado, um abraço deste que te escreve, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-3617057628836589136?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/3617057628836589136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/gramtica-o-verbo-fazer-unipessoal-ou.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3617057628836589136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3617057628836589136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/gramtica-o-verbo-fazer-unipessoal-ou.html' title='Gramática: o verbo fazer, unipessoal ou impessoal?'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2566053872913278428</id><published>2008-04-21T03:32:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T03:32:07.414-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O fulano-de-tal que fora adotado.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim pensou o fulano-de-tal,&amp;nbsp;semelhante a muitos que crêem viver uma situação de equilíbrio familiar, e o registro por ele escrito é conturbado,&amp;nbsp;visto que ele mesmo, em um momento,&amp;nbsp;tem em si o turbilhão de pseudoconclusões e, em outro, apresenta forte atimia. A avaliação do que lhe sucedeu é feita pela corda trêmula em que se equilibram acrobatas destemidos: o Amor atrabiliário&amp;nbsp;e a Razão tácita. Ela, a corda,&amp;nbsp;é feita de material rijo, que sustenta as estripulias desses dois. Assim nos conta, presto,&amp;nbsp;o fulano-de-tal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eis uma retrospectiva de meus vinte e seis anos, tudo o que me apareceu brusco na memória após a descoberta da adoção: tive boa infância, bons amigos, boa educação e o restante do que não falta à família perfeita; uma perfeição cristalina que, porém, trincou por efeito de uma ressonância que me remete ao momento de meu tão belo rebentar, um tipo não convencional de introdução ao mundo. Preferiria crer eternamente nesse cristal imaculado, produto do medo de meus pais, mas ele, diferente dos demais, era uma pedra frágil, que teria de trincar e, de uma só vez, partir-se em milhares de pedaços, tal foi a força da notícia que me arrebatou tão-só agora, quando estava feliz por assim viver.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas a notícia cruel de minha adoção renderá o final da escrita, agora é melhor tomar por base os motivos da informação tardia; o medo, sim, gerou a morosidade de meu caso e emudeceu, por todos os bons momentos que vivi, qualquer vestígio de atitude reveladora por parte dos que me mostraram o mundo. O que me pareceu límpido e majestoso pode ter sido a angústia dos que me criaram; eles, ao menos, nunca ma demonstraram. Não sei bem se cabe a mim o julgamento da "falha", pois não sei bem se a há e se ela feriria mais um adulto de boa formação ou uma criança que decerto assimilaria que a família não é uma instituição armada pela consangüinidade. Tenho em mente que não há uma fórmula para o sucesso, assim como não há uma para a felicidade, e não haveria, portanto, razão maior para o tipo especial de cisma de que tenho sofrido do que a minha progressão natural, sem choques e sem dramas. O alvo da discussão já não é o menino de ouro que fui, senão um adulto que, por meses, tem-se mostrado taciturno e conversado pouco com a tão prestativa família. Ah! Linhas que se riscam, é a minha vez de fingir! Fazer os meus mestres, que tão bem me conhecem, não notarem sequer o menor ruído de minha digestão, uma feijoada pesada que agora tem de ser degradada à surdina. Talvez seja mais difícil para mim fingir o mastigar do abalo, da nova idéia e de um pouco de desespero.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como toda digestão, a nutrição é certa. O resultado da força que me feriu&amp;nbsp;a consciência&amp;nbsp;com descomunal ferocidade, as palavras que saíram fortes e reveladoras da pequena e bem pintada boca maternal e toda a situação que daí decorreu foram a minha atual anestesia. O meu moral inquieto e preocupado com a reação de minha família por eu assim agir, meio inerte e um pouco inerme às vicissitudes, mostrou-me uma rica digestão, uma digestão de valores, modelos, fórmulas e paradigmas que me confirmou que a família não é uma instituição armada pela consangüinidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(por &lt;em&gt;Gustavo Henrique S. A. Luna&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-2566053872913278428?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/2566053872913278428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/crnica-o-fulano-de-tal-que-fora-adotado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2566053872913278428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/2566053872913278428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/crnica-o-fulano-de-tal-que-fora-adotado.html' title='Crônica: O fulano-de-tal que fora adotado.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-7294629343702337504</id><published>2008-04-14T03:10:00.001-03:00</published><updated>2008-04-14T03:10:20.609-03:00</updated><title type='text'>Vírgulas Fatais</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;O VALOR DA PONTUAÇÃO&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e pena, e escreveu assim: "Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres". Não teve tempo de pontuar - e morreu. &lt;p&gt;A quem ele deixava a fortuna que tinha? Eram quatro os concorrentes. &lt;p&gt;Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!" &lt;p&gt;A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito; e pontuou-a deste modo: "Deixo os meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho! Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!" &lt;p&gt;Surgiu o alfaiate que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres!". &lt;p&gt;O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres." &lt;p&gt;Assim é a vida, nós é que colocamos os pontos e isto faz a diferença.&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;A contribuição acima é de Luiz Norberto Damiani, membro do MNDLP em Santos/SP, transcrevendo em 15/4/2000 mensagem recebida de Mário Canelas Jr.&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Meu pai contava uma história assim: &lt;p&gt;Dizia que no Pará houve um levante popular. O comandante das forças armadas telegrafou ao Presidente da República relatando o fato e, no fim, perguntou - reajo ?&lt;br&gt;O Presidente respondeu assim: Não, tenha ponderações.&lt;br&gt;O telegrafista esqueceu da vírgula. Em razão disto, morreram várias pessoas. &lt;p&gt;Aristóteles &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;Contribuição de Aristóteles, da Paraíba, participante da lista de debates Idioma, mantida pelo MNDLP na Internet, enviada em 18/4/2000.&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Reprimido versus recessão, ou a vírgula que salvou o herói &lt;p&gt;Num reino distante e antigo, uma criatura terrível ameaçava a tranqüilidade do povo. Era tão assustadora que todos começaram a chamá-la Recessão. Preocupado com os estragos que a Recessão causava ao Reino, o rei convocou Reprimido, um manjado herói, para liquidar a fera. Reprimido partiu, levando sua grande arma: o cartão de crédito. Alguns dias depois, o rei recebeu um telegrama no castelo: "A Recessão Reprimido matou". O rei ficou muito triste e decretou uma semana de luto em homenagem a Reprimido, que imaginava morto. Mas qual não foi a surpresa de todos, quando no dia seguinte Reprimido apareceu vivinho da silva. E explicou ao rei que tudo era culpa do telegrafista. Na pressa de mandar o telegrama, ele se esquecera de uma vírgula. A mensagem certa era: "A Recessão, Reprimido matou." &lt;p&gt;&lt;font color="#800000"&gt;&lt;i&gt;Extraído de "Língua não tem osso, ouvido não tem porteira, pensamento não tem fronteira", revista &lt;/i&gt;SuperInteressante Jovem Especial&lt;i&gt;, Editora Abril, novembro de 1990.&lt;/i&gt;&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Oráculo ambíguo&lt;/b&gt; -&amp;nbsp; Na antiga Grécia havia um célebre oráculo, que respondia com segurança a todas as perguntas que se lhe fizessem sobre o futuro, que para nós hoje já é passado. Um pai aflito, um dia, perguntou ao oráculo se o seu filho, que devia partir para a guerra, regressaria são e salvo. &lt;p&gt;O oráculo respondeu por escrito: "irá virá nunca morrerá nas armas". &lt;p&gt;O pai ficou satisfeitíssimo com a resposta. Mas a sua alegria não durou muito tempo. Logo depois de dois meses recebeu a dolorosa notícia da morte do filho em combate. Desesperado, foi ao oráculo, a fim de reclamar contra o engano da profecia. O oráculo lamentou muito o que havia sucedido, mas fez ver ao velho pai que nada tinha a corrigir. A sua professia estava certa e havia se cumprido.&amp;nbsp; &lt;p&gt;O que ele respondera era o seguinte: "Irá. Virá nunca. Morrerá nas armas". E não: "Irá. Virá. Nunca morrerá nas armas", como julgava o pai. &lt;p&gt;&lt;font color="#800000"&gt;&lt;i&gt;Extraído de &lt;/i&gt;Almanhaque para 1949 ou Almanhaque d'A Manha - Primeiro Semestre&lt;i&gt;,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;i&gt;produzido por Apparício Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971).&lt;/i&gt;&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;Lembra, por sua vez (em 6/2/2001, na lista de debates Idioma), o internauta Luiz Ezildo:&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;"Tem aquela histórinha do cartorário que escreveu a respeito de um erro e tentando consertá-lo: "...quando digo digo, não digo digo, digo Diogo ..." &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;Em uma lista de debates sobre negócios, a Widebiz, a internauta Márcia Gama citou, em 24/1/2001:&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Dizer "Quem canta, seus males espanta" é muito diferente de dizer "Quem canta seus males, espanta".&amp;nbsp; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;No dia seguinte, na mesma lista, o internauta Lucio Wandeck respondeu contando uma história:&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;Não sei se é verdade, mas conheço a seguinte história. &lt;p&gt;Lá pelos idos de mil oitocentos e tantos, a atual cidade de Manaus (então pertencente à Provìncia do Pará) rebelou-se contra o governo. Foram deslocados de Belem dois navios de guerra que fundearam em frente ao lugarejo. O comandante, após comprovar a insurreição - chefiada por padres - enviou mensagem à Corte:&amp;nbsp;&lt;br&gt;- Devo bombardear Manaus?&lt;br&gt;A Corte respondeu:&lt;br&gt;- Não, poupe Manaus.&lt;br&gt;Porém o telegrafista achou desnecessária a vírgula! &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;font color="#800000"&gt;E há também a velha história do rei impiedoso e do escrivão clemente. Um desafeto político do rei estava preso, aguardando a sentença do rei. Perguntou-se ao soberano se o condenado poderia contar com a bondade real. Respondeu o rei: "Não, mate!" Mas o esperto escrivão retirou a vírgula no documento que levou à assinatura do soberano. Assim, a ordem que os guardas receberam foi: "Não mate!". E o prisioneiro foi salvo...&lt;/font&gt;&lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;font color="#000000"&gt;(fonte: &lt;a title="http://www.novomilenio.inf.br/idioma/20010302.htm" href="http://www.novomilenio.inf.br/idioma/20010302.htm"&gt;http://www.novomilenio.inf.br/idioma/20010302.htm&lt;/a&gt;&amp;nbsp;- Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-7294629343702337504?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/7294629343702337504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/vrgulas-fatais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7294629343702337504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/7294629343702337504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/vrgulas-fatais.html' title='Vírgulas Fatais'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-3741262196744673547</id><published>2008-04-12T23:57:00.001-03:00</published><updated>2008-04-12T23:57:55.953-03:00</updated><title type='text'>Gramática: diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://solp.com.br/forum/templates/subSilver/images/logo_phpBB.gif" align="right"&gt; Uma das dúvidas mais comuns em análise sintática é a relativa à&amp;nbsp;distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal. Perdi a conta de quantas vezes já se perguntou isso aos diversos professores de Gramática de Português que tive. A dúvida é, sim, justa, pois a diferença é realmente sutil e exige do estudante mais atenção. Finalmente, no utilíssimo &lt;a href="http://solp.com.br/forum"&gt;fórum SOLP&lt;/a&gt;, chegou a bendita questão, e prontamente, até por identificação com tal questionamento, tratei de responder a ela. Cá está o tópico:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Alguém sabe bem resumidamente a diferença entre adj. adnominal e compl. nominal?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Olá, ***. Excelente, tua pergunta. Essa é uma das questões mais comentadas de toda a sintaxe. Inicialmente, faremos a distinção em relação aos termos que regem um e outro. Se o termo regido por preposição estiver ligado a advérbio ou a adjetivo, será sempre complemento nominal. Ex.: temeroso &lt;em&gt;da derrota&lt;/em&gt;; longe &lt;em&gt;dos amigos&lt;/em&gt;; cheio &lt;em&gt;de tralhas&lt;/em&gt;, independentemente &lt;em&gt;de sua ordem&lt;/em&gt;. A atenção deve ser máxima quando o regente for um substantivo, pois assim poderemos ter um adjunto adnominal ou um complemento nominal. Se o substantivo for concreto, teremos adjunto adnominal. Ex.: casa &lt;em&gt;de taipa&lt;/em&gt;; pano &lt;em&gt;de seda&lt;/em&gt;, etc. Se ele for abstrato, teremos de analisar desta forma: tendo o termo regido aspecto passivo em relação à ação contida no nome (sim, os substantivos abstratos possuem verbos correspondentes: &lt;em&gt;ataque - atacar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pedido - pedir&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;caça - caçar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;desgaste - desgastar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;abalo - abalar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;castigo - castigar&lt;/em&gt;, etc.; são, portanto, deverbais, ou seja, sofreram processo de formação denominado derivação regressiva), ele será complemento nominal. Ex.: pedido &lt;em&gt;de ajuda&lt;/em&gt;: ajuda foi pedida; necessidade &lt;em&gt;de comida&lt;/em&gt;: comida é necessitada. Será mais elucidativo se usarmos como exemplo uma oração, por exemplo: Clementina nunca relevou sua necessidade &lt;em&gt;da paz celeste&lt;/em&gt; (Clementina necessita a paz celeste; a paz celeste é necessitada por Clementina). "O complemento nominal corresponde a um complemento objetivo" (Luiz Antonio Sacconi, Nossa Gramática - Teoria e Prática, 23.ª edição, pág. 321). O adjunto adnominal possui sentido ativo acerca da ação contida no substantivo. Ex.: "A redação &lt;em&gt;do rapaz&lt;/em&gt;" (o rapaz redigiu a redação; a redação é sua); "A explicação &lt;em&gt;do professor&lt;/em&gt;" (o professor explicou; a explicação é dele); enquanto que, em "A redação &lt;em&gt;das revistas&lt;/em&gt;", temos complemento nominal (As revistas são redigidas; alguém redige as revistas). "O adjunto adnominal corresponde a um complemento subjetivo" (Luiz Antonio Sacconi, Nossa Gramática - Teoria e Prática, 23.ª edição, pág. 321). ***, espero ter-te ajudado. Um abraço, e até outros tópicos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-3741262196744673547?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/3741262196744673547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/gramtica-diferena-entre-adjunto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3741262196744673547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/3741262196744673547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/gramtica-diferena-entre-adjunto.html' title='Gramática: diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-8315388635238647061</id><published>2008-04-11T00:31:00.001-03:00</published><updated>2008-04-11T00:31:32.689-03:00</updated><title type='text'>Crônica: O Festival de Besteira Que Assola o País.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Festival de Besteira Que Assola o País&lt;/strong&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Stanislaw Ponte Preta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;(Sérgio Porto)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Disse Stanislaw no FEBEAPA 2:&lt;/em&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;"É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País. Pouco depois da "redentora", cocorocas de diversas classes sociais e algumas autoridades que geralmente se dizem "otoridades", sentindo a oportunidade de aparecer, já que a "redentora", entre outras coisas, incentivou a política do dedurismo (corruptela de dedo-durismo, isto é, a arte de apontar com o dedo um colega, um vizinho, o próximo enfim, como corrupto ou subversivo — alguns apontavam dois dedos duros, para ambas as coisas), iniciaram essa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar".&lt;/em&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Vamos a algumas amostras:&lt;/em&gt;  &lt;p&gt;"O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros" (Deputado Índio do Brasil, Assembléia do Rio).  &lt;p&gt;O cidadão Aírton Gomes de Araújo, natural de Brejo Santo, no Ceará, era preso pelo 23.º Batalhão de Caçadores, acusado de ter ofendido "um símbolo nacional", só porque disse que o pescoço do Marechal Castelo Branco parecia pescoço de tartaruga e logo depois desagravava o dito símbolo, quando declarava que não era o pescoço de S. Exa. que parecia com o da tartaruga: o da tartaruga é que parecia com o de S. Exa.  &lt;p&gt;Cerca de 51 bandeiras dos países que mantêm relação com o Brasil foram colocadas no Aeroporto de Congonhas. O Secretário de Turismo de São Paulo — Deputado Orlando Zancaner — quando inaugurou a ala das bandeiras, disse que "era para incrementar o turismo externo".  &lt;p&gt;Quando a Censura Federal proibiu em Brasília a encenação da peça Um Bonde Chamado Desejo, a atriz Maria Fernanda foi procurar o Deputado Ernani Sátiro para que o mesmo agisse em defesa da classe teatral. Lá pelas tantas, a atriz deu um grito de "viva a Democracia". O senhor Ernani Sátiro na mesma hora retrucou: "Insulto eu não tolero".  &lt;p&gt;O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá:&amp;nbsp;&amp;nbsp; "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário".  &lt;p&gt;Em Niterói o professor Carlos Roberto Borba iniciou ação de desquite contra a professora Eneida Borba, alegando que sua esposa não lhe dá a menor atenção e recebe mal seus carinhos quando é hora de programas de Roberto Carlos na televisão. A professora vai aprender que mais vale um Carlos Roberto ao vivo que um Roberto Carlos no vídeo.  &lt;p&gt;Colhemos num coleguinha do Jornal do Brasil:&lt;br&gt;"O General José Horácio da Cunha Garcia fez uma firme apologia da Revolução e manifestou-se contrariamente às teses de pacificação, bem como condenou o abrandamento da ação revolucionária. O conferencista foi aplaudido de pé". O distraído Rosamundo leu e, na sua proverbial vaguidão, comentou: "Não seria mais distinto se aplaudissem com as mãos?".  &lt;p&gt;Enquanto o Marechal Presidente declarava que em hipótese alguma permitiria fosse alterada a ordem democrática por estudantes totalitários, insuflados por comunistas notórios, quem passasse pela Cinelândia no dia 1.º de abril depararia com o prédio da assembléia Legislativa totalmente cercado por tropas da Polícia Militar. Na certa, a separação de poderes, prevista na Constituição, passará a ser feita com cordão de isolamento e muita cacetada.  &lt;p&gt;Notícia publicada pelo jornal O Povo, de Fortaleza (CE): "O Dr. Josias Correia Barbosa, advogado e professor, esteve à beira de um IPM (Inquérito Policial Militar) por haver passado um telegrama para sua sobrinha Loberi, em Salvador, comunicando-lhe que a bicicleta e as pitombas tinham seguido. Houve diligencias pelas vizinhanças, parentes foram procurados e outras providências tomadas. Passados dois dias, soube o Dr. Josias que o despacho telegráfico não fora transmitido porque um James Bond do DCT (Departamento de Correios e Telégrafos) estranhara os termos "bicicleta", "pitombas" e "Loberi", que "deviam ser de um código secreto".  &lt;p&gt;"Os jornalistas deveriam apanhar da polícia não só durante a passeata, mas antes também. Eles são incapazes de reconhecer o valor da polícia. Os fotógrafos, por exemplo, nunca fotografam os estudantes batendo no policial". Essa declaração foi feita pelo Secretário de Segurança de Minas Gerais, coronel Joaquim Gonçalves.  &lt;p&gt;A peça "Liberdade, Liberdade" estreou em Belo Horizonte e a Censura cortou apenas a palavra prostituta, substituindo-a pela expressão: "Mulher de vida fácil", o que, na atual conjuntura, nos parece um tanto difícil. Ninguém mais tá levando vida fácil.  &lt;p&gt;Segundo Tia Zulmira "o policial é sempre suspeito" e — por isso mesmo — a Polícia de Mato Grosso não é nem mais nem menos brilhante do que as outras polícias. Tanto assim que um delegado de lá, terminou seu relatório sobre um crime político, com estas palavras: "A vítima foi encontrada às margens do riu sucuriu, retalhada em 4 pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio".  &lt;p&gt;Em Campos (RJ) ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.  &lt;p&gt;A mini-saia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o Delegado de Costumes (inclusive costumes femininos), declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira "para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas". E acrescentava furioso: "A tradição de moral e pudor dos mineiros será preservada sempre". Toda essa cocorocada iria influenciar um deputado estadual de lá — Lourival Pereira da Silva — que fez um discurso na Câmara sobre o tema "Ninguém levantará a saia da Mulher Mineira".  &lt;p&gt;Em Brasília, depois de um dos maiores movimentos do Festival de Besteira, que bagunçou a Universidade local, o Reitor Laerte Ramos — figurinha que ama tanto uma marafa que cachaça no Distrito Federal passou a se chamar "Reitor" — nomeava um professor para a cadeira de Direito Penal.&amp;nbsp; O ilustre lente nomeado começou com estas palavras a sua primeira aula: "A ciência do Direito é aquela que estuda o Direito".  &lt;p&gt;A Igreja se pronunciou, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sobre recentes publicações pretensamente científicas, "que abordam problemas relacionados ao sexo com evidente abuso". O documento não explicou se o abuso era do problema ou se o abuso era do sexo. Em compensação, nessa mesma conferência, Dom José Delgado, Arcebispo de Fortaleza, dava entrevista à Agência Meridional sobre pílulas anticoncepcionais, uma pílula formidável para fazer efeito no Festival de Besteira. Como se disse bobagem sobre o uso ou não da pílula, meus Deus!!! Dom Delgado, por exemplo, dizia: "A protelação do casamento é a única conclusão a que chego, atualmente, para a planificação da família e o controle da natalidade. E, depois disso, só existe um caminho seguro: o da continência na vida conjugal". Como vêem, o piedoso sacerdote era um bocado radical e queria acabar com a alegria do pobre. Ainda mais, falando em sexo e em continência na vida conjugal, deixou muito cocoroca achando que, dali por diante, era preciso bater continência para o sexo também.  &lt;p&gt;Textos extraídos dos livros "O Festival de Besteira que Assola o País", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966, "2.º Festival de Besteira que Assola o País", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, e "Na Terra do Crioulo (A máquina de fazer) Doido - FEBEAPA 3", Editora Sabiá - Rio de Janeiro,&amp;nbsp; 1968, págs. diversas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(fonte: releituras.com)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6361127397146152212-8315388635238647061?l=osrascunhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osrascunhos.blogspot.com/feeds/8315388635238647061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/crnica-o-festival-de-besteira-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8315388635238647061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6361127397146152212/posts/default/8315388635238647061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osrascunhos.blogspot.com/2008/04/crnica-o-festival-de-besteira-que.html' title='Crônica: O Festival de Besteira Que Assola o País.'/><author><name>Gustavo Henrique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11934296211689389684</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_DXjNsI_KY1Q/R6-obNJ8zYI/AAAAAAAAACs/TR0nE85Inbc/S220/Eu+-+miniatura+-+01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6361127397146152212.post-2612089059445556607</id><published>2008-04-07T02:38:00.001-03:00</published><updated>2008-04-07T02:38:30.258-03:00</updated><title type='text'>Crônica: Sou um pé. E você quem é?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 0px 5px" src="http://i35.photobucket.com/albums/d198/Gustavo_HSAL/Pn02.jpg" align="right"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em minha denotação, não sou alvo de atenção alguma. Tenho como fiel companhia os sapatos surrados de meu dono, que por desleixo já me deixou entregue a micoses terríveis. Em momentos de lazer, encontro o azulejo frio do terraço da propriedade do que me guia (ou será eu quem o guio?) e lá entro a pensar sobre o nome que me deram:
